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#058-Kairo

Kiyoshi Kurosawa dirigiu Kairo, filme conhecido também como Pulse. Se você nunca ouviu falar nisso, leia com atenção. Os americanos já compraram os direitos e em breve estará pronto mais um remake, que deve aparecer por aqui. A regravação se chamará Pulse (que é o mesmo título que Kairo teve quando foi lançado internacionalmente)

Kairo é um filme de terror que é bastante dramático. Apesar de ter momentos aterrorizantes, o que você sente ao assistir é um mal-estar e uma profunda reflexão sobre estar vivo e estar morto (não, eu nunca estive). E também uma mensagem sobre a solidão e a distância das pessoas. Quem morre fica sozinho? Os fantasmas não têm amigos? (pelo amor de Deus, não pensem em Gasparzinho!) Kairo é um filme de fantasmas, mas é muito mais do que isso. Ele cria um clima realmente estranho e pesado. Tudo o que vemos é um grande e longo pesadelo de 2 horas.

A fotografia contribui para eses clima. As imagens de ambientes internos são todas amarelas, com uma iluminação fraca, que transmite a insegurança de saber o que existe no escuro. Muitos tons amarelados dão a impressão de imagem antiga, um sonho. E essa tonalidade tende a se espalhar por todo o filme, inclusive nos ambientes externos. E isso é bem perceptível nas belas e impressionantes tomadas finais. E repare também na cor vermelha!

No filme, um grupo de amigos fica surpreso quando o colega suicida. Então, percebem que ele tenta se comunicar, sempre pedindo socorro. Seja por telefone ou pelo computador, esse contato
sobrenatural acaba fazendo com que mais pessoas simplesmente desapareçam! É como se o fantasma não tivesse mais lugar para ir, sendo condenado a viver sempre num mesmo local... (numa tela de computador com imagens estranhas, por exemplo)
A partir daí, a história se desenvolve de maneira inesperada, surpreendendo aquele que assiste e espera ver uma coisa convencional: eu. Duas tramas paralelas são mostradas e em ambas existe o mesmo tipo de acontecimento do além, culminando num desfecho...abrangente!

Gostei muito da trilha sonora, que é bastante versátil. As músicas das cenas de suspense são ótimas, cheias de uivos e sussuros fantasmagóricos, para que ninguém tenha dúvida que são fantasmas (você poderá conferir vendo o trailer, logo abaixo!) E músicas mais dramáticas também estão presentes, todas bem compostas e adequadas.

Agora se Kairo tem falhas é por não se definir entre o drama e o terror. Fica nem uma coisa nem outra, algo como um suspense dramático-sobrenatural, se é que esse gênero existe. As cenas dos fantasmas são realmente dignas de terror (com efeitos especiais bem utilizados), agora as reflexões dos personagens, bem como o modo que o roteiro se desenvolve, é digno de um grande drama. E o clima de perigo é quebrado com longas cenas "paradas".
Cotação do Dai: **1/2
Kairo (Japão, 2001) Dirigido por: Kiyoshi Kurosawa Com: Haruhiko Katô, Kumiko Aso, Koyuki, Kurume Arisaka, Masatoshi Matsuo, Shinji Takeda, Jun Fubuki...

Veja aqui o trailer do filme "Kairo":


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Kourei (conhecido tamb
ém como Seance ou Sessão espírita) também foi dirigido por Kiyoshi Kurosawa. Para mim, apesar de ser uma produção bem modesta, feita para a televisão (e com efeitos especiais limitadíssimos) foi melhor. Também fala de fantasmas e de drama humano, mas tem um humor negro que é muito incômodo e malvado. São poucos os filmes que conseguem me deixar revoltado e eu valorizo muito os que conseguem essa façanha, essa interação! "Dançando no escuro" ou "Dogville" (ambos de Lars Von Trier), por exemplo, são filmes ótimos que servem de exemplos disso. O que dá vontade é entrar no meio das cenas e falar: "-Björk, Nicole, por favor, não sejam assim!" Hehehehe! :) Aí do lado você confre a capa de Kourei.

Para finalizar o texto de hoje, gostaria de deixar um
link para você assistir o trailer do remake. Clique aqui para visualizar. Pelo que eu pude ver, eles parecem ter seguido o original. Apesar de ter algumas cenas novas, vemos várias que são iguais a Kairo. Provavelmente eles devem ter alterado a mensagem original do filme, deixando mais ação e sustos e menos conteúdo-reflexão sobre o que aconteceu. Uma coisa que me deixou intrigado foi uma cena do filme original no trailer da regravação! Como pode?

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