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Crítica: O Abismo Prateado e a importância de se reencontrar

*Por Clara Camarano - redacao@daiblog.com.br

O diretor cearense Karim Aïnouz já deixou sua marca registrada em suas produções brasileiras. Desde sua bela estreia com Madame Satã (2002), com Lázaro Ramo no papel-chave, Karim mostrou que não tinha papas na língua para expor temas ainda considerados polêmicos. Sexo explícito, homossexualidade, solidão e a crua e seca realidade estão constantemente presentes em seus filmes. No longa O Abismo Prateado, ele não deixa por menos. Com estreia mundial em Cannes em 2011 na Quinzena dos Realizadores, a produção conquistou diversos prêmios, como o de melhor diretor no Festival do Rio de Janeiro e de melhor som, fotografia e melhor atriz para Alessandra Negrini no Festival de Havana (Cuba).


O prêmio de melhor atriz, aliás, é bem merecido. Negrini vive muito bem a protagonista em seu praticamente monólogo. Na pele da dentista Violeta, ela é uma simples mulher de classe média casada com Djalma (Otto Jr.) e mãe do adolescente interpretado por João Vitor da Silva. Após sofrer com a separação esdrúxula (sim, marca de Karim), esta mulher vai percorrer um caminho solitário. Desesperança, raiva, tristeza consomem a personagem e dão mérito para a atriz que consegue captar o espectador com todas estas misturas de emoções.


O longa-metragem tem ainda uma inspiração justificável e plausível. A música Olhos Nos Olhos, de Chico Buarque, retrata perfeitamente os sentimentos de Violeta, uma pessoa comum, que sofre e precisa de um tempo para reestruturar sua vida. Apesar do sofrimento, O Abismo Prateado deixa também uma mensagem de esperança. Esperança que pode ser vista em pequenos detalhes, como o imprevisível encontro com um pobre pintor (Thiago Martins), que vive com sua filha dentro de uma Kombi.


E detalhes não faltam no filme de Karim. Longos momentos de silêncio, closes, cenas cotidianas comuns – como secar cabelo, comer, malhar e transar – e a sensível abertura com o ator Otto Jr. tomando banho no mar do Rio de Janeiro e saindo apenas de sunga pelas ruas até sua casa revelam este realismo e a busca destes personagens. Que seja pela liberdade, pelo encontro de si mesmo. Afinal, como diria a música de Chico: “Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer”.
Cotação do Daiblog: DaiblogDaiblogDaiblog

Veja aqui o trailer do filme O Abismo Prateado:

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