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#1044-Django Livre

*Por Ray de Aguiar - raydeaguiar@daiblog.com.br

Django Livre não é um filme fácil de entender. Ambientado dois anos antes da Guerra Civil nos Estados Unidos, o enredo mostra a história de um escravo que, depois de conhecer um caçador de recompensas, se junta a ele na profissão. Nas mãos de muitos diretores, poderia ser um filme de péssimo gosto. Mas não nas de Quentin Tarantino, um verdadeiro cinéfilo e apaixonado pelo que faz. Não por acaso, o filme ganhou dois Oscars em 2013, de melhor roteiro original e melhor ator coadjuvante para Christoph Waltz.

Django (Jamie Foxx) é o escravo que se junta ao caçador de recompensas Dr. King Schultz (Christoph Waltz, muito bem). Enquanto saem caçando bandidos pelo Texas, Django sonha em reencontrar Broomhilda (Kerry Washington), sua esposa que foi perdida para o tráfico de escravos. Depois de muito procurar, eles chegam até Candyland, uma fazenda controlada por Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), que tem por esporte treinar escravos para lutarem entre si. Uma situação difícil de ser suportada para Django, por ter que presenciar calado o sofrimento de outros negros. No entanto, as visões que tem de sua amada o lembram a todo o instante da razão de estar ali.
O filme realmente não tem fácil digestão. Diálogos recheados de palavras ofensivas aos negros podem assustar e, até mesmo, enojar os mais sensíveis. É preciso lembrar, porém, que não é algo gratuito, para fazer graça. Era o tratamento que os escravos recebiam de seus donos. No Brasil não era diferente. Ajuda até a refletir melhor a nossa própria história, mesmo que a do filme seja abordada em outro território. As cenas de tortura não são menos chocantes. Açoitamentos, dilaceramentos... isso somente no aspecto físico.
Chega a ser surreal ver o personagem Stephen (Samuel L. Jackson, ótimo), mordomo de Calvin, sendo preconceituoso, mesmo ele próprio sendo negro e escravo. Mas Tarantino sabe como contar a história, com excelentes atuações que são amparadas nas cenas de violência de uma estética quase cômica, como já havia feito em Kill Bill – Volumes 1 e 2. As referências de cultura pop, tão presentes em seus filmes, também estão lá. Os zooms forçados dos filmes “western” antigos, as trilhas que empolgam a plateia, os ângulos que mostram os olhos dos atores ou os detalhes mais sutis, como o gotejar de uma bebida no chão. Tarantino mistura vários estilos e acaba criando um próprio. Acaba se divertindo tanto que, inclusive, está lá no filme também, “explodindo” de felicidade. Uma ótima ponta a la Alfred Hitchcock.
 Não foi surpresa que não tenha vencido o Oscar de melhor filme em 2013. A Academia, tão conservadora, poderia ser alvo de críticas ao premiar uma história que aborda um tema tão delicado, através de uma linguagem “bang-bang” dos filmes de faroeste. O cineasta Spike Lee declarou em uma entrevista que o filme é desrespeitoso com os negros. Compreensível, levando-se em conta que Lee sempre trata do preconceito em seus filmes. Entretanto, talvez ele possa estar um pouco equivocado.
Não restam dúvidas de que Django se destaca como um herói (ou anti-herói). O tempo em que apanhava de seus donos antes do início do filme não é mostrado. Mas, enquanto observa a crueldade alheia, é torturado psicologicamente, resultando em um sofrimento de vida completo, mas mesmo assim superável. E como todos sabem, não há recompensas sem sacrifícios. Talvez, por isso mesmo, Tarantino merecesse o Oscar de melhor diretor neste ano, além do de melhor roteiro original que recebeu na cerimônia da Academia. Ele consegue destilar em um filme ótimas interpretações, em um tema sensível, com uma linguagem polêmica, estética violenta, boa trilha sonora e obtém um resultado incrível. E isso, não é pra qualquer diretor.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Django Livre:


Django Unchained (EUA, 2012) Direção: Quentin Tarantino. Com: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson.

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