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Cinema especial - Uma noite fora de série

Daiblog Especial - Uma noite fora de série
O ritual do “jantar romântico a dois” é algo muito familiar para a maioria dos casais casados – mesmo os diretores de superproduções cinematográficas. “Eu estava no processo de preparo de Uma Noite No Museu 2 e, como é nosso ritual, uma vez por semana, minha esposa e eu saímos para jantar”, lembra o cineasta Shawn Levy.

Em um desses jantares, os Levy estavam sentados no restaurante que frequentavam, pedindo o mesmo prato, conversando sobre os filhos, sobre o que aconteceria naquele final de semana, quem compraria o presente de qual festa de aniversário etc. “No meio de tudo aquilo, eu disse para minha esposa, ‘Não seria legal fazer um filme sobre uma noite romântica, em que se fizesse apenas uma coisa de forma diferente? E aí haveria o desenrolar de tudo, até o ponto de ameaçar a vida e o casamento do casal, com um monte de coisas malucas acontecendo. Mas, no meio de toda essa loucura, eles terminariam recuperando aquilo que é o propósito original da noite romântica: preservar a vitalidade da relação’”.

Na manhã seguinte, Levy foi ao escritório de sua produtora e disse à equipe, “Pois bem, nós vamos fazer um filme chamado ‘Uma Noite Fora de Série’. Aqui está o tema do filme. Precisamos arrumar um roteirista. Vamos lá”.

Uma noite fora de série
A procura de Levy por um roteirista não demorou muito. “Eu havia escrito o roteiro de um pequeno filme excêntrico chamado ‘(Saint) Peter’; Shawn leu o roteiro e se apaixonou por ele. Shawn estava determinado a encontrar algo para que nós trabalhássemos juntos. Ele muito gentilmente se arriscou e me fez viajar de avião, e começamos a discutir o assunto”, lembra o roteirista Josh Klausner.

Levy e Josh Klausner se encontraram no estúdio da Fox, onde rapidamente revelou-se a história. “Nós dois estamos no mesmo estágio da vida. Ambos temos filhos e saímos para noites românticas a dois, sabendo o que elas deveriam ser, mas percebendo que elas nunca mais acabam sendo isso porque há muitos outros obstáculos no caminho. Então começamos a conversar sobre essas experiências”, conta Klausner.

“Conversamos sobre os nossos casamentos e descobrimos que há alguns pontos em comum ao tentar manter um relacionamento vibrante e romântico, e não simplesmente virar colegas de quarto. É a questão de como, na vida adulta, você mantém o frescor da condição de casal”, acrescenta Levy.

Uma noite fora de série
“Uma Noite Fora de Série” foi originalmente concebido como a história de um casal de classe média, centrada em torno de uma noite de reunião de pais e mestres, mas rapidamente evoluiu para, como Klausner o chama, “o truque perfeito de ‘Intriga Internacional’: confusão de identidade”.

“Shawn e eu realmente queríamos que o que surgisse na noite fosse algo que todos poderíamos fazer. Phil e Claire simplesmente não conseguem uma mesa em um restaurante e, como ninguém está respondendo à chamada para uma reserva, eles decidem ‘Que mal há em aproveitá-la?’ E isso dá início a toda a confusão. A partir daí, eles acabam na pior noite de suas vidas, que acaba sendo a melhor noite para seu relacionamento”, resume Klausner.

Levy descreve o filme: “Ele tem o espírito das comédias de ação de que lembro com carinho, como ‘Um Tira da Pesada’ e ‘48 Horas’. ‘Uma Noite Fora de Série’ tem um tom híbrido verdadeiro, porque é antes de tudo uma comédia. Tem também uma grande dose de ação, além de muita emoção, porque é sobre as coisas com as quais as pessoas lidam nos relacionamentos”.

Uma noite fora de série
Para Levy, “Uma Noite Fora de Série” é uma mudança em relação aos sucessos para a família que ele dirigiu, como “Doze é Demais”, “A Pantera Cor-de-Rosa” e “Uma Noite no Museu”. “Uma Noite Fora de Série” é mais uma comédia direcionada para adultos. De certa forma, é o outro lado dos filmes que fiz, que se concentraram nos relacionamentos entre pais e filhos. “‘Uma Noite Fora de Série’ se concentra na ótica do casamento, no que acontece depois que as crianças vão dormir”, argumenta Levy.

