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#596-O milagre de Santa Luzia

Começou desde terça-feira a maior festa cinematográfica do Brasil: o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A Mostra Competitiva 35mm teve início nesta quarta-feira e fez com que os cinéfilos fossem ao Cine Brasília, tradicional cinema da cidade que estava fechado desde o final de outubro para reformas de expansão. Para quem não sabe, o lugar é todo reformado anualmente para abrigar uma praça de alimentação e pequenas lojas que vendem artigos culturais relacionados à sétima arte. Toda a estrutura é desmontada após o evento, o que é uma pena.

O primeiro longa-metragem que foi exibido este ano é O milagre de Santa Luzia, de
Sergio Roizenblit. "Eu costumo dizer que o filme é uma viagem pelo Brasil com a sanfona como pano de fundo", definiu o diretor em uma entrevista. De fato, as pessoas que esperavam um documentário apenas sobre a safona certamente se surpreenderam com a produção. Muito mais do que uma coletânea de depoimentos, a película encanta por ser um retrato também sobre o povo brasileiro em (quase) toda sua diversidade.

As filmagens aconteceram em vários estados: Recife, Acre, Ceará, São Paulo, Minas Gerais, Porto Alegre e outros, sem falar em um trecho na divisa da fronteira entre o Brasil e o Uruguai. Todas as locações enchem os olhos pela riqueza cultural e histórica. Falar que o Brasil é um país de proporções continentais e blábláblá não é novidade para ninguém, mas não é todos os dias que se vê uma arara azul voando na telona ao som de uma bela música. Uma não, duas. E um dos pontos mais surpreendentes do filme é a fotografia.

O milagre de Santa Luzia
Os músicos e as músicas

As imagens as vezes parecem tremidas demais, mas em outras fazem o queixo cair com o belo olhar sobre as pessoas e paisagens. As seqüências da feira de Caruaru (Pernambuco), por exemplo, são maravilhosas. E quando o filme segue para o Sul, as cenas enchem os olhos. E também os ouvidos, é claro. A trama acompanha Dominguinhos em uma viagem pelo Brasil, tudo ao som de muita música. Algumas, inclusive, inesperadas. Quem pode imaginar um instrumentista tocando sanfona e cantando New York, New York? A canção imortalizada na voz de Frank Sinatra aparece acompanha de cenas que mostram uma cidade nordestina em uma combinação fantástica.

O filme mostra a versatilidade da safona, que é usada e tocada de formas distintas em cada região. Seja com um tom mais de jazz ou forró bem nordestino, os instrumentistas que aparecem no documentário mostram que sabem muito bem o que estão fazendo. A vontade que dá é sair anotando todos os nomes dos artistas para procurar mais tarde na internet. Eu anotei um que chamou minha atenção: Gilberto Monteiro.

O milagre de Santa Luzia
Histórias sobre a música

Sergio Roizenblit afirmou que estava duplamente ansioso pela estréia. Primeiro por seu filme ser o primeiro a ser exibido na Mostra Competitiva e segundo por ser sua primeira experiência com película. O cineasta antes trabalhava com digital. Foi quando lançou o DVD O Brasil da sanfona, produto feito a partir de shows realizados pelo Sesc/SP. A boa repercussão fez com que ele se dedicasse ao projeto que deu origem ao longa O milagre de Santa Luzia.

E por que o filme possui esse nome? "O título na verdade é uma homenagem a Luiz Gonzaga, que nasceu no dia de Santa Luzia. Por isso que ele recebeu esse nome" contou. "É considerado o dia mais importante para o sertanejo porque é quando eles sabem se vai ou não chover no verão". A incerteza também paira na platéia de Brasília, conhecida por se expressar com vaias ou aplausos dependendo da que é apresentado na tela. Outra característica marcante do Festival de Brasília é só aceitar obras inéditas. Por isso Roizenblit guardou o filme especialmente para o evento. O longa podia ter estreado no Rio ou em São Paulo, mas ele decidiu segurar para tentar em Brasília.

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"Presente dos deuses"

Ao subir no palco, o diretor considerou a seleção "um presente dos deuses" e disse que preferia correr o risco de ser vaiado do que ver o filme ficar em silêncio. O fato é que o Cine Brasília aplaudiu o filme com louvor. Não apenas no final, mas durante a projeção. E com certeza não foi por um milagre.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

O milagre de Santa Luzia (Brasil, 2008) Dirigido por Sergio Roizenblit. Com: Dominguinhos, Sivuca, Arlindo dos 8 baixos, Camarão, Genaro, Pinto do Acordeon, Joquinha Gonzaga,Dino Rocha, Elias Filho, Gabriel Levy, Toninho Ferraguti, Mario Zan, Osvaldinho do Acordeon...

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CURTAS

A mulher biônica

O primeiro curta a ser exibido foi A mulher biônica. Bem recebido pela platéia, o filme ganha pontos pelos ótimos diálogos durante toda a história. É tudo tão natural e bem feito que parece um documentário feito com uma câmera escondida.

