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#955-Efeito Borboleta

*Por Ray de Aguiar - raydeaguiar@daiblog.com.br

Ashton Kutcher é um ator mal compreendido. Pelo menos na minha opinião. Não que suas atuações até hoje tenham sido a nível de Oscar, mas ele tem mostrado evolução ao longo dos anos. Caracterizado como o típico personagem “galã-bobão” de comédias românticas, ele ocasionalmente tenta provar que possui uma veia mais dramática ao interpretar personagens mais sérios, como em Anjos da Vida – Mais Bravos Que o Mar. Todo esse processo de evolução começou com Efeito Borboleta (2004).

 Kutcher interpreta Evan Treborn, um jovem que tem freqüentes bloqueios de memória. Traduzindo: de vez em quando, a mente dele sofre uns “apagões” e ele não se lembra de nada do que fez durante esse apagão. Depois de alguns testes e sessões com um psiquiatra, Evan (aqui ainda com sete anos) é aconselhado a escrever suas atividades em diários, de forma que poderiam ajudá-lo a relembrar qualquer memória bloqueada de um eventual apagão. Em meio a vários momentos de intensidade durante sua infância e adolescência (com 13 anos), ele sempre manteve uma ligação com a garota Kayleigh (Amy Smart, de Espelhos do Medo e Mórbido Silêncio), o que não era nada agradável aos olhos do irmão ciumento dela, Tommy (William Lee Scott), que, por sua vez, descarregava sua raiva em Lenny (Elden Henson), ou melhor, praticava bullying, pra usar um termo da moda.
A história é complexa. Pra resumir: já na idade adulta, com as feições de Kutcher e estudando Psicologia na faculdade, Evan relê um de seus diários e sua mente retrocede no tempo, fazendo com que sua consciência volte para o exato momento descrito no diário que lê. Ele percebe que, ao fazer isso, pode mudar o que acontecera e, dessa forma, alterar os acontecimentos do presente, que não estava muito agradável (já que traumas antigos foram desenterrados para alguns personagens). O problema é que para toda ação existe uma reação, como diria Isaac Newton. E nem sempre é algo bom. É nesse contexto que se encontra o fio condutor dramático da história.
Como nos filmes da trilogia De Volta Para O Futuro, Evan pode voltar no tempo e mudar o passado para tentar melhorar seu futuro. A partir daí, é iniciada uma sequência um tanto linear, digamos assim: Evan volta no tempo, muda um acontecimento, altera sua realidade, descobre que algo ruim aconteceu e volta no tempo para tentar consertar. Digo “linear”, justamente porque acaba contrastando com a temática do filme, o tal “efeito borboleta”, que por si só é algo “não-linear”, já que é um efeito da teoria do caos, que diz que “um simples bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão no outro lado do mundo”.
A crítica em geral considerou o filme uma bomba. Pra mim, foi um equívoco. É muito complexo? Matrix foi dez vezes mais e foi um sucesso justamente por isso (pelos efeitos também, claro). O filme trata de maneira intensa elementos como poder, julgamento, moralismo e sacrifício. Apresenta situações que podem servir de argumento para provar que uma alteração, por mínima que seja, pode desencadear um rumo completamente diferente em nossas vidas. De certa forma, é uma lição de que não podemos voltar ao passado e dar um “ctrl+z” no que erramos. Até porque os próprios cientistas divulgaram recentemente que viagens no tempo são impossíveis. E mesmo se pudéssemos, deveríamos fazê-lo? Ora, não são exatamente as dificuldades, os momentos de angústia, que nos tornam fortes e moldam nossa personalidade? Como diria Alfred em Batman Begins: “Nós caímos para aprendermos a nos levantar”.
Voltando ao Ashton Kutcher: a crítica de sua atuação no filme recai em dois pontos totalmente sem fundamentos. Primeiro porque alguns não conseguem dissociar o ator do personagem Kelso da série That ‘70s Show. Como eu acho esse argumento um tanto egoísta, vou ser também. Não assisti a série, então não tenho problemas em dissociar o ator do personagem. Segundo é que, apesar de ser um papel mais sério, Kutcher ainda apresenta alguns trejeitos desengonçados (talvez pelos seus 1,89 m de altura) o que descaracteriza o personagem. Pode até ser, mas não justifica malhar o cara por isso. Há sim profundidade em sua interpretação. E somente aqueles que possuem sensibilidade apurada, conseguem se identificar com o drama de Evan em querer salvar os amigos, sua mãe e, principalmente, sua amada Kayleigh. Como ator profissional, sugiro estudarem um pouco as técnicas de pesquisa das artes cênicas antes de criticarem uma atuação. Gosto não se discute, mas tenham uma razão plausível para não gostar.
Enfim, Efeito Borboleta é um bom filme, com boas atuações, e é um bom entretenimento. Não sei se este texto irá fazer com que alguém reveja seus conceitos de crítica. Mas, citando a própria teoria do caos, quem sabe, daqui alguns anos, este texto cause um tufão do outro lado do mundo... (Leia aqui o texto de Efeito Borboleta 2)
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Efeito Borboleta legendado em português:


The Butterfly Effect (EUA, 2004) Dirigido por: Eric Bress e J. Mackye Gruber. Com: Ashton Kutcher, Amy Smart, Elden Henson, William Lee Scott, Melora Walters, Eric Stoltz...

Daiblog Quer ver o filme Efeito Borboleta?

7 comentários:

  1. Entre os filmes q ele fez (e eu assisti), com certeza Anjos da Vida é o melhor.

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  2. É mesmo um ótimo filme, original. Ashton Kutcher se supera mostrando versatilidade. Adorei.

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  3. natália12:51 AM

    muito bom o texto.Parabéns!

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  4. Parabéns pelo post

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  5. Anônimo9:14 AM

    O melhor filme do gênero, pena que o 2 não manteve a qualidade. Trilha sonora Perfeita também.

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  6. Débora9:50 AM

    Efeito Borboleta 1 é simplesmente perfeito,as sequências mancharam a imagem de EB de tão ruim que são.

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  7. ja vi esse filme, sei lá, umas 20 vezes
    me amarro

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