Levy estava interessado em manter o lado emocional da história intacto durante o caos vivido pelos personagens. “Se você está fazendo um filme sobre relacionamentos com pessoas que estão casadas, ele deve ser mais do que apenas engraçado, porque a vida não funciona desse jeito. O filme tem alguns momentos surpreendentes de emoção”, ressalta o diretor.

“Muitas comédias hoje em dia parecem um compêndio de piadas ligadas para acompanhar a narração de uma história. ‘Uma Noite Fora de Série’, essencialmente, é sobre casamento e estar apaixonado por alguém, mas, ao mesmo tempo, a vida tem obstáculos. E é sincero, que é algo que Steve e Tina queriam também. Estou orgulhoso de que este filme tenha preservado esse espírito”, observa Klausner.

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Quando Levy ficou sabendo que Steve Carell e Tina Fey queriam encontrar um projeto no qual pudessem trabalhar juntos, ele sabia que havia encontrado sua dupla de protagonistas. “Conseguimos um tratamento inicial do roteiro para Tina e Steve, que sempre me pareceram o par ideal para um filme sobre casamento. Eles disseram, ‘É, nós nos identificamos com isso, queremos fazer uma comédia de ação que também seja sincera sobre relacionamentos.’ Então, eles disseram que aceitavam”, diz Levy.

Embora Levy geralmente faça uma pausa entre a conclusão de um filme e o começo do próximo, ele acabou em preparações para “Uma Noite Fora de Série” enquanto editava “Uma Noite no Museu 2”, de modo a aproveitar a disponibilidade de seus astros. “Os compromissos de Steve e Tina em séries [respectivamente em “The Office” e “30 Rock”] possibilitam apenas uma disponibilidade limitada para o trabalho no cinema. Eles nos disseram, ‘Nós queremos fazer o filme, mas estamos livres agora e não vamos estar livres nos próximos seis meses. O que fazemos?’ Eu disse, ‘Bem, fazemos o filme agora!’ Eu não tive uma pausa entre filmes, mas consegui uma comédia com Steve Carell e Tina Fey, que são duas das pessoas mais inteligentes e interessantes que trabalham em comédia hoje. Então muito do meu trabalho era surgir com a ideia, conseguir os dois atores perfeitos para o filme e depois sair do caminho”, explica Levy.

Embora pequenas alterações no roteiro tenham sido feitas para adequação ao talento cômicos dos astros, “Uma Noite Fora de Série” era essencialmente sob medida para a dupla. “Parecia que o filme tinha sido escrito para eles”, diz Klausner. Levy acrescenta: “Com três minutos do filme, você acredita que Steve e Tina são casados. Eles têm uma química poderosa juntos. Tiveram total sintonia na tela”.

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“Phil se sente pouco reconhecido por seus amigos e pela família, mas mantém esse sentimento guardado no peito. É um sujeito muito amável, porém ele e Claire atingiram um ponto de estagnação no relacionamento. Ele precisa tentar deixar de se sentir assim, se possível. E a noite que ele e Claire vivem juntos é um desfibrilador para o casamento”, comenta Steve Carell.

O talento cômico de Carell, junto com sua habilidade de estimular a emoção do público, fez dele a escolha perfeita para o papel, segundo Levy. “Steve é muito engraçado, e seu talento como ator é fantástico. Ele não só carrega sequências cômicas inteiras, mas três cenas depois, ele está emocionando você com muita sinceridade e nuances. Não há limites para o que ele sabe fazer”, elogia.

Carell diz que suas próprias noites românticas a dois, como as de Phil Foster (e as de Levy e Klausner), deixam muito a desejar. “Às vezes, a pior parte das noites românticas é na verdade sair - quando você vê a babá se sentar, ficar confortável e ligar a TV. Isso, às vezes, parece muito melhor do que a noite que vem pela frente”.

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Tina Fey, tal como Carell, tem a habilidade de ser tremendamente engraçada sem deixar de retratar o lado emocional de sua personagem realisticamente, simplesmente permitindo que as piadas ocorram. Por exemplo, em resposta a um convite sexual do marido, Claire, interpretada por Fey, produz um momento muito normal: “Sim, espere um minuto”, enquanto retira o aparelho dental em preparação para o sexo com o marido com baba suficiente para desestimulá-lo instantaneamente.

“Além de ser obviamente muito bonita e inteligente, Tina tem uma disposição total para se fazer de boba. Ela está completamente disposta a fazer troça de si mesma e ser o alvo da piada, e isso é muito encantador”, diz Levy.

