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Entrevista com o cineasta Erik de Castro



Erik de Castro dirigiu o longa-metragem Federal, produção brasiliense de ação que mostra um grupo de policiais que tenta combater o tráfico de drogas na cidade. O longa-metragem é estrelado por Carlos Alberto Riccelli, Selton Mello e artistas da cidade. Destacam-se também participações internacionais como Michael Madsen (Kill Bill – Volume 2) e Carolina Gómez, atriz colombiana que foi ex-Miss Colômbia e segunda colocada no Miss Universo de 1994. Leia a crítica completa do filme aqui.

Na entrevista a seguir o cineasta fala sobre a produção do filme e sobre as comparações do seu trabalho com o sucesso Tropa de Elite.

Quais foram suas referências na hora de dirigir um filme de ação?
“Os Intocáveis” (Brian de Palma), “Chuva Negra” (Ridley Scott), “O Exterminador do Futuro” (o primeiro, de James Cameron), filmes de John Houston, cineasta americano qua ajudou a moldar o gênero policial no cinema nos anos 40 e 50, particularmente “The Asphalt Jungle” ("O Segredo das Joias"), tido como o primeiro filme policial a procurar humanizar não só os policiais, como também os chamados ‘bad guys’, algo que ‘Federal’ também procura fazer. Faroestes como “Os Imperdoáveis” (Clint Eastwood) e “Meu Ódio Será Tua Herança” (de Sam Peckinpah). Filmes policiais dos anos 70, como “Operação França” (William Friedkin), “Operação França 2″ (John Frankenheimer) e “Sérpico” (Sidney Lumet).
Federal
Como foi que Michael Madsen, Carolina Gómez e Allen Hall entraram para a produção?
Meu irmão, Christian de Castro, que é o produtor do filme, correu atrás de parceiros internacionais através dos principais festivais de cinema (Cannes, Berlim, Roterdam). Ele fechou uma pré-venda dos direitos de distribuição com a EuropaCorp, produtora do Luc Besson, que trouxe o Madsen; que topou depois de ler o roteiro. A Carolina veio de outro parceiro internacional, o Matthias Eherenberg, da Trebol Comunicaciones, co-produtora do filme colombiana; e Allen se interessou pelo projeto quando o roteiro chegou as suas mãos em Hollywood. Ele gostou e fechou comigo por um valor muito aquém do que ele normalmente cobraria. Foi uma grande ginástica, fazer um filme de baixo orçamento para os padrões internacionais com a qualidade que um thriller policial exige. O espírito de realização foi o do primeiro “O Exterminador do Futuro” e do primeiro “Mad Max” (George Miller): ‘low-budget-character driven-action film’ (filme de ação de baixo orçamento, voltado para os personagens).
Federal
Filmes de ação remetem a explosões, tiroteios e perseguições. E isso muitas vezes está associado com um orçamento alto. Conta um pouco como foram as sequências de ação do filme e se você encontrou dificuldades para realizá-las.
Eu tinha uma visão bem definida do que eu queria. O roteiro havia sido todo decupado por mim e pelo meu fotógrafo, Cezar Moraes, bem antes de começarmos a filmar. Desenhamos todas as sequências de ação em storyboard (276 pgs) e enviamos para o consultor de efeitos em Hollywood, Allen Hall. Isso tudo lá pelo ano de 2003. Visitei o Allen duas vezes em Los Angeles, quando tive a oportunidade de observar de perto o trabalho dele e de sua equipe durante a produção de filmes como ‘O Exterminador do Futuro 3″ e “Constantine”. Além disso, o coordenador de dublês Alex Aquino e os consultores de set da Polícia Federal deram uma tranquilidade muito grande para todos nós nos momentos em que íamos rodar as cenas de ‘Federal’. Houve muita preparação de nossa parte. Preparação em cinema é tudo.
Federal

Você começou com curtas e este é o seu primeiro longa-metragem. Qual foi o seu maior desafio na hora de dirigir?
Dirigir é algo muito orgânico para mim. Uma pré-produção bem feita é fundamental. Depois, tendo as condições ideais de excução é ir lá e fazer, não importa as dificuldades que apareçam – e são muitas! O “X” da questão é executar a tua visão, gostem ou não do resultado final. Eu fiquei muito satisfeito com o resultado, dentro de uma visão de entretenimento de qualidade, que traga também certa reflexão. Para mim é isso que importa. Fiz o filme que eu queria fazer. O verdadeiro desafio numa produção de cinema é compor financeiramente o trabalho todo, levantar a grana, algo que ficou a cargo do meu irmão.
Federal
Existe uma comparação constante do seu filme com Tropa de elite sendo que a ideia para Federal começou ainda na sua adolescência. Você acredita que essa comparação acontece porque não existem muitos filmes brasileiros deste gênero?
Você foi na mosca. Se fosse nos EUA, não se falaria tanto nisso. É importante, no entanto, que toda e qualquer comparação que se faça com o ‘Tropa’ leve em consideração que ‘Federal’ é um projeto anterior, cujo roteiro foi escrito ao longo do ano 2000, e inscrito e selecionado pelo Laboratório de Roteiros Sundance/Riofilme no Brasil no ano de 2001. Participei desse laboratório em abril de 2001 e o único projeto policial que existia no Brasil naquela época era o do ‘Federal’, cujo roteiro a partir de então começou a rodar nos mercados brasileiro e internacional, o que atraiu a atenção da Riofilme e desses outros parceiros. Eu pretendia filmar em 2003! Tentamos em 2004, atrasou. Adiamos para 2005. E finalmente conseguimos compor o orçamento e rodar em 2006, com três anos de atraso em relação ao nosso plano original. Quando começamos a rodar, ‘Tropa 1′ ainda não tinha nem começado a ser rodado.
Federal
Ainda é cedo perguntar ou você já tem projetos para o futuro? Se tiver fale um pouco sobre eles.
No momento estou trabalhando no roteiro de um thriller romântico com vampiros, escrito por mim e pelo meu co-roteirista em ‘Federal’, Érico Beduschi. Foi nosso primero roteiro juntos, escrevemos os primeiros drafts antes mesmo de escrevermos ‘Federal’! O argumento, assim como em ‘Federal’, é meu. Chama-se “A Lenda de Abel e Cândida” e será produzido pela Diler e Associados.

Crédito da foto do diretor Erik de Castro: Hugo Santarém

Veja aqui o trailer do filme Federal:

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