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Crítica: Kóblic, o sabor amargo da ditadura

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br

Os anos de chumbo que marcaram a Argentina entre 1976 e 1983 não poderiam ser melhor retratados do que pelos próprios argentinos. E quando envolve ainda a direção de Sebastián Borensztein e a atuação sempre brilhante de Ricardo Darín já é esperado que coisa boa virá por aí. Afinal, o casamento dos dois já mostrou que deu certo em Um Conto Chinês, filme de 2011 que marcou a direção de Sebastián e, mais uma vez, o protagonismo nas telonas de Darín. E é com este relacionamento de bons frutos de ambos que o novo longa argentino Kóblic está em cartaz.


Com uma conjunção de fatores que dão certo e merecem aplausos - desde a bela fotografia, a direção, a atuação, o figurino, o som e a trilha sonora -, a produção histórica de suspense volta aos anos da ditadura dos nossos vizinhos de uma forma sensível, focando nas dores particulares de quem viveu no período. Mas, sem deixar de abranger o contexto global e trágico que assolou o país. Aparentemente com um enredo que parece lento e monótono, o espectador logo se prende na trama, que conta com um roteiro e condução muito bem-amarrados. Não dá para tirar e nem por.


É neste embalo chamativo que é retratada a história de Kóblic, um ex-capitão das Forças Armadas da Argentina que sofre do trauma das lembranças que o cercam. O ex-milico (militar) interpretado por Darín era o então responsável por coordenar operações aéreas conhecidas como “os voos da morte”, onde pessoas tidas como ameaças para o país eram arremessadas para fora dos aviões diretamente para o mar.



Ao se negar a abrir a porta de uma aeronave, o protagonista vê sua vida mudar. Indignado e sem estômago para a ação, ele torna-se um foragido e vai se esconder num vilarejo no interior da Argentina.  É quando conhece Nancy (Inma Cuesta), uma mulher que também sofre de vários dramas internos. Envoltos em uma proibida paixão gerada pela fragilidade e solidão, eles terão que enfrentar a perseguição das forças armadas e também dos habitantes da cidade. Temas como a busca pela salvação, a dor, os tormentos de consciência e, ainda, cenas chocantes de pessoas sendo lançadas para fora dos aviões fazem de Kóblic um filme forte, realista, mas que não perde a sensibilidade e peculiaridade  típicas do cinema  argentino. O final que o diga. Uma solução totalmente inesperada, que consagra ainda mais a  produção.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme Kóblic:

 
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