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Cinema Especial A órfã

Daiblog Especial A orfa
Você consegue guardar um segredo?

Depois de uma série de dificuldades no casamento, que culminaram na perda de um filho em um aborto, Kate e John Coleman, que já têm um casal de filhos, decidem que a melhor maneira de lidar com a dor é adotando uma menina de nove anos de idade. Pouco tempo antes, Esther havia perdido sua família adotiva em um incêndio, do qual ela própria escapou por pouco.

O diretor Jaume Collet-Serra, que dirigiu anteriormente o filme de horror A Casa de Cera para os produtores Joel Silver e Susan Downey, descreve a personagem Esther: “É uma menina muito misteriosa, mas ao mesmo tempo aparentemente muito inteligente e criativa. Kate e John, os pais adotivos, queriam uma criança especial. E definitivamente escolheram alguém muito, muito especial”.

No entanto, logo que recebem Esther em casa, uma assustadora sequência de eventos suspeitos começam a acontecer, fazendo com que Kate desconfie de que algo está errado. A aparentemente angelical menina talvez não seja o que parece ser.
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“Acho interessante observar uma vilã desse tipo”, diz o produtor Joel Silver. E continua: “Não gostaríamos de vê-la no mundo real, mas é divertido assisti-la em um filme. Ela é uma psicopata no corpo de uma menina sem freios”. Na verdade, não demora muito para que todos percebam que há de fato algo muito errado com Esther.

A produtora Susan Downey conta: “Kate e John estavam prontos para retomar as rédeas de suas vidas e decidem adotar uma criança mais velha. Para que se desse bem com os filhos que eles já tinham, queriam uma criança com a idade entre a do filho mais velho e a da caçula para formar uma família feliz com seus cinco integrantes”. Mas existem algumas coisas sobre Esther que eles não sabem.

Quando John vê Esther pela primeira vez, ela está cantando uma música de forma doce e pintando um belo desenho. Kate se aproxima e o casal logo se encanta pela inteligência de Esther e por sua personalidade singular. Discreta e tímida, Esther é claramente uma menina diferente. Kate, música, e John, arquiteto, logo visualizam esta criança excepcional em sintonia com o restante da família, apesar – ou talvez até por conta – de seu passado trágico.
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Collet-Serra observa: “Esther é muito bem recebida na família, mas, logo após sua chegada, vemos que ela não é nada inocente como se presumia. Em um filme, quando há uma criança má que faz maldades, as pistas começam pequenas e mais sutis do que normalmente ocorre em um filme de terror. Pequenas coisas começam a acontecer, e, antes que a gente comece a se dar conta, trata-se de um inimigo dentro de casa, uma menina manipulando toda uma situação”.

O estado da família Coleman é propício a manipulações. Kate, ainda se curando de sua perda, também é uma alcoólatra em tratamento, e seus problemas com a bebida quase causaram uma tragédia, certa vez, quando a filha Max quase se afogou quando a mãe se distraiu. John continua combatendo a vontade de culpar sua esposa pelo que poderia ter acontecido. As fraturas no relacionamento dos dois são profundas e antigas, o que os torna bastante vulneráveis e propensos a dar uma oportunidade a Esther.

Leonardo DiCaprio, um parceiro da produtora Appian Way e um dos produtores do filme, diz: “Ficamos empolgados com o projeto porque parecia ser mais do que um filme de horror. Muito da graça do filme vem do fato de ter um drama psicológico complexo por trás da história de horror”.
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A atriz Vera Farmiga, que estrela no papel de Kate, comenta: “Esta história dá novos contornos ao gênero. Não é apenas um banho de sangue; são coisas terríveis que acontecem a pessoas reais com problemas reais. Acontecimentos que fazem as pessoas pensarem ‘ainda bem que isso não é comigo!’”.

Peter Sarsgaard estrela o papel do marido de Kate, John. O ator também gostou especialmente do aspecto realista da história. “No núcleo da trama está uma família cheia de problemas. Kate sente-se extremamente culpada pelo acidente de Max, pelos problemas com o álcool e até pelo aborto. Apesar das tentativas de superar tudo isso, John ainda não tem certeza se confia na mulher e, por sua vez, se culpa disso. Esther entra na vida deles e começa a evidenciar todos esses problemas, usando o casal para obter vantagens. Acho que os melhores filmes de terror evidenciam a condição humana e jogam com os medos e os problemas que muitos de nós enfrentamos ao longo de nossas vidas”, ele pondera.

