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#714-O contador de histórias

Ele não é Forrest Gump, mas também é um contador de histórias. É, inclusive, considerado um dos melhores do mundo. O longa-metragem dirigido por Luiz Villaça apresenta a história real de Roberto Carlos Ramos, uma pessoa que tinha tudo para ter um futuro trágico e sem esperanças. Filho de pais pobres, Roberto foi deixado pela mãe na Febem, onde ela acreditava que a instituição poderia lhe dar condições melhores da vida.

Vale a pena lembrar que tudo acontece no final da década de 70, em Belo Horizonte. E que a Febem não era sinônimo de presídio para menores infratores. Entre as constantes fugas do lugar e o início de uma vida como morador de rua, a vida de Roberto mudou ao conhecer a pedagoga francesa Margherit Duvas (interpretada por Maria de Medeiros, de Pulp Fiction – Tempo de Violência e Henry & June). Em viagem ao Brasil, ela fazia uma pesquisa quando se interessou nas histórias de Roberto.

O contador de historias
Roberto é interpretado por 3 atores
A amizade entre os dois faz com Roberto aprenda a ler e ter um destino diferente do que ele teria caso continuasse sem a dedicação e apoio que toda criança precisa. O filme O contador de histórias transmite esperança e a idéia que a educação ajuda na transformação de menores considerados irrecuperáveis. O filme conta com participação especial de Chico Diaz (Anjos do sol) em uma única (porém marcante) cena.

O contador de historias
A mudança de uma vida
Os melhores momentos da trama são as histórias propriamente ditas do protagonista. Com uma imaginação fértil, o menino tinha uma visão diferente do mundo, o que gerou sequências lúdicas típicas de pensamento infantil. O filme vale uma conferida por ter sido baseado em um caso real, o que prova que a vida pode ser muito mais emocionante do que muitas ficções. Longa otimista e com cara de "indicção ao Oscar de melhor filme estrangeiro".
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

O contador de histórias (Brasil, 2009) Dirigido por Luiz Villaça. Com Maria de Medeiros, Daniel Henrique, Paulinho Mendes, Cleiton Santos, Malu Galli, Ju Colombo, Chico Díaz, Luciana Carnieli...

Veja aqui o trailer do filme O contador de histórias:



Daiblog
Entrevista com Maria de Medeiros, que interpreta Margherit Duvas no filme O contador de histórias

Nascida em Portugal, vive na França há 15 anos. Em sua extensa filmografia como atriz destacam-se Henry e June, de Philip Kaufman, Pulp Fiction– Tempo de Violência, de Quentin Tarantino, A Divina Comédia, de Manoel de Oliveira. Em 2000 dirigiu Capitães de Abril, selecionado para o Festival de Cannes e prêmio dojúri no Festival Internacional de São Paulo.

Dirigiu também Mathilde au Matin (2004), Je t´aime moi non plus (sobre a relação entre artistas e críticos) e participou do filme de episódios Bem-vindo a São Paulo. A atriz já esteve diversas vezes no Brasil, e interpretou a cantora Sarah Bernhardt no filme O Xangô de Baker Street, de Miguel Faria Jr.. Em fevereiro de 2008, foi nomeada Artista da UNESCO para a Paz, sendo a primeira portuguesa a assumir este papel.
Qual foi a sua primeira reação ao ler o roteiro de O Contador de Histórias?Fiquei encantada com a economia da história: apesar de existirem outros personagens importantes, o filme é basicamente construído sobre a relação entre essa pedagoga francesa e um menino tido como irrecuperável. Ao mesmo tempo, é tudo muito simples – e essa é a grande arte: conseguir com poucos elementos uma grande riqueza emotiva. Devo confessar que chorei ao ler o roteiro.
O contador de historias
Maria de Medeiros
Como você definiria o filme?
Uma das características mais bonitas de O Contador de Histórias é ser um filme totalmente construído em torno da intimidade de uma relação difícil e complicada entre dois personagens tão opostos, tão diversos. No entanto, Margherit, com seu extremo idealismo, acredita que através do afeto poderá propor alguma forma de compartilhar a vida com essa criança e lhe oferecer alternativas. E com essa atitude, ela também aceita as coisas que vem dessa criança. Devo ressaltar que Luiz, a equipe e os técnicos souberam lidar muito bem com os momentos que expõem essa intimidade com muita delicadeza, que é um fio muito tênue, uma fronteira bonita e difícil de atingir.

