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#915-I Am Because We Are

O texto de hoje foi escrito pela jornalista carioca Alice Pereira. A partir de hoje ela irá escrever no Daiblog sobre documentários. Para estrear o espaço, ela decidiu comentar sobre I Am Because We Are, documentário produzido pela cantora Madonna. O filme foi exibido em Brasília em 2008 no extinto Festival de Cinema Internacional de Brasília. Leia a seguir:

*Por Alice Pereira

Domingo de carnaval. Apesar de morar na cidade do samba e dos famosos blocos de rua, tirei o feriado para descansar. Depois do tradicional almoço em família, busquei na TV algo que valesse a pena assistir. Quando estava quase desistindo e partindo para uma outra alternativa de passar o tempo, eis que está sendo exibido o documentário I Am Because We Are. A narração de abertura me faz parar naquele canal e esperar o que estaria por vir. A voz, apesar de serena e séria, não me fez ter dúvidas. Madonna, diva pop e tão conhecida pelo sucesso de suas músicas, produziu e emprestou sua voz e talento para mostrar ao mundo Malawi. 



Há uma hora atrás nem fazia ideia de esse país existia, mas ele existe e suas crianças sofrem diariamente com a falta dos pais, mortos pelo vírus HIV. Muitos delas moram nas ruas, são chefes de famílias. Sim, crianças cuidando de crianças e sem nenhuma pessoa mais velha e experiente para se espelharem. Parece insano, mas as imagens nos fazem perceber que não sabemos muitas coisas e que o mundo não se resume ao nosso país, à nossa cultura, à nossa cidade ou ao nosso ciclo de amizades. Pessoas morrem, nascem, sofrem, lutam, choram e, às vezes, nós reclamos porque nosso chefe nos chama atenção ou porque nossos pais são ausentes ou não podemos comprar tudo o que queríamos...
  

Um soco no estômago, seria assim minha definição para este documentário lançado em 2008 e realizado por Nathan Rissman. Perdi as contas de quantas vezes não consegui conter as lágrimas diante da realidade tão crua e, por que não dizer, cruel. Não chorei por pena. Aliás, ninguém nunca deve ter pena do povo africano. Eles são fortes por natureza, alegres de nascença e com o sorriso no olhar que poucos conseguem ter. Eles são felizes e agradecem pelo pouco que tem. Quantas pessoas você conhece que são capazes de ser feliz com tão pouco? A maioria só reclama e, quanto mais tem, mais quer. Não quero dizer com isso que o povo africano gosta de ver seus filhos nascerem condenados a viverem o resto de suas vidas com a AIDS ou que um pai gosta de ver sua família passar fome, mas é que nós estamos tão acostumados a olhar só para o nosso próprio umbigo, que esquecemos que existem mais de 6 bilhões de pessoas habitando o mesmo planeta que nós.

Uma das cenas que mais chocou foi uma mulher vítima do vírus HIV. Ela não conseguia mais andar, os ossos frágeis a impossibilitavam até mesmo de tomar banho sozinha. Mãe de um menino, ela dizia que o que mais lhe doía era saber que ela estava morrendo e que não conseguiu realizar nem metade do que queria. Quase sem forças para continuar falando, a mulher lamentou não poder ver seu filho crescer, ir a uma escola e formar uma família. Poucos dias depois, ela morreu e o filho... Bom, ele é mais um entre tantas crianças órfãs de Malawi.
  

O documentário é focado nas crianças e acho que isso é o que prende o espectador. Crianças que desde tão cedo descobrem a maldade do homem e que desde tão cedo precisam ser adultos e abdicar da infância se quiserem sobreviver; que precisam cuidar uma das outras para estarem "seguras".

Confesso que é difícil compreender a cultura africana em alguns aspectos, mas não estou aqui para julgar, apenas para expor os fatos. Pessoas que acreditam que ficarão ricas se deceparem os órgãos genitais de um menino que mal chegou à puberdade, é a prova de que este continente foi esquecido pelo resto do mundo. Eu não acredito que eles fazem isso por maldade, mas a crença em uma tradição milenar precisa ser contestada. Nós não podemos apenas dizer que é loucura sem dar-lhes uma razão para parar com isso. A sociedade de Malawi é, em sua essência, desconhecedora, mas não porque quer e sim porque não tem as ferramentas necessárias para crescer e se tornar auto suficientes.
       

O documentário não exibe apenas o lado "no hope", o que acho importante. Ele mostra ainda os esforços da organização com fins de caridade fundada por Madonna, a Raising Malawi. Mostram um povo que tem força para mudar sua realidade. O que fica bem claro é que se o mundo olhasse mais pela África e em prol da África, quem sabe esse povo pudesse crescer. Assim como as crianças de Malawi, há crianças na Índia, no Iraque, na China e em tantos outros países que sofrem, claro que cada uma com seus problemas específicos, mas sofrem diariamente. Enquanto nós sonhamos com um emprego que nos eleve como profissionais, dinheiro, status, felicidade, aquelas crianças só gostariam de ter seus pais por perto e aquelas mãe só queriam ter seus filhos de volta. Aí vão três motivos para vocês assistirem I Am Because We Are: 1° a fotografia é maravilhosa; 2° o texto, escrito por Madonna, é um dos pontos fortes de todo o documentário e 3° o depoimento do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, já vale por todos os outros motivos.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do documentário I Am Because We Are:


I Am Because We Are (EUA, 2008) Dirigido por Nathan Rissman. Estrelando Bill Clinton, Desmond Tutu, Jeffrey Sachs, Jeffrey Sachs...

3 comentários:

  1. Confira a dica da apresentadora Hebe Camargo para aproveitar as maravilhas da vida: http://bit.ly/eclRyA. #saúdenãotempreço

    Siga-nos no Twitter e fique por dentro da campanha Saúde Não Tem Preço: www.twitter.com/minsaude
    Para mais informações: comunicacao@saude.gov.br ou www.formspring.me/minsaude
    Obrigado,
    Ministério da Saúde

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  2. Acho q chama mais atenção a situação na África porque grande parte da população tá no mesmo barco, tá na pior. Mas no Brasil também temos esses problemas...não sei se devemos nos focar na maioria ou nos mais próximos na gente...O que vale é ajudar como e a quem podemos...

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  3. Ótimo texto Alice.
    Me lembrou um texto que li uma vez, sobre negros albinos. Também bem interessante.

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