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#687-A mulher invisível

Depois de A muher do meu amigo, o diretor Cláudio Torres assina outra comédia: A mulher invisível. O longa-metragem conta a história de Pedro (Selton Mello, de Meu nome não é Johnny), um homem que é abandonado pela esposa Marina (Maria Luisa Mendonça, de Se eu fosse você 2). Inconsolável por causa do abandono da amada, ele acaba perdendo o emprego, o que deixa seu amigo Carlos (Vladimir Brichta, de Romance) preocupado.

Mal sabe Pedro que a sua vizinha Vitoria (Maria Manoella, de Nossa vida não cabe num opala) leva uma solitária vida e sustenta uma paixão secreta por ele. Mas depois de um período isolado em casa, Pedro recebe a misteriosa visita da sensual Amanda (Luana Piovani). Os dois logo iniciam um relacionamento que faz com que o rapaz saia da fossa e recupere a vontade de viver. Só que é uma relação no mínimo diferente, afinal apenas Pedro consegue ver Amanda.

A mulher invisível
Carlos e Pedro

Ela é o exemplo de uma mulher idealizada: adora limpar a casa, está sempre disposta a fazer sexo, não se importa se o marido a trai e ainda por cima gosta de futebol. É claro que ela não passa da imaginação do protagonista. E é essa figura caricata que vai fazer com que Pedro passe por situações constrangedoras. O roteiro usa e abusa de triângulos amorosos, com desencontros que criam situações engraçadas entre todos os personagens.

A mulher invisível
Luana Piovani. Foto de Denis Netto

Também estão no elenco: Paulo Betti (O signo da cidade), Lúcio Mauro (Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito e Cleópara) e a naturalmente hilária Fernanda Torres. A mulher invisível se sai bem por ser uma comédia que consegue divertir ao apresenta uma série de pontos positivos, como a beleza de Luana Piovani para atiçar o imaginário da platéia masculina e um bom ator, como o versátil Selton Mello.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

A Mulher Invisível (Brasil, 2009) Dirigido por Cláudio Torres. Com Selton Mello, Luana Piovani, Maria Manoella, Maria Luisa Mendonça, Fernanda Torres, Lúcio Mauro, Marcelo Adnet, Paulo Betti, Vladimir Brichta...

Veja aqui o trailer do filme A mulher invisível:

Daiblog

Leia aqui uma entrevista com Cláudio Torres, diretor do filme A mulher invisível:

Quando e como surgiu a ideia para o roteiro de “A Mulher Invisível”?

“A Mulher Invisível” nasceu da vontade de fazer um gênero: a comédia romântica. Essa definição pelo gênero aconteceu no Palácio Alvorada, em Brasília. Estava apresentando meu primeiro filme, “Redentor”, para o presidente Lula, numa tradicional sessão de cinema no Planalto. Eu conversava com o também co-produtor de “Redentor”, Daniel filho, sobre as possibilidades do filme. Diretor estreante, eu assistia ao Lula vendo uma bomba atômica destruir Brasília e sonhava que talvez o longa virasse uma mania nacional. Daniel, que torcia para o filme, mas sabia que as minhas chances eram nenhuma, sorriu e me perguntou, afirmando: “‘Redentor’ é um filme muito bom, mas não tem amor. É cerebral. Você quer público. Por que não faz um filme que tenha amor? Comédias românticas vão bem com o público”.

A mulher invisível
Cena do filme A mulher invisível

“Redentor” foi muito bem de crítica. Abriu a mostra Panorama em Berlim, mas fez apenas cerca de 230 mil espectadores. Aprendi que, para o mercado, filmes só existem depois de 600 mil espectadores e só dão dinheiro depois de um milhão. Aprendi que um filme não pode ter muitos gêneros e vi que não fazia sentido fazer cinema que não se comunica com o público. Lembrei da conversa com o Daniel e comecei a pensar numa comédia romântica. Pensei que solidão seria um bom assunto. Todo mundo já passou, está passando ou vai passar por uma crise de solidão na vida. Tenho 45 anos e pertenço à primeira geração que foi criada assistindo TV. “Perdidos no Espaço”, “Túnel do Tempo”, “Jeannie é um Gênio”, “A Feiticeira”, monstros de outro planeta e mulheres de outras dimensões. Acho que as coisas da infância ficam. Era natural que, na hora de pensar uma comédia romântica, ela tivesse toques do cinema fantástico. Parti, então, da seguinte premissa: um homem que acredita no casamento é abandonado pela mulher e, após enlouquecer de dor de cotovelo, se apaixona por uma mulher que não existe. Cego de amor por esta alucinação, não tem olhos para sua vizinha que secretamente o ama.

A mulher invisível

- Como foi o processo de criação e desenvolvimento do roteiro?

Escrevi uma sinopse, procurei o Selton e disse que pensava na Luana Piovani como a Mulher Invisível (acredito em escrever para um ator). Ele se divertiu. Disse que se interessou por aquele solitário, falou que estava dentro e comecei o roteiro. A Warner percorria o mercado atrás de projetos para investir por meio de artigo 3°, leu a sinopse e gostou. Escrevei durante dois anos e tive três colaboradores importantes. Claudio Paiva discutiu comigo durante quase um ano a questão da mulher real x mulher irreal, Maria Luisa Mendonça solucionou a dramaturgia da mulher real (ela é a vizinha e escuta pela parece) e Adriana Falcão, na fase final, escreveu algumas das boas falas que este filme tem, como “eu posso te fazer infeliz se for pra te fazer feliz”. Luiz Noronha, produtor-executivo, foi fundamental nos cortes e últimos ajustes do roteiro já na fase de pré-produção e Daniel Filho, na hora da crítica ao primeiro corte.

