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Palco Daiblog - O Labirinto



*Por Raíssa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br
Seis pessoas acordam em um misterioso e enorme labirinto. Para sair da cilada, terão que enfrentar surpresas e usar a inteligência para superar desafios. Esta é a premissa de O Labirinto, filme produzido por alunos de Rádio e TV da Unesp Bauru para a conclusão do curso. No melhor estilo “você decide”, a produção permite que o público escolha a sequência de cenas e o desfecho da história, que pode ser conferida no endereço http://olabirinto.com/. Um dos responsáveis pelo projeto, Bruno Jareta conversou com o Daiblog sobre o filme e sua proposta inovadora de exibição: a internet.
Daiblog – Como surgiu a ideia central de O Labirinto?
Bruno Jareta - O Labirinto é o projeto de conclusão de curso de cinco alunos, mas foi realizado por seis. No início de 2010, quando começamos a conversar sobre o que realizar nesta etapa da universidade, estávamos totalmente livres. Não tínhamos restrições de formato nem limitações criativas. Chegamos primeiro a ideia de criar um filme com histórias que se cruzassem. Depois de pensarmos no conceito inicial da nossa trama, notamos como ela tinha o potencial de ficar mais interessante caso pontos de interação fossem oferecidos ao público, por meio dos recursos da internet, que era outro objetivo da equipe. Assim surgiu a ideia e o formato de O Labirinto.
Como foi a recepção da banca acadêmica e do público em geral?
A banca adorou o projeto e nos avaliou com a nota máxima. Tanto nas exibições públicas como na internet, recebemos vários elogios. Tivemos até hoje quatro exibições interativas, duas em Bauru (SP) e duas em Brasília. E também temos o filme na íntegra online. O principal elogio é para o formato interativo, que prende a atenção e deixa a trama mais divertida. Já a principal crítica é relacionada a algumas atuações.
O filme possui mais cenas do que uma produção regular? Os caminhos escolhidos pelo
internauta podem trazer mais ou menos informações?

Garantir que o público pudesse percorrer um caminho dentro da trama e chegar ao final com o mínimo necessário de informações para concluir uma unidade de sentido foi a principal preocupação no processo de desenvolvimento do roteiro. Num filme interativo com a estrutura de O Labirinto, a ordem de fragmentos que o espectador optará é imprevisível. Elas são infinitas devido aos loopings [as ‘voltas’ que o roteiro dá]. A solução encontrada foi dispor a história como uma espécie de quebra-cabeça, em que as peças são as informações sobre o passado das personagens. Inserimos os flashbacks mais vitais nos cinco finais disponíveis, nos percursos de maior probabilidade de trajeto. Os flashbacks secundários são complementares aos principais, e não prejudicam quem não passar por eles, mas sim dão mais informação para quem os viu. É muito interessante ouvir as diferentes interpretações do público. Muitos anteciparam os finais de formas nunca previstas por nós, roteiristas, graças à ordem de como assistiram ao filme.
Quanto tempo material O Labirinto tem?
O filme tem cerca de 90 minutos, somadas todas as partes. Já o material bruto possui cerca de seis horas de duração.
O projeto tem uma coisa bacana de personalidade, tanto na trama quanto na trilha sonora e cenários. Quais foram as influências para bolar a história?
Foram cinco estudantes desenvolvendo o projeto. Cada um responsável por áreas diferentes da produção audiovisual e aplicando suas referências em cada uma delas. No meu caso, três obras tiveram maior influência: os filmes Cubo e 11:14; e o seriado Lost. Meu interesse profissional pelo cinema estava começando quando vi pela primeira vez o filme Cubo, em 1997. Fiquei encantado com a simplicidade da produção e a complexidade da trama. O cenário era praticamente o mesmo, e sete atores o filme todo. Prova de que um filme não precisa de cenários e elenco numerosos para ser bom. Quando estávamos pensando em o que produzir para o TCC, nas condições de poucos recursos financeiros, lembrei-me do Cubo e vi que nossa ideia de criar histórias que se cruzassem aproveitando as ferramentas fornecidas pela internet era perfeitamente possível, mesmo com investimento limitado. Já o 11:14 apresenta muito bem várias histórias paralelas e foi uma das referências que me ajudaram a editar O Labirinto, tarefa muito difícil num filme interativo multilinear.
Quais são seus ídolos no cinema e seus estilos cinematográficos preferidos?
Tenho muitos ídolos clássicos e contemporâneos no cinema: Tim Burton, Hitchcock, Polanski, Wes Craven e Christopher Nolan são alguns exemplos. De certo modo, nossos ídolos e suas obras moldam nossos gostos e isso se reflete em nossas produções. A equipe do projeto é bem eclética. Temos integrantes que adoram séries, outros preferem novelas, outros não são muito fãs de narrativas seriadas... Isso agregou muito no desenvolvimento do roteiro. O tempo todo séries, novelas, músicas e filmes dos mais variados tipos eram lembrados, para embasar uma nova ideia ou um argumento.
Você gosta de seriados? Eles também tiveram influência no projeto?
Eu, particularmente, sou atraído por seriados mais pelo seu conteúdo do que pelo formato em si. Também sou assim com filmes, livros... Lost foi uma das minhas referências e influenciou no nosso filme o estilo fragmentado e fora de ordem de apresentar o passado das personagens. Também existe a ideia da não-linearidade no espaço e no tempo da trama, muito explorada em O Labirinto.
Depois da finalização do projeto, o que mudou na sua carreira e na da equipe? Muitas portas se abriram?
O filme superou nossas expectativas de repercussão. Acumulou mais de 5 mil visitas na internet, ganhou posts em grandes blogs, reportagens em mídias locais e nacionais, e foi convidado para uma mostra internacional, em Brasília. Isso é muito importante para a carreira dos integrantes da equipe. Hoje cada um seguiu um caminho dentro dos diversos oferecidos em nossa área. Mas certamente O Labirinto ajudou e continuará ajudando no percurso profissional de todos [Bruno é cofundador e diretor executivo da Neurônio Produtora, onde trabalha com processos de produção audiovisual]. Recentemente conversamos sobre um novo projeto, ainda em fase de discussão. Temos vontade de fazer tanto uma sequência para O Labirinto, como novos filmes interativos.

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