Fey descreve Claire como “uma mãe de dois filhos, que trabalha e, como quase todo mundo que conheço, está um pouco cansada pela vida cotidiana de criar os filhos, prepará-los pela manhã para sair, levá-los à escola, ter um emprego, manter a casa limpa. Ela é uma boa pessoa que está apenas um pouco exaurida. Eu certamente me identifico com como é cansativo fisicamente ser mãe ou pai e ter um emprego; às vezes parece um verdadeiro sacrifício apenas estar presente para o seu cônjuge”.

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Então, o que seria mais assustador – estar num casamento chato ou ser perseguido pela máfia (ambas experiências dos Foster no cinema)? “Eu diria que estar casado com uma pessoa da máfia seria o mais assustador”, brinca Fey.

Durante a jornada de sua noite infernal, Phil e Claire encontram uma série de personagens nos dois lados da lei. As escolhas de elenco de Levy para esses papéis foram algumas vezes inesperadas e sempre certeiras. Sua intenção era proporcionar uma história com uma experiência como a de “O Mágico de Oz”. “Você está com seus heróis, mas, no caminho, eles estão sendo afetados e alterados pelas pessoas que encontram; e eu pensei se não seria divertido que a cada curva da estrada, você se surpreendesse de novo por quem de repente apareceu nesse filme. E os membros do elenco se adequaram aos papéis perfeitamente”.

A surpresa aparentemente não foi limitada ao público. “Li o roteiro e pensei, ‘Ah, esses papéis são muito bons para alguém’. Nunca pensei que teríamos a sorte de conseguir essa qualidade de atores em todos os diferentes papéis”, comenta Fey. Ter o que de outra forma pareceriam papéis pequenos interpretados por atores renomados só ajuda a dar vida a eles, segundo Carell. “Quando você os vê representados, eles são ainda melhores do que eram no papel”, acrescenta.

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E conseguir astros de primeira grandeza para integrar a equipe de “Uma Noite Fora de Série” não foi somente uma questão de coincidência. “Muitas pessoas estavam tão empolgadas para encontrar um jeito de trabalhar com Steve e Tina que simplesmente encontraram uma forma de fazer isso dar certo”, diz Levy.

Mark Wahlberg interpreta um ex-cliente de corretagem imobiliária de Claire que o casal procura no meio da noite. “Interpreto um sujeito chamado Holbrooke Grant, que é um especialista em segurança a quem Claire e Phil recorrem em busca de ajuda. Eles só pegaram Holbrooke em um momento ruim, pois ele está com sua bela namorada israelense”, explica Wahlberg. O casal acaba virando a noite de Holbrooke de cabeça para baixo também.

Wahlberg tinha o figurino mais simples de todo o elenco. “Não há figurino, apenas um par de calças largas de seda”, ele lembra, observando que ficou continuamente congelado no set com o ar condicionado. Não foi um fato ignorado pelos membros femininos do elenco e da equipe que a parte superior do seu traje estava ausente (exceto pela ampla aplicação de maquiagem cobrindo as incontáveis tatuagens de Wahlberg). “Mark ficou sem camisa por três ou quatro dias”, lembra Fey. Isso provocou um notável aumento no número de mulheres que subitamente tinham assuntos adicionais para serem resolvidos no set nos dias que ele estava trabalhando. “Amigas me enviaram mensagens de texto, ‘Posso ir ao estúdio da Fox e visitar você hoje?’”, diz Fey com uma risada.

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Também em socorro do casal assediado está Taraji P. Henson, uma indicada ao Oscar por seu trabalho em “O Curioso Caso de Benjamin Button”, que interpreta a detetive Arroyo do Departamento de Polícia de Nova York. Embora não acredite exatamente na história de que os Foster estão sendo “perseguidos por vilões”, ela começa a suspeitar de alguns de seus colegas. “Ela é uma espécie de heroína”, diz a atriz.

Interpretando os bandidos Collins e Armstrong, que estão atrás dos Foster (que eles acreditam serem os Tripplehorn) estão Common e Jimmi Simpson. Common é um rosto familiar para o público por seu papel como policial assassino em “Os Reis da Rua” e por seu trabalho como músico (entre seus sucessos estão: “Love of My Life” e “Testify”). Simpson teve participações ocasionais como Lyle the Intern no “The Late Show with David Letterman”.

Common descreve a dupla como “um dos muitos estopins para fazer com que esse casal comum saia de sua zona de conforto, principalmente atirando neles. Os dois são essencialmente caçadores”.

