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#1125-Curvas da Vida

*Por Ray de Aguiar - raydeaguiar@daiblog.com.br

Beisebol é um esporte que não possui muita familiaridade no Brasil. Com o futebol sendo algo intrínseco da cultura brasileira, não é surpresa que filmes que usam um esporte diferente como temática não façam muito sucesso por aqui. Apesar disso, Curvas da Vida chega a usar o beisebol como algo em segundo plano, focando nos problemas de uma relação entre pai e filha.

Clint Eastwood interpreta Gus, um velho olheiro que começa a apresentar indícios de cegueira. Como se não bastasse, sua aversão pelas tecnologias modernas também o desfavorece, já que os olheiros atuais utilizam de estatísticas e cálculos no computador para determinar o futuro de um jovem atleta. A figura da modernidade desenfreada é representada pelo personagem Phillip Sanderson (Matthew Lillard). Suspeitando de que algo não vai bem, o chefe de Gus, Pete Klein (John Goodman), pede para que a filha do olheiro, Mickey (Amy Adams, de Encantada) acompanhe o pai numa viagem de trabalho.

Mickey é uma advogada obcecada pelo trabalho. Nota-se, inclusive, o uso constante do celular, algo que é espelhado no comportamento de Philiip. Claramente uma crítica à mudança de relação social que vivemos hoje em dia, com as pessoas mantendo contato mais virtualmente do que pessoalmente. Esse manifesto presente no filme possui um teor político, que chega a ser evidenciado pela cena do bar, em que outros olheiros conversam sobre cinema e um deles afirma que o ator Ice Cube é melhor que Robert De Niro por saber fazer rap. Obviamente é um discurso sobre igualdades, mas que até fica divertido por meio dessa metalinguagem utilizada na cena.
No meio da história, surge Johnny Flanagan (Justin Timberlake), ex-jogador de beisebol que tenta uma nova chance na vida trabalhando também como olheiro, mas almeja ser um locutor esportivo. Johnny representa a ideia de recomeço, algo que é explorado entre Gus e Mickey. Pai e filha sempre foram distantes e a presença de Johnny em suas vidas surge como um mediador para que ambos possam reatar os laços familiares. Algo que não será fácil pelos extremos em que vivem dentro do contexto “tradicional x moderno”, algo bastante explorado também em 007 – Operação Skyfall. A princípio, o filme parece tratar esse aspecto do tradicional como algo a ser preservado a qualquer custo. Mas a cena final demonstra, mesmo que de maneira sutil, que às vezes é “melhor deixar ir”.
Em relação às atuações, palmas para Justin Timberlake. Com exceção de um momento ou outro, ele mostra que não é só um “ex-N’Sync”, e demonstra aptidão também para a dramaturgia, como já havia feito no excelente A Rede Social. Clint Eastwood é “hors concours”, ou seja, nem precisa dizer nada. No entanto, Amy Adams aparenta pouca expressividade, apesar de protaganizar os momentos mais sensíveis do filme. Irônico que justo ela pareça atuar no “automático”, quando sua personagem é quem mais aprende a recuperar sua humanidade. Vai ver ela teve “problemas na curva”, como diz o título original. No geral, não compromete. Aliás, é um filme que vale a pena assistir. O esporte usado como pano de fundo pode não ser muito familiar, mas as relações abordadas na história são universais.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Curvas da Vida:
Ray de Aguiar fez um video falando de suas primeiras impressões do filme. Veja a seguir:

Trouble With the Curve (EUA, 2012) Direção: Robert Lorenz. Com: Clint Eastwood, Amy Adams, Justin Timberlake, John Goodman, Matthew Lillard...

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