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#598-Siri-Ará

Chegamos na metade da Mostra Competitiva 35 mm do 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro! A terceira noite foi uma agradável surpresa por mostrar três produções acima da média. Enquanto o segundo dia foi o mais fraco, o terceiro recuperou o ânimo da platéia brasiliense com uma boa seleção de produções que concorrem aos Candangos deste ano.

O longa-metragem foi Siri-Ará, do cineasta e filósofo Rosemberg Cariry (pai de Petrus Cariry, do ótimo drama O grão). Sem sombra de dúvidas é um filme difícil de ser assistido, complexo e cheio de metáforas e alegorias que procuram explicar a fundação do estado do Ceará. Apesar da trama se iniciar com uma imagem contemporânea de Fortaleza, o filme se passa em um mundo imaginário. Toda a ação se passa durante a jornada do protagonista Cioran, com representações de grupos de folguedos dramáticos populares da região.

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Cioran acompanhado da guia Coraci

Sinopse oficial: Cioran é um mestiço brasileiro que, depois do exílio na França, resolve voltar ao sertão, em busca da sua origem e da história do seu povo. Por guia, ele toma a figura misteriosa de uma velha índia. O destino de Cioran, que vive um novo exílio na nação real/imaginada, cruza com os guerreiros do reisado e os índios da banda de pífanos, grupos de folguedos dramáticos populares que vagam pelo sertão.

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Reisado

Os conflitos entre o Reisado e a banda de pífanos nos remetem à tragédia fundadora do Ceará; quando Dom Pero Coelho, no ano de 1603, em busca do Eldorado, encontra a guerra, a peste, a fome e a loucura. O filme é uma reflexão sobre os encontros e desencontros dos “mundos” que marcam a invenção da nação brasileira. O texto acima descrito aparece no início do filme e é um resumo da história.

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A banda de pífanos

Acompanhamos a torturante jornada de Cioran enquanto é representado o conflito entre a banda de pífanos e os guerreiros do Reisado, que são derrotados pela terrível grande seca que cai sobre o nordeste. Unindo folclore e outros elementos como danças contemporâneas, Cariry fez uma obra que é rica visual e historicamente. A maior dificuldade é conseguir captar tantas mensagens, compreender os simbolismos e entender as lendas e histórias do Ceará. E isso não impediu que maior parte do público ficasse e aplaudisse no final da sessão.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Siri-Ará (Brasil, 2008) Dirigido por: Rosemberg Cariry Com: Adilson Maghá, Everaldo Pontes, Erotilde Honório, Juliana Carvalho e Richele Viana...

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Brasília (Título provisório)

Engraçado do começo ao fim, o filme é uma loucura criativa que mostra um cineasta cheio de planos. Ele escreve um roteiro que se passa em 2008, mas com uma diferença. A capital do Brasil é o Rio de Janeiro porque a construção de Brasília foi abandonada pela metade. A cidade (ou que ela seria) se tornou um sítio arqueológico e um um arqueólogo, uma arquiteta e um documentarista decidem viajar até as ruínas para fazer uma filmagem.

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Metalinguagem cinematográfica

A viagem é repleta de aventuras, que começam logo quando o avião cai no meio do cerrado. Com referências aos clichês do gênero, como o seriado LOST, o curta-metragem ganha pontos por ser dinâmico e possuir um ritmo ótimo. O roteiro é realmente maluco, mistura profecias, civilizações perdidas e toda a criatividade de um cineasta cheio de idéias. Destaque para a seqüência em animação. Divertidíssimo!
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Brasília (Título provisório) (Brasil, 2008) Dirigido por: J. Procópio Com: Eduardo Moraes, Similião Aurélio, Thiago Fragoso, Nara Faria, Chico Sant'Anna, Delvinei Santos, Sérgio Fidalgo, Allice Bombom e Nonato Dente de Ouro...

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A arquitetura do corpo

Os documentários ganharam espaço não apenas na competição dos longas em 35mm. A arquitetura do corpo é um documentário bem realizado que mostra a vida de bailarinos. O filme acompanha as rotinas de treinamento e diversos momentos desses artistas que encantam platéias nas apresentações.

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Balé: beleza e dor

Não é uma obra didática que explica os passos ou a função principal da dança. O diretor mostrou os sentimentos dos artistas: a dor de ficar muito tempo com os pés em posições desconfortáveis, a tensão de se passar por um exame ou a ambição em relação à carreira. Tudo com uma linda fotografia e trilha sonora idem. Elegante e pontual.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

A arquitetura do corpo (Brasil, 2008) Dirigido por: Marcos Pimentel Produção executiva: Luana Melgaço Roteiro: Marcos Pimentel e Ivan Morales Jr.Fotografia: Matheus Rocha Montagem: Ivan Morales Jr.Som, trilha sonora e música original: Ogrivo

Daiblog

O espaço do Daiblog de olho de hoje não terá fofocas ou quedas na escada, mas sim notas sobre o Festival de Brasília até o presente momento. E entre este pequeno texto algumas imagens de celebridades clicadas durante a noite.

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As atrizes Catarina Accioly e Adriana Lodi

Daiblog Acessibilidade
A apresentação dos filmes de hoje contaram com a participação de um intérprete que traduziu todo o texto lido para libras. Isso faz parte da proposta de democratizar o cinema e facilitar a entrada de deficientes auditivos nos cinemas. Parabéns para a organização do evento!

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O roteirista Di Moretti

Daiblog Vaias e aplausos
O diretor J. Procópio convidou dezenas de pessoas para subirem no palco do cinema para apresentar o curta-metragem Brasília (Título provisório). Grande parte, se não toda a equipe estava ali presente e foi apresentada uma a uma. O ritual, que ultrapassou os sete minutos, fez com que cinéfilos impacientes gritassem e vaiassem para o cineasta terminasse as apresentações e começasse logo a exibição. Ele, por sua vez, não se deixou abalar e deu os devidos créditos a todos. E quando o filme acabou, foi bastante aplaudido.

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A atriz e jurada Maria Flor durante uma entrevista

Acima, como é de costume, mais uma foto da Maria Flor, que está como jurada da Mostra competitiva 35mm deste ano. Programe-se: hoje, às 20h30 e com reprise às 23h30 será a terceira noite da mostra competitiva em 35mm, quando serão exibidos os curtas Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso e Minami em Close-up, de Thiago Mendonça. O longa será Ñande Guarani (Nós Guarani), de André Luís da Cunha.

Só para lembrar: o Cine Brasília fica na 106/107 Sul. Os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia), à venda na bilheteria do local. Telefone: 61 3244 1660. Visite o Daiblog para mais informações sobre a cobertura do 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro!

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