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Festival de Brasília começa com tom politizado

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br 

Casa lotada, gritos de “Fora Temer” e celebridades na plateia, como os diretores Lauro Escorel e Eryk Rocha. Aliás, ambos escolhidos para abrir a 49ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com duas belas e delicadas produções. Quem foi na última terça-feira na noite de abertura do maior evento de cinema da capital federal pôde conferir um pouco do que nos aguarda para a recheada edição deste ano.

Foto: Junior Aragão
Com um mote político, reflexivo, que nos faz olhar para dentro, o festival chega em 2016 com um tom mais crítico, que leva a refletir sobre o contexto atual do Brasil e suas crises, como o recente impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Não à toa, as produções Improvável Encontro, de Lauro Escorel, e Cinema Novo, de Eryk Rocha, foram bem escolhidas para abrir o evento que representa bem este momento. Momento que, como defendiam os representantes do eterno “Cinema Novo”, faz encarar a realidade.


Em 24 minutos, o documentário Improvável Encontro, do diretor norte-americano Lauro Escorel, faz voltar ao passado por meio de fotografias que mostram o povo tupiniquim tal como ele era, em sua essência. E nada melhor do que homenagear o piauiense  José Medeiros e o húngaro criado no Brasil, Thomaz Farks, ambos pioneiros da moderna fotografia brasileira inaugurada nas décadas de 1940 / 50.


Por meio de entrevistas com personalidades como José Rubens Fernandes, Luiz Carlos Barreto, Cristiano Mascaro, Rosely Nakagawa, esta produção entrelaça as histórias dos fotógrafos em um documentário que homenageia não apenas o cinema brasileiro, mas as raízes do nosso povo embutidas dentro dessas imagens peculiares, com olhares diferenciais.


Após o choque de imagens e aplausos fervorosos foi o longa-metragem do filho de Glauber Rocha que comoveu o público. Eryk Rocha escolheu a capital federal para fazer  a estreia brasileira de Cinema Novo na abertura do festival. São 90 minutos de trilhas sonoras impactantes, imagens fortes que exaltam este movimento que mudou e marcou a história do cinema no Brasil.


Não à toa, Cinema Novo é uma poesia declarada nos telões. Pensamentos, recortes de filmes de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman, Cacá Diegues, dentre outras personalidades do Cinema Novo, levam o espectador à reflexão. A produção mergulha no passado, no período  em que uma geração de artistas, de cineastas, enfrentavam a década de 60, marcada pela Ditadura Militar no Brasil.


E eram estes artistas que iriam transformar as revoltas e a crua e dura realidade em arte.  As lentes das câmeras passam a se voltar para as ruas, para o povo brasileiro.  Era o cinema saindo do estúdio para dar voz ao que acontecia lá fora.  Fazer um paralelo com a realidade do Brasil atualmente não seria mera coincidência. Por isto, a identificação e aplausos foram bem-vindos. Assim como o prêmio Olho de Ouro, concedido à produção no Festival de Cannes.

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