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#1032-Histórias Cruzadas


*Por Raíssa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br

Falar de racismo nos Estados Unidos sempre foi tenso. Mesmo que hoje o país tenha um presidente negro, algumas raízes infelizmente não estão nem perto de serem arrancadas. No auge dos anos 60, o tópico era mais que um tabu, e a segregação racial quase uma lei, especialmente na região Sul da nação, tradicionalmente escravocrata. É nesse contexto histórico que se passa a trama de Histórias Cruzadas, adaptação para os cinemas do best-seller de Kathryn Stockett, publicado em 2009.

Nova queridinha das telas, a atriz Emma Stone (Amor a Toda Prova, Zumbilândia) interpreta Eugenia Skeeter Phelan, uma jovem de 20 e poucos anos que volta a cidade natal, no estado do Mississipi, depois de se formar da faculdade. Ao contrário das amigas de infância, que se transformaram em típicas donas de casa, Skeeter sonha ser escritora e firmar uma carreira. Cativada pela antiga babá negra, que praticamente a criou, a moça resolve investir numa ideia absurda e perigosa para a época: contar histórias de domésticas pelo ponto de vista delas. Para tanto, Skeeter precisa convencer a terna Aibileen (Viola Davis – Comer, Rezar, Amar) empregada e babá na casa de uma de suas melhores amigas, a participar da empreitada.
De forma muito delicada, o diretor Tate Taylor consegue trazer para discussão a realidade da sociedade norte-americana da época com toda sua profundidade: as atitudes racistas, a covardia, a ingratidão, mas também a inocência e a dor. A parceria da doméstica Minny (Octavia Spencer – vencedora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel) com a patroa Celia (a incrível Jessica Chastain, A Árvore da Vida) mostra ao mesmo tempo ternura e maldade. Despedida por motivos absurdos, Minny se vinga da antiga patroa Hilly (Bryce Dallas Howard – A Vila, Saga Crepúsculo: Eclipse), perfeita transcrição da classe média hipócrita e materialista. A doméstica só consegue outro emprego na casa de Celia, forasteira rejeitada por ter se casado com um dos bons partidos da cidade. A inocência da patroa se choca violentamente com a experiência de vida da empregada turrona, mas o que se vê como resultado não são faíscas, mas a construção de uma bela amizade.
Assim como no livro fictício da trama, as verdadeiras protagonistas de Histórias Cruzadas são as empregadas negras, presentes, necessárias, mas ao mesmo tempo invisíveis e tratadas como mercadorias. Ainda assim, elas mostram ser capazes de amar, sentir e cuidar de vidas que não são suas e que talvez nunca lhes deem valor. Como Skeeter, as domésticas também guardam o desejo de fazer algo que marque o presente e mude o futuro.
O cenário, o figurino e a ambientação do filme ajudam a transportar o espectador para a nostálgica década de 60 com outros olhos. O elenco principal, completado por divas como Sissy Spacek (Vivendo na Eternidade) e Allison Janney (Juno) encarna com primazia os diversos estereótipos que trazem não somente tristeza, mas humor e até mesmo, esperança. Acima de tudo, o que não falta em Histórias Cruzadas é reflexão, e, porque não dizer, culpa e um enorme pedido de perdão. E a torcida para que o que aconteceu no passado entre brancos e negros não se repita entre raças, países e religiões.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Histórias Cruzadas:

The Help (EUA / Índia / Emirados Árabes Unidos, 2011) Dirigido pro Tate Taylor. Com Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain, Ahna O'Reilly, Allison Janney, Anna Camp...

2 comentários:

  1. Realmente um ótimo filme, destaque para o tema central do filme e a forma que o filme foi dirigido, mostrando todas as situações de abuso com muita naturalidade, pelas ótimas interpretações, vale a pena!

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  2. Realmente um ótimo filme, destaque para o tema central do filme e a forma que o filme foi dirigido, mostrando todas as situações de abuso com muita naturalidade, pelas ótimas interpretações, vale a pena!

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