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#1012-Simples Mortais

*Por Raíssa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br
Longa-metragem de estreia do diretor Mauro Giuntini na ficção, Simples Mortais não é apenas mais uma produção cinematográfica nacional, mas um exemplo de perseverança dos cineastas e admiradores da arte brasileira. Vencedor do Troféu Câmara Legislativa de melhor longa da Mostra Brasília do 40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e melhor ficção no 16º Cinesul – Festival Ibero Americano de Cinema, o filme teve sua primeira exibição pública em 2007, chegando aos cinemas apenas agora, devido a burocracia e falta de apoio de distribuidoras. 

Por meio de três núcleos de personagens, a trama apresenta histórias de famílias incompletas e até mesmo infelizes, recheadas com agravantes como a idade limite para realização de sonhos, choques de geração, frustração profissional e sexo como rota de fuga. A jornalista que deseja ser mãe e o professor-artista que elege uma aluna como musa inspiradora, são alguns dos caminhos pelos quais se trabalham as relações humanas, utilizando como pano de fundo a arte, o afeto e o trabalho - e como esses três itens por vezes entram em conflito.

A narrativa mais cativante é a de Amadeu e Kadu, papéis de Chico Sant’Anna (Uma Vida em Segredo) e Eduardo Moraes (ex-integrante da Cia Comédia De 4 é Melhor), que apresenta uma delicada e cúmplice relação entre pai e filho. Artista desmotivado, que abdicou do sonho maior para cuidar da família, o músico Amadeu mantém a paixão viva tocando teclado pela cidade de Brasília. O contraste do pai com o filho, também apaixonado pela música, mas com uma visão totalmente diferente da vida, rende os melhores momentos do filme. A atuação em Simples Mortais rendeu a Chico Sant’Anna o prêmio de melhor ator, e a Eduardo Moraes o prêmio de melhor ator coadjuvante, ambos no 12º Cine PE – Festival Audiovisual do Recife. Completam o elenco principal Leonardo Medeiros (Não Por Acaso, Nossa Vida Não Cabe Num Opala, 5 Frações de Uma Quase História, Quanto Vale Ou É Por Quilo?) e Narciza Leão (Araguaya – Conspiração do Silêncio).
Apesar de não ser um filme de época, houve preocupação na pesquisa e montagem de cenários e objetos. “Antiguidades” como discos de vinil, vitrolas e máquinas de escrever aparecem funcionando em cena. A produção, totalmente brasiliense, também procurou apresentar uma capital federal diferente da transmitida tradicionalmente em filmes e programas, mostrando cenários como blocos de entrequadras, livrarias, universidades e rodoviárias da cidade. Uma nova Brasília aos olhos do público.
Além da dificuldade para chegar ao grande mercado, a trama também recebeu críticas negativas, principalmente relacionadas a velocidade da narrativa e a representação do universo feminino. A história foi inclusive considerada machista. Entretanto, a mera existência de um projeto tão único e persistente merece ao menos despertar a curiosidade do público.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Simples Mortais:


Simples Mortais (Brasil, 2010). Dirigido por Mauro Giuntini. Com Leonardo Medeiros, Chico Sant’Anna, Narciza Leão, Eduardo Moraes, Sérgio Sartório, Tatiana Muniz, Alice Stefânia, Ada Luana, Camila Meskel...

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