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BIFF 2016 - Crítica: Realismo é ponto forte em A Caridade

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br

Uma família feliz no meio de uma festa de aniversário. Neste cenário, uma senhora se levanta para falar sobre a alegria que sente ao ajudar o próximo. É assim que começa a produção La Caridad (A Caridade), do diretor mexicano Marcelino Islas Hernández. Ajudar a quem precisa é caridade. Esta e a grande questão do filme. A sensibilidade ao tratar de temas como a compaixão, o envelhecer e a solidão são méritos deste longa, que teve sua estreia na América do Sul na 5ª edição do Brasília International Film Festival.


A caridade é retratada em diversos momentos do filme e, em alguns, se confunde com o sentimento de pena. O diretor trata de dramas reais, da busca de sentido da vida e da maneira peculiar de cada um lidar com o vazio existencial. São humanos, acima de tudo, com desejos e negações. É neste sentido que a trama vai sendo  traçada. No foco, o cineasta traz novamente personas da terceira idade. Geração que o motivou também nos longas Martha e La Castracíon, todos voltados para o tema do envelhecimento.


Agora são os conflitos do casal sessentão Angélica (Verônica Langer) e José Luis (Jaime Garza). Após 30 anos de casamento, uma reviravolta irá abalar o cotidiano dos dois. Ao sofrer um acidente de carro, José Luis tem uma perna amputada e se vê obrigado a se adaptar a uma nova realidade. Sem querer abrir mão da sua independência, o patriarca tenta se virar e criar uma nova rotina. Aliás, as longas tomadas de silêncio que mostram passo a passo do dia a dia de Luis e de Angélica são características do filme. Além da trilha sonora repetitiva, com músicas marcantes como Las Cerezas, de Los Hermanos Carrión.


É no meio deste emaranhado que os personagens mostram suas fragilidades. Perante as novas dificuldades, o filho do casal (Luis Alberti) e a matriarca Angélica tentam também seguir suas vidas, sem mostrarem grandes abalos com o acidente. É neste momento que todos se deparam com a solidão e com suas manias pessoais. José Luis tenta descobrir um novo sentido para sua vida ao conviver com a atraente e jovem enfermeira Eva (Adriana Paz). Já Angélica continua a trabalhar e passa a procurar prazeres fora de casa. A produção é realista ao mostrar conflitos corriqueiros. Sentimentos que, embora pareçam egoístas, não excluem a compaixão. Seja de Angélica com Luis e, vice-versa, seja do filho que se omite e muda para outra cidade, ou até mesmo da enfermeira.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

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