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#1030-O Lado Bom da Vida

*Por Raíssa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br

É preciso ter uma boa mão para contar histórias de pessoas ‘fora do comum’. Sejam deficientes ou pobres, superdotados ou psicopatas, qualquer personalidade mais emocional pode cair no puro dramalhão sem uma direção segura e um roteiro bem amarrado. Em O Lado Bom da Vida, o diretor David O. Russell (O Vencedor) consegue levar muito bem às telas o comportamento de um grupo de pessoas depressivas, bipolares e extremamente ansiosas, originalmente retratado no livro de mesmo nome de autoria de Matthew Quick.

Na trama, Bradley Cooper (Se Beber, Não Case) é Pat, um cara que acaba de passar oito meses internado em um sanatório graças a uma agressão provocada pela traição da esposa. Perdidamente apaixonado pela mulher, ele tenta recuperá-la a todo o custo, mesmo que isso signifique contrariar a ordem de restrição que a justiça impôs a pedido dela. Em pleno processo de tratamento de um transtorno bipolar e um comportamento agressivo, Pat esbarra em Tiffany (Jennifer Lawrence – Jogos Vorazes), que se recupera de uma depressão profunda causada pela morte do marido em um atropelamento. Aos poucos, mesmo que aos trancos e barrancos, a relação entre os dois prova ser muito mais do que simples amizade, mas o verdadeiro remédio que ambos precisavam para retomar as rédeas das próprias vidas.

Quem já teve contato com pacientes psiquiátricos vai reconhecer a difícil realidade dos doentes e, principalmente, a dura prova que invade a vida das famílias. O roteiro de O Lado Bom da Vida consegue penetrar essa realidade de forma muito singela, sem expor as doenças da mente de forma caricata ou sensacionalista, como se tudo fosse assistido do ponto de vista de um espectador anônimo. As câmeras acompanham vários momentos dos personagens, ora frenéticos, ora totalmente estáticos, fazendo com que realmente se sinta uma parte da agonia desses pacientes.
O núcleo principal do filme também conseguiu transmitir com maestria comportamentos de distúrbio psicológico. Conhecido principalmente por comédias e romances, Bradley Cooper aparece vulnerável e explosivo ao mesmo tempo, demonstrando muito bem o conflito interno de Pat. O mesmo se aplica a Jennifer Lawrence, que ainda que já tenha transitado por diversos gêneros, parece muito mais velha e madura na pele da viúva que abusa do sexo e da bebida como válvula de escape para a dor. Ainda no elenco principal do filme está Robert DeNiro (As Duas Faces da Lei), que, como o pai de Pat, confirma a hereditariedade dos distúrbios psíquicos ao ser claramente portador de Transtorno Obssessivo-Compulsivo (TOC) e negar o fato, mesmo que seus rituais e superstições fiquem à beira do inaceitável.
Talvez seja por tudo isso que O Lado Bom da Vida esteja indicado em peso para os mais diversos prêmios do ano. A interpretação de Tiffany, por exemplo, já rendeu à Jennifer Lawrence um Globo de Ouro e um SAG Awards (o reconhecimento do sindicato norte-americano de atores), além de uma indicação ao Oscar. É extremamente interessante acompanhar a busca de dois jovens pela felicidade perdida e pela recuperação das trilhas da própria vida, ainda mais quando a leveza e o humor pontuam várias sequências da história. O Lado Bom da Vida pode provocar risos e lágrimas com a mesma intensidade e eficiência. Vale provar.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme O Lado Bom da Vida:

Silver Linings Playbook (EUA, 2012). Dirigido por David O. Russell. Com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro, Jacki Weaver, Chris Tucker, Anupam Kher, John Ortiz, Julia Stiles, Shea Whigham, Brea Bee…

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