O formidável chefe de Collins e Armstrong é o gângster Joe Miletto, de quem os Tripplehorn aparentemente roubaram algo de importância que ele quer de volta. A escolha do aclamado ator Ray Liotta como Miletto agradou muito a Carell e Fey. “Estávamos filmando uma cena com Ray uma noite e Tina olhou para cima e disse, ‘Me sinto numa versão 3D de ‘Os Bons Companheiros’. Ray Liotta está realmente andando e falando comigo’. Era como um passeio em um parque temático”, lembra Carell.

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Interpretar um personagem trágico em uma comédia, particularmente para atores que costumavam aparecer em filmes dramáticos, exige uma aptidão especial, que o grupo de durões de “Uma Noite Fora de Série” aproveitou com paixão.

“Está realmente no texto, então depende de seu compromisso com ele. Se a situação for apenas um pouco mais trágica, você vai rir”, explica Liotta. Common concorda: “Shawn nos disse desde o início para manter o realismo. Quanto mais real for – porque você está contracenando com Steve e Tina – mais engraçado fica”.

Interpretando os “verdadeiros” Tripplehorn – na verdade um traficante de drogas chamado Taste e sua namorada aloprada, Whippit – estão James Franco e Mila Kunis. Apesar de suas circunstâncias de vida diferentes, o casal tem muito em comum com os Foster. Eles estão passando pelas mesmas coisas no relacionamento que suas elegantes contrapartes. Josh Klausner observa: “Quer você seja um traficante de drogas ou um marido de classe média, você sente a angústia de ‘você nunca mais olhou para mim do jeito que olhava’ e ‘você não tem tempo para mim’. Os dois casais estão passando exatamente pelo mesmo, tornando os diálogos entre os dois hilariantes e comoventes ao mesmo tempo”.

Mila Kunis descreve o casal: “Eles são muito passionais, quando estão com raiva, estão furiosos, e quando estão felizes, estão perdidamente apaixonados”. Whippit, especificamente, ela descreve como uma “psicopata, que é muito instável. Ela passa por três emoções diferentes em duas páginas e meia de roteiro”.

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O nome “Taste”, diz Franco, é remanescente de um conceito anterior do personagem, um careca de dois metros de altura com “TASTE” (Prove, experimente - em português) tatuado na testa. “Então, quando eles me pediram para participar do filme, eu disse ‘Bem, certamente não sou isso’”. A descrição do personagem foi reescrita, mas o nome permaneceu. “Estava disposto a ter tatuagens faciais, também”, Franco diz, com uma risada. “Nós apenas adotamos a figura brega da ‘Morte’”, explica.

Kristen Wiig e Mark Ruffalo interpretam o casal amigo dos Foster, que logo se separará, Haley e Brad Sullivan. “A separação deles traz a questão entre ficar entediado com seu cônjuge e partir para outra ou apenas suportar a situação. Acho que Haley planta a ideia na cabeça de Claire”, analisa Wiig.

Também assumindo papéis importantes estão Leighton Meester, da série de TV “Gossip Girl”, como Katy, a babá dos Foster; e William Fichtner, de “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, como o promotor público Frank Crenshaw.

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Todos os membros do elenco reconhecem a habilidade de Levy de equilibrar ação e comédia, que por sua vez permitiu aos atores a liberdade de criar suas próprias piadas. “Essa é a única maneira de ter tempo de brincar ou improvisar e fazer tomadas extras. Isso só acontece se todos, especialmente o diretor, realmente sabem o que estão fazendo”, observa Fey.

Para Levy, há um método para o potencial de loucura a que a improvisação pode levar. Ele relata: “Às vezes, depois de termos filmado o que eu queria, Steve e Tina me diziam, ‘Quer saber? Posso fazer mais uma tomada? Tive uma ideia que pode dar certo.’ Nem sempre dava para aproveitar, mas na maioria das vezes a ideia valia ouro e a cena era incluída no filme”. Um exemplo é a brincadeira da dupla no restaurante, em que eles tentam adivinhar o que se passa com o casal da outra mesa.

“Qualquer pessoa, em qualquer área, deseja ir para seu local de trabalho e ser respeitada pelo trabalho que faz”, diz o diretor. “Então, quando se diz a um ator, ‘Vamos seguir o roteiro que escrevi para você, mas também quero ouvir suas ideias. Na verdade, acho que suas idéias podem vir a ser tão boas ou até melhores do que o que eu escrevi’, os atores se sentem parceiros, colaboradores, e não papagaios. Eles se sentem parte da equipe de criação, e não máquinas”.

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