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Produções garantem espaço para protestos na telona

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br

O racismo, o preconceito retratado na exclusão do povo indígena e a homofobia, foram temas que tiveram bandeiras de protestos levantadas nas produções da segunda sessão, às 21h30, da mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro no último sábado. Filmes do Nordeste e do Norte do país revelaram a força destas regiões para falar de assuntos ainda tão polêmicos no Brasil. A começar pelo curta-metragem pernambucano Abigail, dirigido por Isabel Penoni e Valentina Homem.

Foto: Junior Aragão
Tomadas fortes, uma câmera adentrando sobriamente em uma casa cheia de memórias. A religião candomblé se mistura e conecta-se com o indigenismo. O documentário Abigail mescla estes elementos para retratar as lembranças de Abigail Lopes, a conhecida como Tipizari ou “a dona das panelas” pelos índios Xavantes de Goiás.

Abigail

Uma mulher forte de Rondônia, que perdeu cedo a mãe e foi abusada sexualmente pelo pai. Casou-se com o indigenista Chico Meireles, com o qual teve duas filhas que cresceram entre os índios.  Por ele, foi traída. Em 2008, esta mulher foi encontrada vivendo só em uma casa labiríntica na periferia do Rio de Janeiro, onde mantinha um candomblé em seu interior. A sensível história de Abigail é tratada com delicadeza pelas diretoras. Em um curto tempo, precisamente 17 minutos, o filme consegue entrar neste universo misterioso da casa, das memórias e da religião desta guerreira. Enxuto e profundo, sem precisar de mais.

Antes o Tempo Não Acabava
Já na sequência, o longa-metragem Antes o Tempo Não Acabava veio para representar o Norte, a Amazonas que teve o orgulho de estar em Brasília com a ousada produção dirigida por Sérgio Andrade e Fábio Baldo. Festas, funk, brancos convivendo com índios e índios convivendo com brancos. As diferenças preconceituosas, até mesmo dentro das próprias tribos, onde os índios também mantém um preconceito com o lado de lá.

Antes o Tempo Não Acabava
É neste ambiente que o jovem indígena Anderson convive e entra em conflito com os líderes de sua comunidade, na periferia de Manaus. As tradições mantidas por sua tribo chocam com a vida que ele leva junto aos brancos. O desacordo com pontos da religião indígena e também o receio da convivência com os brancos levam este jovem a um momento de autoafirmação. Autoafirmação esta também sexual.



O ator e também personagem real Anderson Tikuna busca seu autoconhecimento na capital da Amazonas.  A perda de sua filha, o descobrimento de sua sexualidade, uma forte cena de sexo homossexual, a boemia e a trilha sonora com direito a até Single Ladies, de Beyoncé, traçam muito bem esta dualidade entre as tradições  indígenas e o convívio  com a  moderna sociedade. Palmas para a  irreverente produção.

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