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BIFF 2016 - Crítica: Romantismo e saudade em Cartas da Guerra

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br

Uma narrativa amorosa no meio da Guerra Colonial Portuguesa, evento que levou milhares de pessoas a morte nas décadas de 60 e 70. No meio do conflito entre as Forças Armadas de Portugual e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, um médico e soldado recorda diariamente de sua mulher. E é neste puro amor exalado em inúmeras cartas que ele encontra um alívio para os dias trágicos e arrastados que passou na Angola, quando serviu na guerra de 1971 a 1973. 


A paixão ganhou flashes no filme Cartas da Guerra, do português Ivo Ferreira, e também na 5ª edição do  Brasília International Film Festival. Destaque da mostra competitiva de ficção, o filme português agradou a plateia. Não à toa, afinal, a sensível história baseada na obra D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto: Cartas da Guerra, de Antônio Lobo Antunes, comove não apenas aos apaixonados que gostam das “ridículas cartas de amor” que, convenhamos, não têm nada de ridículas. 


Ao contrário de superproduções cinematográficas que exaltam as guerras com inúmeros efeitos especiais, o filme tem uma abordagem humanista, que mostra o dia a dia de soldados portugueses na busca de refúgio para se livrarem do tormento e do medo. O desejo de voltar para casa e para suas famílias é aliviado com pequenos passatempos e a espera por notícias do lado de lá. Tudo isso mostrado por meio de uma trabalhadíssima fotografia em preto e branco.



No foco do enredo está o soldado António (Miguel Nunes), autor e narrador das cartas que escreve para sua primeira mulher durante a guerra: Maria José, vivida pela atriz Margarida Vila-Nova. A ausência do seu grande amor, que está ainda grávida da primeira filha do casal, serve de inspiração para as eloquentes poesias. Na trama ainda se destacam personagens como o Capitão Melo Antunes (Ricardo Pereira). Cansado da guerra, o major pede para que o doutor justifique uma doença inexistente para retornar à sua moradia. Apesar de não ser adepta do gênero narrativo, que por vezes se mostra cansativo, a produção comove  pelo lirismo das cartas e por mostrar a dor particular dos que viveram a guerra. Mesmo sendo apenas do lado dos portugueses, afinal o recorte é de um português, o filme não exclui as tormentas do outro lado. 
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o teaser trailer do filme Cartas da Guerra:



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