Super Hiper Mega Banner

Entrevista com o diretor João Daniel Tikhomiroff


João Daniel Tikhomiroff: Paixão à primeira vista por um mito brasileiro

Há mais de vinte anos, o cineasta e diretor de filmes João Daniel Tikhomiroff é referência no universo da produção publicitária mundial. Hoje, com 41 Leões conquistados no Festival Internacional de Publicidade de Cannes, é o segundo profissional mais premiado pelo evento mais importante da propaganda mundial. Presidente do grupo Etc... Participações, que integra as produtoras Mixer, Coffee Produções, CB Filmes e Pan Filmes, ele é o único diretor latino-americano citado entre os melhores do mundo no livro “The Commercial Book” do anuário inglês D&AD.

Apesar da sólida carreira publicitária, a formação de João Daniel Tikhomiroff é baseada no cinema de ficção. Filho de Daniel Michael Tikhomiroff, que foi diretor da Universal Pictures no Brasil, João cresceu praticamente dentro de uma sala escura. Mal saído da adolescência, já tinha no currículo a assistência de direção em vários longas brasileiros, e aos 19 anos, dirigiu ele mesmo seu primeiro documentário. Quis o destino, porém, que João enveredasse pela direção publicitária, deixando de lado por muitos anos o sonho de realizar seu primeiro longa-metragem. Sonho que ele finalmente realiza agora, com a produção de Besouro.
João Daniel Tikhomiroff
João Daniel Tikhomiroff
Leia abaixo uma entrevista com o diretor:

Como surgiu a ideia de transformar as lendas de Besouro, até então um mito pouco conhecido da maioria dos brasileiros, numa superprodução de cinema?
João Daniel Tikhomiroff - Besouro caiu no meu colo, literalmente. Eu estava vasculhando as prateleiras de uma livraria quando o livro “Feijoada no Paraíso”, do escritor carioca Marco Carvalho, me chamou a atenção. Era um livro fino, com uma seleção de contos baseados nas lendas do Besouro, de quem até então eu nunca tinha ouvido falar. Comprei o livro e li de um fôlego só. Na hora, fiquei apaixonado pelo personagem do Besouro. Ele me arrebatou. Cheguei a pensar em transformar sua história numa série de TV, mas foi o meu filho, Michel Tikhomiroff, quem me abriu os olhos para a possibilidade de transformar essa história no tema do meu primeiro longa-metragem, com o qual eu sonhava tanto. Dito e feito.

Seu filme é uma reprodução fiel das histórias do livro?

João Daniel Tikhomiroff - Não. Muito pelo contrário. O filme baseia-se no livro, mas não se prende a ele nem aos personagens reais que fizeram parte da vida de Besouro. Não se trata de um filme biográfico, nem histórico. É um filme de ficção, uma verdadeira fantasia, baseada nas lendas sobre um homem extraordinário. O filme tem personagens que não existiam no livro, por exemplo. Até porque, mesmo o que é supostamente verdadeiro sobre Besouro ninguém sabe exatamente como aconteceu de fato, porque sua história sobrevive em grande parte graças à tradição oral das músicas sobre ele. Mais que figura histórica, ele é um mito, uma lenda da capoeira e da luta dos negros por seu espaço na sociedade brasileira. Portanto, o que fiz foi dar a minha contribuição para a propagação desse mito, que merece sair do círculo da capoeira para se transformar num personagem conhecido no Brasil e no mundo.
besouro
Pode-se dizer que “Besouro”é um filme sobre capoeira?

João Daniel Tikhomiroff - Não. “Besouro” não é um filme sobre capoeira. “Besouro” é um filme que reúne fantasia, romance, ação e aventura, e que tem na capoeira um de seus principais elementos. Mas é importante frisar que é um filme de ficção, e que até a capoeira nele contida também é, de certa forma, uma capoeira ficcional, uma capoeira inventada. Isso porque ela vem misturada com outros elementos de luta, necessários para o enriquecimento dramático dos embates entre os personagens. Na capoeira do filme, os personagens usam os braços, por exemplo, coisa que não se faz na capoeira tradicional. E há também a inclusão dos voos, já que uma das lendas sobre Besouro que o filme explora é justamente a sua capacidade mágica de voar.

Quem inventou essa capoeira para o filme?
João Daniel Tikhomiroff - Nós trouxemos de Hong Kong o coordenador de cenas de ação chinês Huen Chiu Ku, especializado em lutas e, mais especificamente, em lutas aéreas. Ele e sua equipe foram muito importantes no trabalho de criar e filmar as coreografias de luta do filme, fazendo-as ao mesmo tempo espetaculares e críveis. Esse é um dos elementos mais fascinantes do filme, até porque quase tudo do que se verá na tela, em termos de luta, é feito pelos próprios atores, sem dublês. O que dá ainda mais realidade e emoção às cenas.
Besouro
Que outro aspecto fascinante você diria que o filme possui?

João Daniel Tikhomiroff - A relação de Besouro com a natureza, com os Orixás. O filme valoriza muito o misticismo em torno da figura de Besouro, a lenda de que ele tem “corpo fechado”. Ora, quem tem corpo fechado é filho de Ogum, o orixá da guerra. Então era preciso trazer Ogum para o filme, bem como outros orixás que são, na trama, as entidades que fazem o Besouro entender seu papel de líder da luta de seu povo contra a opressão dos coronéis e o preparam para o embate. E a forma como trouxemos os Orixás para o filme também foi muito original, fruto de um profundo trabalho de pesquisa, para que a representação dessas divindades fosse a mais natural e livre de preconceitos possível. O resultado, a meu ver, ficou muito bom.

Besouro é um super-heroi?

João Daniel Tikhomiroff - Sim. Por que não? Um super-herói que luta contra a opressão imposta ao seu povo. E que para isso usa os poderes que a sua cultura e suas crenças lhe oferecem. Um autêntico super-herói brasileiro.

Daiblog Leia mais entrevistas do Daiblog!

Daiblog Quer ver o filme Besouro? Clique aqui e pesquise onde tem o menor preço!

Veja aqui o trailer do filme Besouro na TV Daiblog:

Nenhum comentário

Todos os comentários do Cine61 são moderados por nossa equipe. Mensagens ofensivas não serão aprovadas. Obrigado pela visita!

Tecnologia do Blogger.