Super Hiper Mega Banner

Entrevista com o cineasta Sérgio Rezende


Um dos diretores e roteiristas mais ativos da história recente do cinema brasileiro, Sérgio Rezende é responsável por filmes como ‘Zuzu Angel’ (2006), ‘Quase Nada’ (2000), ‘Mauá - O Imperador e o Rei’ (1999), ‘Guerra de Canudos’ (1997) e ‘O Homem da Capa Preta’ (1986). Acostumado a inventar mentiras para revelar a verdade por trás de histórias reais, como gosta de dizer, inspirou-se nos ataques criminosos que pararam São Paulo e chocaram o Brasil para criar seu novo filme, ‘Salve Geral’.

‘Salve Geral’ tem um núcleo principal com cerca de 20 personagens e no total, mais de 60 com fala. Por que tanta gente?
SERGIO – Com a experiência de fazer filmes sobre personagens reais, aprendi que para contar a verdade é preciso inventar mentiras. A realidade não é reproduzível numa tela de cinema, talvez nem mesmo no documentário. Você faz pesquisas, funde personagens e histórias e procurar dar o sentido geral daquilo que se propõe a revelar. Acredito que mais do que contar uma história, o cinema tem obrigação de revelar o que há por trás dela. Nesse sentido percebi que precisava ter muitos personagens, porque tinha uma trama multifacetada, que retrata a sociedade como um todo.
Salve geral
Quase todos os atores do elenco são desconhecidos do grande público e vieram do teatro. Por que tomou essa decisão?
SERGIO - Acho importante sempre ter grandes atores nos meus filmes, mas desta vez, para preservar um pouco o mistério dos personagens, preferi que não fossem rostos facilmente reconhecíveis pelo público. Quer dizer, atores que não tivessem trabalhado em TV recentemente. Não queria que o personagem entrasse e o público pensasse: esse cara é o vilão, esse é mocinho. Então fui buscar no teatro de São Paulo, onde há uma riqueza enorme de talentos.

Andrea Beltrão, para quem você escreveu o papel de Lucia, e Denise Weinberg, a Ruiva, são exceções nesse universo. Por favor, fale um pouco do trabalho das duas.
SERGIO - Andrea é uma atriz extraordinária que também tem formação de teatro. Escrevi a Lucia pensando nela, mas por conta de compromissos dela na TV quase desistimos da parceria. Mas nossa separação foi um fracasso e, após um encontro casual numa loja, decidi adiar as filmagens por três, quatro meses para poder ter essa atriz criativa, dona de uma inteligência dramática inacreditável. Andrea tem uma vivacidade em cena impressionante. Ela não disse uma linha do texto como foi escrita. E eu, que em outros momentos fui muito cioso com minhas palavras, achei que era o momento de soltar um pouco as coisas.
Salve geral
A Denise é um acontecimento. Uma parceria antiga, mas que nos meus filmes anteriores não teve um personagem à altura de seu incrível talento. Desta vez teve um papel maior e fez uma dobradinha espetacular com a Andreá. Além disso, foi membro criativo da equipe, peça fundamental no processo de seleção do elenco. Abriu as portas do teatro em São Paulo, apresentou pessoas, participou dos testes e acolheu a todos durante as filmagens. É a primeira-dama do filme.

Na primeira versão do roteiro de ‘Salve Geral’, o marido de Lucia estava vivo e uma crise doméstica levava ao incidente do filho. Por que você decidiu mudar isso?

SERGIO – De tudo que vi e li sobre aquela onda de ataques o que mais me impressionou foi o poder das mulheres no mundo do crime. A sociedade incorporou as mulheres em tudo, mas a presença forte delas no crime foi uma surpresa e me causou grande interesse. Então lá pelo segundo, terceiro tratamento do roteiro, achei mais interessante que Lucia não tivesse ninguém por trás dela.
Salve geral
As filmagens se dividiram entre Paulínia, Rio de Janeiro, São Paulo e Foz do Iguaçu. Mas quase tudo foi feito em Paulínia. Como foi essa experiência?

SERGIO - Paulínia está se tornando um pólo importantíssimo para o cinema brasileiro. Filmar lá foi uma coisa extraordinária para o filme. Construímos os cenários da prisão, encontramos locações, como a casa da Lucia, e principalmente ganhamos uma mobilidade e agilidade impensáveis numa grande cidade. Não filmamos só em Paulínia, mas também em Campinas, que fica a meia hora e onde recriamos a São Paulo que não é cartão-postal. Depois passamos dez dias em São Paulo e duas semanas no Rio, onde filmamos no presídio da Frei Caneca.

Nenhum comentário

Todos os comentários do Cine61 são moderados por nossa equipe. Mensagens ofensivas não serão aprovadas. Obrigado pela visita!

Tecnologia do Blogger.