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#685-Os falsários

Depois dar para a Áustria o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira no ano passado, o longa-metragem Os falsários finalmente estreia nos cinemas brasileiros. A produção mostra as memórias de um sobrevivente do Holocausto. Mas não é mais um daqueles filmes feitos para se ter pena dos judeus ou se horrorizar pelas barbaridades cometidas durante o nazismo. A história mostra um acontecimento polêmico cuja veracidade até hoje é discutida entre os historiadores.

O protagonista é Salomon Sorowitsch, interpretado pelo ótimo ator Karl Markovics. Sally, como é conhecido entre os amigos, é um dos maiores falsificadores de dinheiro da época. Além de conseguir reproduzir cédulas, ele também possui capacidade para criar documentos falsos, como passaportes. Por isso que ele cria o próprio dinheiro ao invés de trabalhar para consegui-lo.

Os falsarios
Talentoso falsificador

A vida boêmia de Sally tem fim quando a polícia consegue rastreá-lo e ele vai parar no campo de concentração de Auschwitz. Lá ele sofre as humilhações e trabalhos forçados até que seu talento para o desenho faz com que o homem seja transferido para outro campo, onde existe um elaborado plano alemão para vencer a Segunda Guerra Mundial. Junto com outros especialistas, Sorowitsch passa a trabalhar na falsificação de dinheiro. E o principal objetivo da transação era prejudicar a economia dos países inimigos e fortalecer a Alemanha nazista, em uma operação que ficou conhecida como Bernhard.

Os falsarios
Proposta da SS

A imagem que geralmente se tem dos campos de concentração é quebrada quando conhecemos os blocos 18 de 19 do campo de Sachsenhausen. Lá os prisioneiros possuiam camas individuais e comida suficiente para trabalharem bem na falsificação. O principal conflito da trama resulta da consciência da mão de obra barata, ou seja, daqueles que trabalhavam lá - judeus, na maioria. Com medo de morrer por fuzilamento ou pela câmara de gás, eles trabalhavam no jogo sujo na esperança de viver mais. Em outras palavras: precisavam ajudar o inimigo para poupar a própria vida.

Os falsarios
Falsificar ou morrer

O filme segura o espectador pela boa narrativa, baseada em um livro de um dos trabalhadores que viveu neste campo cheio de regalias. As atuações também merecem elogio, em especial a do personagem principal, um homem que carregou a amargura de sobreviver enquanto outros morriam ao lado. Os falsários merece uma conferida por mostrar mais informações sobre um período sombrio da história mundial e fugir do comum olhar que sempre procura recontar o que já foi filmado outras vezes no cinema.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Die Fälscher (Áustria / Alemanha, 2007) Dirigido por Stefan Ruzowitzky. com Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow, Martin Brambach, August Zirner, Veit Stübner, Sebastian Urzendowsky, Andreas Schmidt...

Veja aqui o trailer do filme Os falsários legendado em português:

Daiblog

Leia agora uma entrevista com Stefan Ruzowitzky, diretor do filme Os falsários:

Sr. Ruzowitzky - todos os seus filmes anteriores têm algo em comum: eles são todos bem diferentes. “OS FALSÁRIOS” é também completamente diferente dos antecessores.

Ele pode parecer, na primeira olhada, mas, na verdade, eu continuo a manter o meu foco no meu tópico favorito: idealismo. Desde o filme “TEMPO” até “OS HERDEIROS” e até o filme “ANATOMIA” – meus filmes sempre têm heróis jovens que entram num mundo cheio de idealismo, mas são forçados pelas suas perversidades a repensarem os seus conceitos de vida. O filme “OS FALSÁRIOS” tem uma forma diferente de demonstrar esse lado. Nunca antes, eu havia conseguido tratar a tensão entre o idealismo e o pragmatismo com tamanha dose dramaticidade e numa estrutura existencial.

Como surgiu o filme “OS FALSÁRIOS”? Qual é a origem do filme?

Nesse caso, posso dizer com toda sinceridade que o assunto veio atrás de mim: num espaço de duas semanas, o assunto foi proposto a mim por dois produtores de empresas independentes uma da outra. Isso era um sinal claro do destino!

Os falsarios
Adolf Burger no filme

Como foi, ou é, seu contato com Adolf Burger?

Para mim, o momento mais tocante foi sem dúvida alguma quando Burger e Plappler, os últimos sobreviventes, estavam no set e eu me dei conta de que: Meu Deus, isso não é simplesmente um filme que nós estamos fazendo – trata-se da história, isso realmente aconteceu, e esses dois homens sofreram toda essa aprovação.

Na viagem até o set de filmagem, os dois senhores de 90 anos foram discutindo se o S.S. Kommandant da oficina dos falsários eram assassinos ou salvadores. Eu pensei comigo mesmo: o filme é exatamente sobre essa discussão! Como você descreveria a situação na qual os falsários se encontravam?

Eu sinto que é essencialmente sobre os dias modernos, sobre as questões universais. E é exatamente por essa razão que eu fiquei fascinado por esse tópico: é possível jogar ping pong num campo de concentração quando alguns metros adiante existem pessoas que são torturadas e mortas? Essa não é uma pergunta muito diferente da seguinte: é possível tirar férias num lugar com todo o conforto quando existem pessoas que estão passando fome e morrendo muito próximo de você? É possível aproveitar a nossa vida de rico e protegida diante de todo os sofrimentos do mundo?

Os falsarios
O protagonista Salomon Sorowitsch

O filme “OS FALSÁRIOS” não tem a intenção de fazer com que as pessoas fiquem com a consciência pesada. Ele está relacionado à história numa maneira bem estimulante, quase que num estilo de um filme de aventura. Você teve alguma restrição para retratar um assunto como esse dessa maneira?

Para o público dos dias de hoje, uma pergunta enfurecida como “ foi dessa maneira” já não é mais o suficiente. Nós precisamos falar muito sobre o Holocausto e temos uma obrigação moral de fazer de uma maneira que possamos atingir um número cada vez maior de pessoas. Então, sim, um filme sobre o Holocausto deve ser estimulante e interessante, no melhor sentido dessas palavras. E “OS FALSÁRIOS” é também um filme de entretenimento. Mas eu gostaria de dizer que eu jamais ousaria representar o dia a dia de horror de um campo de concentração como normal.

Stefan Ruzowitzky, diretor de Os falsarios
O diretor Stefan Ruzowitzky segurando o Oscar

Como o filme acabou com essa nota de conciliação? Uma concessão para agradar o gosto do público?

É claro que Burger e Sorowitsch – ao lado de todos os sobreviventes do campo de concentração – seriam marcados por essa experiência dolorosa para o resto de suas vidas, com essa questão do por que eles sobreviveram e muitos outros tiveram que morrer, e se eles não tivessem feito o suficiente ou se não deveriam ter feito ainda mais. Como um cineasta, eu não tenho o direito de censurar o herói do meu filme Sorowitsch dizendo que ele sobreviveu num campo de concentração por seis anos – isso não seria nada menos do que imoral. Por isso que o meu filme teve de ter um final feliz.

Você tem um interesse especial pela Era Nazista?

Quando você vive num país como a Áustria, onde os partidos de direita FPÖ e BZÖ, com a sua aproximação intolerável com a ideologia nazista, que constantemente conseguem abocanhar 20% dos votos e ainda tem o direito de participar da administração do governo do país, o que já seria intolerável – você simplesmente tem necessidades urgentes de confrontar esses assuntos agora e sempre.

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