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Entrevista com o diretor Felipe Joffily



Formado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC- Rio), e em cinema pela New York University (NYU) School of Film, Video and Broadcasting, Felipe Joffily produziu e dirigiu alguns curtas-metragens, dentre eles You know what I’m talking about e Next stop. Seu primeiro longa-metragem, Ódiquê?, levou os prêmios de melhor diretor e melhor filme no Festival Internacional de Nova Iorque. Agora o cineasta lança a comédia Muita Calma Nessa Hora.

Como foi entrar para o projeto de Muita Calma depois que os produtores Casé e Rik trabalharam tanto no projeto?
Para mim foi incrível ser um diretor convidado, e contratado, para uma produção como Muita Calma. Dirijo também publicidade e TV e, nestes anos, aprendi a trabalhar em conjunto e a ouvir o que um produtor, um roteirista e um ator querem de mim. É muito melhor poder contar com uma estrutura profissional como a que o Casé (Augusto) e o Rik (Nogueira) proporcionaram para toda a equipe. Cinema profissional é isso. Um mercado em que há desde projetos pessoais como Odiquê? quanto filmes praticamente coletivos como Muita Calma.
Muita Calma Nessa Hora
Você é um diretor convidado que imprimiu sua assinatura a Muita Calma. Depois de Odiquê?, um filme com um tom e uma produção tão pessoal, você esperava que sua carreira tomasse esta direção?
Sim. Digo sempre que minha carreira é precisamente paralela à Retomada do Cinema Brasileiro. Quando fui estudar cinema em Nova York, em meados dos anos 90, era algo fora dos padrões profissionais. Não havia condições para de fato trabalhar na indústria brasileira simplesmente porque ela não existia. E fui estudar cinema nos EUA pensando exatamente que a Retomada aconteceria e que este mercado iria se abrir. Não era um fenômeno somente cultural para mim. Eu sentia que mais cedo ou mais tarde o Brasil estaria caminhando para finalmente produzir cinema em uma escala mais profissional e até mesmo industrial.
Muita Calma Nessa Hora
Nesta indústria brasileira, a comédia ocupa papel de destaque, não?
Certamente. Todos gostam de assistir a uma boa comédia. E acho também que devemos fazer mais filmes para o jovem. É um público que vai muito ao cinema e que muitas vezes os diretores brasileiros se esquecem.

Dirigir uma comédia com um roteiro e elenco tão afiados não te assustou em um primeiro momento?
Com certeza! Comédia é algo muito delicado. Tem um tempo muito especial. É preciso haver uma química para que o humor funcione. Mas o Muita Calma também tem temas de comportamento. Tem personagens fortes também. E decidi unir as duas vertentes. Como no meu filme anterior, minha grande força foi a de abordar temas de comportamento, confiei nesta pegada e deixei o clima de comédia surgir naturalmente no set. O roteiro era muito bom por si só. E eu confiava no meu elenco. Então, tentei agregar a estes elementos um pouco de drama. Tudo isso para que o filme não fosse só uma colagem de cenas, mas que também tivesse um tom orgânico. Acho que Muita Calma é uma mistura disso tudo.
Muita Calma Nessa Hora
Você se inspirou particularmente em algum filme ou tipo de humor para dirigir Muita Calma?
Apesar de termos sempre em mente que queríamos de certa forma fazer uma espécie de híbrido entre Menino do Rio e American Pie, procurei não me ater a nenhuma fórmula pronta. Há desde toques de Jerry Lewis até Curtindo a Vida Adoidado, passando por Beavis and Butt-Head. Como já comentei, o roteiro já traz cenas tão claramente engraçadas que era mais questão de eu deixar que o humor acontecesse naturalmente.
Muita Calma Nessa Hora
Além do roteiro, você também tinha o desafio de dirigir um elenco que reunia desde iniciantes até mestres do humor.
Isso me preocupou no início. Não sabia como iria me comunicar com tanta gente diferente e talentosa. Mas percebi ao longo da filmagem que todos estavam ali para trabalhar juntos e fazer o projeto dar certo. Desde os mais jovens até os mais experientes, todos tinham um respeito tão grande pelo cinema que pude relaxar e dirigi-los com alegria, que é o mais importante. Sempre brinco que o set é um lugar sagrado, mas não muito. Era este tom que precisávamos. De respeito, mas também de humor. E acho que conseguimos.

Veja aqui o trailer do filme Muita Calma Nessa hora:

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