Super Banner

BIFF 2016 - Crítica: A apatia bizarra de Sem Mover Os Lábios

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br

Um homem frio, calculista, que mal abre a boca para falar. A não ser quando é obrigado a dar vida a bonecos em bares “pé sujos”. É neste cenário e com a ausência total de empatia e de qualquer tipo de afeição que o manipulador de fantoches Carlos (Giancarlo Chiappe) faz seu ganha-pão diário. No meio de beberrões e machões, o fantoche da história é ele.



Representante dos nossos vizinhos colombianos, o longa-metragem Sem Mover os Lábios, dirigido por Carlos Osuna, teve seu primeiro lançamento no Brasil na 5ª edição do Brasília International Film Festival (BIFF). A produção é a segunda do diretor colombiano, que assinou antes Gordo, Calvo e Baixo, de 2011. 


Com um estilo que recorre a personagens esdrúxulos e bizarros, Osuna volta agora no seu novo longa com uma pegada ainda mais irreverente ao focar no seu protagonista homônimo. Uma figura que, além de toda a frieza, é um tipão careca cheio de manias, que age com as pessoas de uma maneira fora do convencional. Sem emoção, inclusive ao lidar com a doença da própria mãe. 


E se é para falar de bizarro, o que não faltam são bizarrices na produção. O pai louco, a  mãe doente e carente, as estranhas mulheres com quem o protagonista transa de forma mecânica. Além das manias esquisitas e peculiares de cada um destes personagens. 


Se for pensar nestes traços de personalidades,  a trama até mostra bons ingredientes. Inclusive, ganha pontos positivos por criticar a efervescência do catolicismo no país e as ilusões provocadas pela mídia. No entanto, a crescente de acontecimentos sem fundamento e nexo acaba por desviar o roteiro para um verdadeiro show de horror trash.  Se a ideia era explorar o gênero surrealista, como aparenta, o exagero beirou  o grotesco.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblog

Leia mais sobre o 5º BIFF - Brasília International Film Festival:
BIFF 2016 - Crítica: A apatia bizarra de Sem Mover Os Lábios
Google+