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#1054-Heleno


*Por Tiago Fernandes (especial para o Daiblog)

Antes de qualquer coisa, é bom dizer que Heleno - O Príncipe Maldito não se trata de um filme sobre futebol, mas sim sobre a vida do performático e polêmico jogador que foi ídolo no Botafogo durante os anos 40 e que até hoje é lembrado com carinho pela torcida alvinegra. Seguindo a nova moda de longas nostálgicos em preto e branco, coincidentemente as mesmas cores do time carioca, o filme, dirigido por José Henrique Fonseca (O Homem do Ano) e que tem o badalado Rodrigo Santoro (Reis e Ratos) no papel principal, conta os erros e acertos (muito mais erros) do jogador que amava demais as mulheres, as drogas e, claro, o futebol. Analisando friamente, dá para afirmar que o filme mostrou, com certa fidelidade, os anos mais emblemáticos da vida do jogador.

O longa começa surpreendendo logo na primeira cena, quando Rodrigo Santoro aparece comendo (literalmente) recortes de jornais pregados na parede. Isso, na verdade, é o fim. Pois, ao mostrar os flashbacks da época em que viveu o ápice, esse herói que não deu certo, aparece sadio e mais vivo do que nunca. A atuação de Rodrigo Santoro é quase perfeita, deixando claro que não há ator brasileiro como ele na atualidade. Elogiado até pela crítica americana, realmente Santoro se mostrou ser tão guerreiro como o personagem que atua. A entrega ao papel é nítida e fica ainda mais evidente nas cenas em que o protagonista aparece magro e com a expressão envelhecida. A fase decadente de Heleno, consumido pela sífilis e pelo uso excessivo de éter, é passada em um sanatório de Barbacena (MG).
Já na parte glamourosa de sua vida e carreira, ele era manchete dos jornais quase que diariamente e chegou a ser o primeiro jogador de futebol a dar entrevista para uma rádio. Na trama, o carisma dele com o público, principalmente feminino, era grande, mas não foi isso que o personagem transmitiu para os espectadores ao longo da história. O lado positivo do craque de bola e galanteador é exaltado muito menos do que o lado grosseiro, arrogante e inconsequente, o que pode deixar uma impressão de antagonista em alguns momentos.
O futebol em si, na verdade, nem aparece muito e se define em umas duas ou três cenas onde ele mata a bola no peito e dá alguns dribles com a bola no pé, o que frustrará aqueles que vão ao cinema para ver os grandes lances e os bastidores das partidas. Mas a abordagem agradará o público que quer conhecer melhor a biografia do ex-craque.
Torcedor fanático fora e até dentro de campo, a maior prova que o craque realmente amava a camisa do seu time e não jogava apenas por dinheiro é a cena marcante em que o jogador questiona o dinheiro extra recebido, mesmo após o time ter perdido a final do Campeonato Carioca. Essa é apenas uma das confusões protagonizadas por Heleno. Sua vida era repleta de polêmicas, tumultos e atos impensados. Atos que preocupavam sua esposa, Silvia (Alinne Moraes), e que incendiavam a relação com sua amante, a cantora Diamantina (Angie Cepeda). Aliás, as duas merecem destaque, pois conseguem transmitir a paixão envolvente sentida pelas suas personagens.
E é quando Heleno alcança o que seria o ápice para a maioria dos jogadores e é vendido para o Boca Juniors da Argentina por uma quantia recorde, que sua vida começa a declinar. Com roteiro um pouco confuso, o filme vai e volta no tempo diversas vezes, mostrando desde o sucesso sem precedentes, até a degradação absoluta de Heleno e os momentos em que ele se trata na clínica. No entanto, tantas idas e voltas exigem atenção para não se perder no desenrolar da história. E aí que começam os erros.
A sensação que fica no final é que, para entender o delinear da história por completo, precisaria conhecer a história do jogador antes de ver o filme. A morte do jogador, que faleceu com 39 anos, por exemplo, não é nem citada e, seu único título carioca, conquistado quando jogou pelo Vasco da Gama, em 1949, também passa desapercebido. Remate: Mal ou bem, não se pode negar que o longa tem sua poesia e seu charme, assim como Heleno, que só queria conquistar o mundo, ora bolas. Como ele mesmo diz no filme, o que ele gosta mesmo é de “gols, cinturinhas e Cadillacs”. Mas, na verdade, ele gostava de muito mais do que isso. Se o final dele não foi feliz, foi porque ele amava demasiadamente coisas demais. E apesar das drogas estarem presentes a todo instante, em forma de álcool, cigarro ou éter, o filme deixa claro que o maior vício de Heleno era pelo futebol, aliás, pelo Botafogo de Futebol e Regatas.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog
Veja aqui o trailer do filme Heleno:
Heleno (Brasil, 2011) Dirigido por José Henrique Fonseca. Com Rodrigo Santoro, Duda Ribeiro, Alinne Moraes, Henrique Juliano, Orã Figueiredo, Angie Cepeda, Herson Capri, Othon Bastos, Maurício Tizumba...

2 comentários:

  1. Ótimo texto e ótimo filme. Esperava menos, mas até que é no final teve mais pontos positivos do que negativos.

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  2. Não dava muita coisa por esse filme, mas é excelente!! Rodrigo Santoro é um monstro em cena, num filme muitíssimo bem reproduzido, com um direção de arte que remete ao tempo de Heleno, mostrando o homem glorioso e impetuoso, se tornar precocemente um fracassado. Gostei!!

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