Super Hiper Mega Banner

#1041-Reis e Ratos

*Por Raíssa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br

Brasil, 1963. Durante a tensão da Guerra Fria, o país enfrentava seus próprios problemas políticos. Insatisfeitos com os rumos do governo tupiniquim, os Estados Unidos arquitetam uma forma de desmoralizar o presidente brasileiro e entregar o poder nacional para os militares. Parece familiar? Pois esse é o pano de fundo de Reis e Ratos, novo filme do diretor Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny).

Troy Somerset (Selton Mello – O Palhaço) é uma agente da CIA baseado no Brasil, sob a fachada de proprietário de uma loja de sapatos. Juntamente com seu parceiro, o brasileiro Major Esdras (Otávio Müller – A Mulher do Meu Amigo), o norte-americano bola um plano capaz de acabar com a vida e a moral do presidente brasileiro, conhecido apenas como Pavão. Para tanto, a dupla contará com a relutante ajuda da corista Amélia Castanho (Rafaela Mandelli) e do vigarista Roni Rato (Rodrigo Santoro – Não por Acaso). Quando as coisas dão errado, Somerset e Esdras tentam eliminar os comparsas, mas são impedidos de completar a tarefa pelo popular radialista/vidente involuntário Hervé Gianinni (Cauá Reymond – Divã), que insiste em entregar os planos durante as transmissões de seu programa.
Com cara de filme noir, Reis e Ratos até poderia ser considerado uma paródia do gênero nos primeiros momentos: estão lá a figura do narrador, os flashbacks, e até as cenas em preto e branco (ainda incomuns no cinema nacional). No decorrer da trama, entretanto, o que vemos é uma divertida adaptação, cheia de humor politicamente incorreto sem cair no pastelão. Vários clichês fazem parte da história, como o cafetão, o agente secreto, o militar negro e viril. Mas tudo isso colabora para deixar a trama ainda mais recheada de bons momentos.
Filmado em apenas 17 dias em cenários reaproveitados de O Bem Amado, o roteiro traz caminhos interessantes e permite boas construções de personagens. Os sotaques e as pronúncias dos norte-americanos, encabeçados por Selton Mello (perfeito por sinal), são hilários e lembram a dublagem de antigos filmes de espionagem. Aliás, as entonações de Mello, Santoro e Reymond, diferentes entre si e perfeitamente encaixadas em seus personagens, são marcantes e presentes durante toda trama.
A composição visual do personagem Roni Rato é um capítulo a parte. Aqueles acostumados a admirar a beleza de Rodrigo Santoro podem se decepcionar: sujo, cheio de cicatrizes e visivelmente magro, o ator também ganhou uma prótese dentária que altera sua fisionomia. Por vezes, o vigarista viciado parece estar se desfazendo em pedaços que insistem em aparecer (e enojar) os companheiros de cena.
As cenas da dupla Mello-Müller são repletas de diálogos rápidos e tiradas improvisadas, que podem não arrancar gargalhadas constantes, mas certamente provocarão risadas incontroláveis. A capacidade brasileira de tirar sarro de si mesmo também está presente, dando margem para sequências impagáveis. O filme pode ser considerado como uma experiência que vale a pena ser conferida, uma forma de comédia mais sutil e com visual bem produzido. Além disso, é uma chance de conferir que, ao contrário do que acredita o pensamento popular, é possível copiar ideias e estilos de fora e deixá-los com cara de Brasil.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog
Veja aqui o trailer do filme Reis e Ratos:
Reis e Ratos (Brasil, 2012). Dirigido por Mauro Lima. Com Selton Mello, Otávio Müller, Rafaella Mandelli, Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Orã Figueiredo, Paula Burlamaqui, Seu Jorge, Élcio Romar, Helio Ribeiro, Daniel Alvim, Kiko Mascarenhas, Oberdan Jr., Edmilson Barros, Marcelo Adnet...

Nenhum comentário

Todos os comentários do Cine61 são moderados por nossa equipe. Mensagens ofensivas não serão aprovadas. Obrigado pela visita!

Tecnologia do Blogger.