Trabalhando em cima de uma história de Alex Mace, da Appian Way, o roteirista David Leslie Johnson escreveu o roteiro. Silver elogia: “O roteiro de David é muito bom. Ele realmente fez com que a história e os personagens ganhassem vida”.
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Para David Johnson, foi um trabalho muito prazeroso. “Sou fã do gênero desde que assisti a The Bad Seed. É um dos meus subgêneros preferidos – o da criança malvada. Há algo meio visceral nisso. O público reage fortemente a isso, seja com uma criança sendo corrompida por forças demoníacas, seja apenas por uma criança do mal... Temos uma reação instintiva quando nos deparamos com situações como essas. E eu não queria fazer de uma forma que já tivesse sido realizada antes. Queria encontrar uma nova pegada, mostrar um novo ângulo em histórias desse tipo. Pensei na reviravolta do final, no segredo, e fui desenvolvendo a história de trás para frente”.

“O roteiro de David era genial”, elogia Collet-Serra. E completa: “Os personagens estavam muito bem desenvolvidos. Eu realmente visualizei um filme que tivesse todos esses elementos: ótimas atuações, uma boa atmosfera, tensão, sem falar nos sustos. A Órfã é de fato um thriller psicológico que vira um filme de terror. Não é somente um filme de terror. Toda a história gira em torno desse segredo, e é muito raro lermos um roteiro que nos surpreenda no final. Era algo muito crível. Foi isso que me deixou fascinado”.

Silver acrescenta que embora o público reconheça que existe algo de diferente em Esther, “a intenção era que as pessoas tivessem um choque, se surpreendessem com os acontecimentos. Queria que eles saíssem da sala de cinema comentando o filme, da mesma forma que nós fizemos quando acabamos de ler o roteiro”.
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“David criou personagens muito fáceis para investirmos”, diz Downey. “Kate e John formam um casal com o qual as pessoas conseguem se identificar, porque é cheio de defeitos. Ao mesmo tempo, as histórias do passado deles não são jogadas de forma gratuita, como um recurso para dar profundidade aos personagens. Era isso que, para mim, diferenciava o roteiro – a veracidade dessas pessoas, nas quais estamos investindo e acreditando, e que estão desmoronando. E aí vemos aquela impressionante reviravolta...”

A produtora Jennifer Davisson Killoran concorda. “Desde a idealização do filme, sentíamos que a história era divertida. Ela faz com que as pessoas fiquem adivinhando e, quando elas acham que descobriram o segredo, há uma mudança completa que as deixa novamente cheias de dúvidas”.

Além dos aspectos de suspense do filme, Jennifer Killoran também ficou encantada com as relações entre mãe e filho que são a base da história. “Acho que Kate é um retrato fabuloso de uma mulher tentando desesperadamente fazer a coisa certa para seus filhos, sejam eles biológicos ou adotivos. Ela só quer o melhor para eles”.
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Ela continua: “Há algo de primitivo e instintivo na relação entre mãe e filho, então senti que seria o melhor tipo de relação para explorar e corromper; tornar o que deveria ser a relação mais pura no mundo em dois lados opostos, inimigos. Também quis conferir à mãe um passado sombrio e complicado de forma que, a partir do momento em que ela começa a dizer que há algo de estranho em Esther, todos duvidem dela, por ela não ser a pessoa mais confiável”.

Johnson, no entanto, dá crédito ao diretor. “Ele fez o filme não somente assustador, mas também com potencial ameaçador às famílias. Mesmo no início, quando as coisas ainda estão dando certo, há aquela sensação de que algo vai dar errado, e isso tem muito a ver com a maneira como filmamos e o visual que demos a ele”.

“Para ficar excelente, um thriller tem de ser inteligente; tem de ter ideias novas”, propõe Silver. “E para funcionar de verdade, precisa haver suspense, levar o público por uma jornada. E Jaume faz isso de forma brilhante. Ele é um contador de histórias muito paciente que consegue envolver o público aos poucos”.
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Collet-Serra comenta: “Queria retratar uma família que tem bons e maus momentos. Não queria colocar o dedo na ferida logo no início da história; queria ver por que eles estavam juntos, para poder dar a chance de um final feliz. Assim, à medida que as coisas começam a dar errado, vemos, por um momento, a violência efetivamente. Para mim, o segredo é mostrar isso de forma real, porém breve, para enfatizar a história e as atuações”.

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