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#1063-Faroeste Caboclo

*Por Raissa Saraiva - raissasaraiva@daiblog.com.br

Epopeia? Saga? Épico? Difícil definir a história do “tal João de Santo Cristo”, criada e imortalizada pela mente genial de Renato Russo e sua Legião Urbana. Composta em 1979, mas lançada apenas em 1987, a música Faroeste Caboclo conta a história de João, sua alma gêmea Maria Lúcia e o rival Jeremias, em 168 versos cantados em notórios nove minutos. Agora, a trama que permeou o imaginário de vários apaixonados por rock chega às grandes telas pela mão do estreante diretor René Sampaio, brasiliense devoto à sua terra natal que levou anos para transformar a letra em um roteiro cinematográfico à altura.

Grande parte dos brasileiros (e quem sabe até dos estrangeiros) já conhece os conflitos centrais de Faroeste Caboclo. João (Fabrício Boliveira, de 400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho) é um nordestino pobre e negro, cuja vida foi influenciada e calejada por inúmeros contratempos. Ao chegar na jovem cidade de Brasília, tenta levar uma rotina longe de problemas, mas não consegue graças ao primo Pablo (o uruguaio Cesar Troncoso, de O Banheiro do Papa), “o peruano que vivia na Bolívia e muitas coisas trazia de lá”. É assim que ele conhece Maria Lúcia (Ísis Valverde, estreante no cinema mas famosa com a protagonista da microssérie O Canto da Sereia), uma estudante rica e filha de senador (Marcos Paulo, em seu último papel). A paixão entre os dois incomoda o playboy Jeremias (Felipe Abib, de Vai que Dá Certo), chefe do tráfico na região da classe alta e perdidamente enamorado da mocinha. Uma espécie de Romeu & Julieta, tão trágico e romântico quanto o original. E muito mais violento.
Para adaptar a música ao cinema, o diretor e a equipe de Faroeste Caboclo tomaram decisões ousadas, mas que não prejudicam, em nada, o tom de homenagem que ronda a produção. Novos personagens surgem para dar liga ao roteiro, como o policial corrupto interpretado por Antônio Calloni (Os Porralokinhas). Mas a sensação é que cada um dos versos originais foi cuidadosamente esmiuçado para apresentar e até mesmo explicar o que ficou implícito nas palavras de Renato Russo. Além de referências literais em diálogos e cenas, o trabalho de René Sampaio propõe explicações pertinentes para, por exemplo, a ida de João ao reformatório e o casamento de Maria Lúcia e Jeremias.
Quem é de Brasília (como eu que escrevo), vai ficar duplamente emocionado ao assistir o filme. Mito da cidade, inspiração da adolescência roqueira, a versão cinematográfica do clássico tem um quê de Quentin Tarantino e abusa do estilo para apresentar uma crônica social de um passado-presente não tão longínquo, verdadeiro e atual o suficiente para acontecer em qualquer esquina.
Um elenco integrado, uma fotografia belíssima que retrata tanto a arquitetura candanga quanto a poeirenta periferia da capital, e uma trilha sonora assinada por Philippe Seabra (líder da Plebe Rude e amigo de Renato) que, acreditem, foge do óbvio. Faroeste Caboclo consegue cumprir o que propõe e não deve decepcionar os fãs “legionários” do Brasil afora.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Faroeste Caboclo:

Faroeste Caboclo (Brasil, 2013). Dirigido por René Sampaio. Com Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Felipe Abib, Antonio Calloni, César Trancoso, Marcos Paulo, Flávio Bauraqui, Lica Oliveira , Cinara Leal, Juliana Lohmann , Rodrigo Pandolfo, Leonardo Rosa, Tulio Starling, Romulo Augusto, Andrade Junior, Caco Monteiro...

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