Como foi o trabalho com Luiz Villaça?
Muito interessante, sob vários aspectos, a começar pela insistência na preparação da personagem, trabalho que começou em Paris. Quando cheguei ao Brasil, vários aspectos da Margherit já estavam pré-definidos, como muitas de suas atitudes, manias, fraquezas, aspectos um pouco engraçados. As filmagens tiveram outros aspectos interessantes. Eu estava muito curiosa para saber como seria o Roberto Carlos de 12 anos com quem eu iria contracenar. E Luiz quis que nos encontrássemos pela primeira vez no set, já na hora da filmagem. Foi uma experiência muito interessante.

O contador de historias
Roberto e Margherit
Há ainda outro dado importante: Luiz Villaça é casado com Denise Fraga, uma atriz extraordinária que admiro muito, e fiquei muito lisonjeada com o convite para interpretar Margherit. Ele conhece muito o trabalho do ator e isso para mim é maravilhoso - não há desperdício, não há abuso de poder, não há coisas inúteis porque ele sabe perfeitamente por que estamos ali e conhece o processo de trabalho. As indicações que ele propõe são muito justas. Além disso, ele gosta de trocar e pede sugestões ao ator. Tivemos uma comunicação muito fácil.

No filme, você contracena principalmente com o adolescente Paulo Henrique, um estreante no cinema. Você já tinha trabalhado com crianças e não-atores?
Sim, eu já tinha representado com crianças e não atores e sempre gostei muito. Contracenar com atores não-profissionais, sobretudo crianças, é uma experiência muito rica, pois grande parte do trabalho do ator buscar reencontrar essa pureza e espontaneidade. É muito saudável e muito bom ter contato com não-profissionais. Mas a partir do momento em que uma pessoa está diante de uma câmera, ela vira ator. Os meninos que interpretam Roberto Carlos podiam não ser atores até aquele momento, mas depois da experiência, passarão a ser atores. Por outro lado, penso que é importante adquirir uma técnica, pelo menos para alguns papéis. Às vezes, algumas pessoas atingem essa técnica de forma intuitiva, mas essa transmissão é muito importante – pelo menos foi na minha formação. E hoje em dia, essa formação ajuda a transmissão da técnica com não atores.
O contador de historias
A atriz portuguesa já fez outros filmes brasileiros
Você já viveu dos dois lados da câmera, como atriz e como diretora. De que lado você sente mais confortável?
Sem dúvida poder ser só atriz é maravilhoso, um descanso. Você pode dormir, fazer um pouco de turismo, ter tempo para pensar, se concentrar. Acho que ainda gosto mais do papel de entrar no universo de um realizador, de um criador e dispor desse tempo de observação. Aprendi muitíssimo sendo atriz, sentada no set, observando, pois é isso que os atores mais fazem: esperar, e enquanto isso, observar. Devo ressaltar que achei a produção de O Contador de Histórias extremamente organizada, mesmo comparada a muitas produções europeias. E quero falar também da competência do produtor Francisco Ramalho, que talvez por ser também diretor, tenha conseguido criar uma produção tão harmoniosa ao longo de toda a filmagem e também entre os níveis técnico e artístico.

Você e Paulo Henrique têm cenas muito fortes e intensas. Quais as que você mais gostou de fazer?
Gosto das cenas de alegria, quando o personagem começa a mostrar aquele sorriso lindo. Para mim, as cenas mais comoventes são aquelas em que ele começa a sorrir, as cenas em que somos amigos.

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