- Quais referências você buscou para criar o filme “A Mulher Invisível”?

Um pouco de tudo. Cinema comercial americano - os filmes do Ben Stiller, do Woody Allen (“A Rosa Púrpura do Cairo” e “Zelig”), “Mais Estranho que a 21 Ficção”, de Marc Forster – e os de sempre – Stanley Kubrick (“2001: Uma Odisseia no Espaço” e “Laranja Mecânica”), Billy Wider (“Quanto Mais Quente Melhor”) e o Jabor (“Tudo Bem”).

A mulher invisível

- Como você analisa a atuação dos atores?

Você escreve uma história, arma uma produção, mas o que realmente é filmado é a performance dos atores. A cena. Conseguimos reunir um elenco poderoso. Ensaiamos as cenas principais, ainda adaptando e reescrevendo, definindo como faríamos aquilo. O lema era: vamos levar a sério e vamos fazer todas as piadas. Selton é um monstro. Um companheiro de trabalho maravilhoso que conhece a sua profissão profundamente. Dono de um instinto de cena, um domínio miraculoso sobre arte da explosão na hora do take. Fez um Pedro humano, totalmente louco e inteligentemente engraçado. Ele é um protagonista que carrega e faz um filme. Luana é uma atriz seríssima, que sabe fazer comédia, compenetrada, que pensa e domina o que vai atuar e compreendeu Amanda, a mulher ideal, de uma forma muito real. Um espanto na tela e uma alegria no set.

A mulher invisível
Carlos

Vladimir faz Carlos, o amigo antagonista. A consciência pragmática, porém solitária de Pedro. Precisamos de um ator que nos fizesse amar um canalha, e é impossível não amar o Vlad. Carlos tem a curva de personagem mais bonita da história e Vlad a fez magistralmente. Maria Manoela pegou o personagem mais difícil da trama. A mulher real, aquela que não brilha no contra luz. E ela fez a Vitória com sentimento, verdade, sinceridade, dando um toque meio pateta, cômico e irresistível. Fernanda Torres é minha irmã. Foi a última a entrar no elenco e estava grávida de 8 meses. Um presente de irmão. Nanda fez a Lúcia, o ingrato papel da amiga da mocinha, mas que, devido ao seu talento excepcional, garante algumas das boas risadas que o filme tem. Conseguimos um elenco de gigantes mesmo para as participações especiais. Maria Luisa deu ao filme a incrível cena da ex-mulher que vai embora, Paulo Betti fez o irresistível chefe do herói. Marcelo Adnet, a antológica ida ao cinema. Lúcio Mauro, o Governador.

A mulher invisível
Vitória - A vizinha visível

- Fale um pouco das filmagens, da pós-produção e da escolha da trilha sonora.

Filmamos em cinco semanas e três dias no Rio de Janeiro, num calor escaldante, entre fevereiro e março de 2008. O clima foi o melhor possível. Foi realmente divertido, e esta diversão está impressa na tela. Contei com um incrível colaborador Ralph Strelow, o fotógrafo do filme. Nossa parceria vem desde muitos anos de publicidade, “Redentor” e, agora, o “A Mulher Invisível”. Ralph foi o grande parceiro da cinematografia deste filme. Determinou planos, marcas, sugeriu músicas e montagens, além de ter iluminado divinamente. O filme não seria o mesmo sem ele. Editamos o filme em três meses. E Sergio Mekler foi o editor. Serginho é um editor preciso, elegante e normalmente calmo, mas que editou este filme em estado de euforia, falando dos personagens muito cedo, como se eles já existissem. Foi o primeiro espectador da Mulher Invisível e determinou muito do que ela seria. A música do filme é do Luca Raele e Mauricio Tagliari, que também fizeram “Redentor” e “A Mulher do Meu Amigo”. Tinha como referência trilhas românticas com um toque de suspense dos filmes dos anos 50, Ramones e música eletrônica, além de jazz dos anos 30 e baladas contemporâneas. Uma salada musical que Luca e Mauricio temperaram com muito talento.

A mulher inivisivel

- Todo homem tem uma ideia de uma mulher perfeita na cabeça?

Todo ser humano idealiza quando está apaixonado. E, geralmente, coloca si mesmo no outro. Então, no fundo, você se apaixona por você mesmo. Você começa a amar quando a paixão termina e você realmente vê o outro. A pessoa quando está apaixonada está vendo um espelho. Essa é um pouco a ideia do filme: é preciso não ficar cego pelas idealizações e amar o que é real.

- A Amanda é uma unanimidade entre os homens?

A Amanda foi construída com muito humor pra ser uma unanimidade entre os homens, mas atenção! Ela tem duas fases. Tem a fase da paixão onde tudo é maravilhoso, e ela não dá problema algum. Depois, ela tem a fase real da mulher imaginária em que começa a dar defeitos. E quando ela dá defeito, ela dá defeito pra valer (risos).

A mulher invisivel
O diretor Cláudio Torres

- O que o público pode esperar de “A Mulher Invisível”?

É uma comédia que ri da solidão do ser humano. Um filme apaixonante engraçadíssimo, maravilhosamente interpretado. É um filme de mercado, voltado para o público. É uma tentativa de fazer um produto comercial com conteúdo. Todo filme é autobiográfico. Acho que a gente sempre filma a gente mesmo. Se você não consegue fazer isso, o filme fica um pouco vazio. Então, é melhor que isso aconteça. Quanto mais a gente fala da gente, melhor ficam as coisas. A arte existe pra isso: pra contar intimamente uma coisa que você sabe, descobriu ou viveu pra uma outra pessoa.

Um comentário:

  1. Selton Mello é muito engraçado, como não assistir um filme assim??! Me diverti do início ao fim... orgulho do cinema nacional!!

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