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Crítica: A crueldade sem filtros é vista em Martírio

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br

São 2h40 de duração de um verdadeiro e triste "aulão" de história. O segundo e único filme exibido na mostra competitiva do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro na última quinta-feira causou comoção, indignação e um sentimento de tristeza no público que compareceu ao Cine Brasília e teve o privilégio de assistir, em primeira mão, ao documentário Martírio (PE). Dirigido e conduzido pelo documentarista, antropólogo e indigenista franco-brasileiro Vincent Carelli, a produção faz jus ao nome. Um verídico martírio que retrata a violência sofrida pela tribo indígena Guarani Kaiowá, uma das maiores do Brasil.


A repressão, o massacre em massa, a escravidão e opressão dos latifundiários, dos fazendeiros, de ruralistas que até hoje lutam para exterminar o povo indígena são lançadas no telão sem papas na língua por Carelli. O triste cenário documentado perpassa pelas fronteiras do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Mas não se resume apenas a esta região. Depoimentos chocantes da bancada ruralista no centro do poder de Brasília - o Congresso Nacional – são capazes de fazer qualquer um se levantar da cadeira.


A religião, as dores dos índios que lutam para sobreviver em pequenas casas improvisadas com lonas são ainda pontos marcantes que tiram lágrimas não apenas dos que relatam dentro das telas, mas também de quem vê de fora delas. O longo tempo de duração – 160 minutos – parece desestimular, mas muito pelo contrário. São tantos depoimentos, tantas histórias marcantes que a sensação é de que o tempo não passou. O revoltante suicídio destas tribos e a omissão do Estado também ficam cravados em Martírio.


Dá claramente para fazer um comparativo com o nazismo, com o massacre de Hitler contra os judeus por meio das inúmeras pesquisas, imagens e acervos que  o diretor Vincent Carelli reuniu durante anos e agora abriu para o público.  Palmas para o filme. Vaias para o genocídio.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

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