A mulher biônica
A mulher biônica

A produção de Fortaleza mostra um dia na vida de Marta, uma mulher determinada, forte, biônica. Com uma postura definida em relação aos homens, ela vive em uma casa confusa e movimentada cheia de pessoas. Mas depois de tanta discussão, ela precisa relaxar, afinal também é filha de Deus. Eu sei que isso vai parecer brega, mas o curta acaba deixando um gostinho de quero-mais.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

A mulher biônica (Brasil, 2008) Dirigido por Armando Praça. Com: Ceronha Pontes.

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Que cavação é essa?

É seguro afirmar que praticamente 94% das risadas da noite aconteceram durante a projeção de Que cavação é essa?. O curta-metragem possui uma sinopse estranha e quase enigmática, confira: Programa duplo: Um alegre churrasco na estância do Coronel Alexandrão (film do natural, anos 1910) e Complemento Nacional nº 9545: Restaurare (cinejornal, 1974). A sessão começa quando você chega.

Que cavação é essa?
Risadas e gargalhadas durante a exibição

Mas quando foi exibido todo mundo entendeu e entrou na brincadeira. Cinema de cavação são documentários sob encomenda, algo que era muito comum antigamente. O filme é uma ficção e começa com uma restauração de um destes filmes, onde aparece um churrasco que termina com um trágico incêndio! Depois é mostrado um vídeo institucional sobre a importância dos restauradores e o papel que eles possuem ao resgatar a memória do cinema nacional. São verdadeiros heróis, sem dúvida. O mais divertido é o tom cafona de todo o curta. E digo cafona no sentido de ser propositalmente fora de moda, o que é demais.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Que cavação é essa? (Brasil, 2008) Dirigido por Estevão Garcia e Luís Rocha Melo. Com: Cosme Monteiro, Silvia de Carvalho, José Marinho, Érica Collares, Hernani Heffner, Severino Dadá, Luiz Carlos dos Santos, Godot Quincas, Anna Karinne Ballalai...

Daiblog

Durante a cobertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro você vai poder acompanhar aqui no Daiblog fatos interessantes ou bizarros que aconteceram durante todo o evento. É o Daiblog de olho versão fofoquinha (no melhor sentido da palavra):

Daiblog Medo do escuro

O curta-metragem Medo do escuro, de Cauê Brandão, participa da Mostra Competitiva 16mm, mas parece que chegou também na Mostra de 35mm. Não entendeu? Por causa da má iluminação, os realizadores que foram convidados para subir nos palcos encontraram dificuldades de ordem oftamológica na hora de descer as escadas.

Medo do escuro
Medo do escuro

Enquanto Armando Praça (A mulher biônica) mostrou ser biônico por conseguir enxergar os degraus na escuridão, uma atriz do curta Que cavação é essa? não teve a mesma sorte. Ela lamentavelmente se desequilibrou e caiu, o que fez com que os apresentadores da cerimônia pedissem por mais luz. A atitude foi recebida com aplausos (pelo pedido de luz, não pela queda). Todos esperamos que nada de semelhante se repita nos próximos dias.

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Daiblog Flores


Existe aquela expressão "Nem tudo são flores"? No caso de Maria Flor tudo são flores sim! Quem tem dúvidas é só reparar no vestido dela, todo florido. Mas agora sério, pode-se dizer que ela também está com credibilidade no meio cinematográfico. Ano passado a atriz abrilhantou o Festival de Brasília com sua presença por ser uma das atrizes do premiado longa Chega de saudade, de Lais Bodanzky.

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Muitas flores

Agora ela retorna ao festival como jurada. Ao lado de grandes nomes do cinema brasileiro, Mª Flor vai ser uma das pessoas que vai decidir qual filme deve receber os Candangos (premiação do Festival de Brasília). E quem conhece bem a Maria Flor sabe que ela merece isso e muito mais. Eu não a conheço muito bem, mas sei que ela é uma flor. É bonita, talentosa e simpática.

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Daiblog Fominha

Maíra Carvalho se mostrou ser fominha. Não apenas por estar com grande saco de saborosas pipocas na mão, mas por assinar a direção de arte de quatro curtas que participam do Festival de Brasília deste ano. São eles: Para pedir perdão, de Iberê Carvalho; Brasília (Título Provisório), de J. Procópio, A minha maneira de estar sozinho, de Gustavo Galvão e mais um outro que infelizmente não consegui me lembrar agora.

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Maíra e as pipoquinhas

Ela ficou preocupada em relação a qual legenda eu colocaria na foto, mas é claro que não faria nada para que causasse constrangimento. Hoje, às 20h30 e com reprise às 23h30 será a segunda noite da mostra competitiva em 35mm, quando serão exibidos os curtas Nº 27, de Marcelo Lordello, e Cidade vazia, do brasiliense Cássio Pereira dos Santos, e o longa FilmeFobia, de Kiko Goifman.

Só para lembrar: o Cine Brasília fica na 106/107 Sul. Os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia), à venda na bilheteria do local. Telefone: 61 3244 1660.

Visite o Daiblog para mais informações sobre o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro!

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