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#1058-Ginger & Rosa



*Por Raissa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br

O cinema mundial vem passando por uma interessante leva no gênero adolescente. Além de explorar as agruras-clichês de escola, baile de formatura etc, surgem histórias delicadas e profundas sobre os conflitos e indecisões dessa fase da vida.

As Vantagens de Ser Invisível e Moonrise Kingdom são bons exemplos dessa safra, que agora recebe Ginger e Rosa, drama escrito e dirigido por Sally Potter (Porque Choram os Homens). Na produção, ambientada em uma Londres amedrontada pela Guerra Fria, duas garotas descobrem a responsabilidade de crescer e manter a amizade que as une desde pequenas.
Bem antes de ser tornar a próxima aposta das sagas teen, Alice Englert (Dezesseis Luas) deu vida a Rosa, amiga inseparável de Ginger (Elle Fanning, Super 8) literalmente desde o nascimento. Crescendo na era pós-Segunda Guerra Mundial, as duas vivenciam inúmeras revoluções sociais, o que as põe em choque direto com as mães. Enquanto a mãe de Rosa é separada, a de Ginger é uma típica dona de casa que vive as turras com o marido, intelectual e pacifista inveterado. A relação das garotas é posta a prova quando, pela primeira vez, passam a ter prioridades diferentes. Enquanto Ginger mergulha de cabeça no ativismo contra a possível bomba nuclear, Rosa se deixa levar pela sexualidade recém-aflorada, cujo alvo, talvez, seja decisivo para mudar totalmente a vida das duas.
Ginger & Rosa consegue transportar o espectador com sucesso para a atmosfera tensa da Europa de 1962, dona de uma imensa legião de jovens sem rumo devido aos estragos da guerra. Numa época em que tudo muda, a trilha sonora escolhida casa perfeitamente com o roteiro, indo do clássico ao rock num piscar de olhos. Constam ainda inúmeras discussões filosóficas, que bem longe de se tornarem entediantes, revelam a diferença que as amigas sempre esconderam ter. Filha de artistas, Ginger é poeta, quase erudita, capaz de refletir sobre o mundo mesmo que não tenha amadurecido como pessoa. Por outro lado, Rosa sonha apenas com um amor eterno, custe o que custar, não importando se a guerra explode ou não.
A personalidade das adolescentes arranca atuações magníficas das duas protagonistas. Elle Fanning mostra que está disposta a se afirmar não apenas como sombra da irmã, Dakota, e revela uma incrível força dramática capaz de emocionar. Já Alice Englert surge petulante, quase cínica, exibindo que suas possibilidades de atuação mergulham fundo no gênero independente. Na verdade, elas são a ‘bomba’ que permeia a história.
Junte-se aí um luxuoso elenco de adultos que viram apenas ganchos coadjuvantes para o desenrolar da trama: Annette Bening (a ativista norte-americana Bella), Timothy Spall e Oliver Platt (os padrinhos igualmente engajados de Ginger), Christina Hendrick (a mãe emocionalmente descontrolada de Elle Fanning) e, por que não citar, Alessandro Nicola (Coco Antes de Chanel), que apesar de não muito conhecido do grande público, mostra um bom trabalho como ‘mentor’ das amigas. Um verdadeiro retrato de época, que, como uma ode à amizade, explora muito mais do que o esperado.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Ginger & Rosa:

Ginger and Rosa (Reino Unido/Dinamarca/Canadá/Croácia, 2012). Dirigido por Sally Potter. Com Elle Fanning, Alice Englert, Alessandro Nivola, Christina Hendrick, Oliver Platt, Timothy Spall, Annette Bening, Jodhi May

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