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#1029-J.Edgar

*Por Raíssa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br
O FBI da forma como conhecemos hoje surgiu na década de 1920, após uma reestruturação que eliminou agentes corruptos, incorporou a investigação científica e sigilosa, e exigiu membros comprometidos com a segurança dos Estados Unidos. Mas o FBI atual, sinônimo de eficácia policial, não existiria sem as ideias inovadoras de John Edgar Hoover, criador e primeiro diretor da agência que ficou no comando por quase 50 anos, servindo a nada menos que oito diferentes presidentes norte-americanos.
A personalidade controversa do fundador do FBI é retratada em J. Edgar, nova obra de Clint Eastwood (Gran Torino, A Troca), vencedor do Oscar de melhor diretor por Menina de Ouro. Leonardo DiCaprio (A Origem, Ilha do Medo) é o responsável por encarnar Hoover, recontando a trajetória do diretor iniciada com a primeira ação de sucesso em 1919. Aos poucos, o público conhece a vida de um homem tão inteligente e brilhante quanto reprimido e egocêntrico, ainda que, não menos, genial. Também são apresentados personagens essenciais na biografia do agente, como sua mãe dominadora, interpretada pela veterana Judi Dench (O Violinista que Veio do Mar, Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas), o braço direito Clyde Tolson (Armie Hammer – A Rede Social), e a secretaria Helen Gandy (Naomi Watts – A Casa dos Sonhos).
Com a trama, é possível descobrir ainda a influência exercida por Hoover na investigação criminal atual: sua obsessão por impressões digitais e a crença de que a ciência poderia ser usada na resolução e comprovação de crimes são algumas das provas diretas da extensão de sua contribuição. O profissional Hoover, entretanto, não é o único desvendado em J. Edgar. Por trás da imagem corajosa existia um homem profundamente reprimido, com uma necessidade imensa de se tornar reconhecido e idolatrado, uma vontade suprema de agradar a mãe, uma paranoia imensurável alimentada por elaboradas manias de organização e um ardiloso esquema de proteção montado com arquivos secretos de personalidades importantes.
O ponto mais interessante, e abordado com delicadeza sublime por Eastwood, é a relação entre Hoover e Tolson, que muitos, à época acreditavam ser amantes. A cumplicidade explícita do possível casal homossexual brigava diretamente com a imagem de policial durão que o diretor do FBI tanto buscava. Importante lembrar que, nas décadas de 30 a 50, o homossexualismo era algo inadmissível, comportamento que, infelizmente, persiste em algumas mentalidades atuais. Para alguém tão confuso e perdido quanto Hoover, encontrar a paixão fora dos padrões normais era digno de muito sofrimento e autocensura.
Para retratar os Estados Unidos do passado, a fotografia é utilizada com primazia. Estão lá o tom cinzento dos filmes noir e o colorido da década de ouro dos EUA. A maquiagem, presente nas cenas que intercalam flashbacks durante toda história, também é impecável, conseguindo fazer com credibilidade a transição de anos para DiCaprio, Hammer e Watts. Duas grandes cenas dramáticas chamam atenção na obra: a reação de Hoover, e depois, a reação de Tolson, ao perderem pessoas importantes de suas vidas. Num dos mais antigos clichês cinematográficos existentes, os bravos também choram. E muito.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme J. Edgar:

J.Edgar (EUA, 2011). Dirigido por Clint Eastwood. Com Leonardo DiCaprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Judi Dench, Josh Lucas, Dermot Mulroney, Ed Westwick, Jessica Hetch, Lea Thompson…

Um comentário:

  1. Um filme super bem conduzido, que esbanja classe pelas atuações de Di Caprio que é um monstro em cena, Armie que interpreta muitíssimo bem seu fiel amigo, pela direção de Eastwood, sem falar na direção de arte, maquiagem, figurino, fotografia, tudo em excelência! Um ótimo filme... ah! Já ia me esquecendo. Palmas para Leonardo DiCaprio!!

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