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Romântico, Marguerite e Julien fala de relação incestuosa

*Por Clara Camarano - redacao@cine61.com.br

As loucuras de uma paixão que se transforma num puro amor idealizado, único, para a vida inteira, capaz de abstrair qualquer regra social.  É com estas premissas românticas que o longa-metragem  francês Marguerite & Julien: Um Amor Proibido estreia nos cinemas para resgatar um pouco da "idealização" do amor que ficou aparentemente velha e até ironizada em épocas de aplicativos de paqueras como Tinder e afins.  Não à toa, o filme se remete a uma história verídica vivida no início do século 17, época de ebulição para o movimento que daria origem ao Romantismo, datado exatamente do fim deste século.


Atriz francesa que virou diretora consagrada após A Guerra Está Declarada (2011), Valérie Donzelli, soube aproveitar muito bem o que o mestre do cinema François Truffaut se recusou a fazer em 1970 por não querer retratar um tema por ele considerado “da moda”: o incesto. De fato, já tivemos bons filmes com esta temática, como O Sopro No Coração (1971), de Louis Malle, La Luna (1979), do papa Bernardo  Bertolucci, o exímio representante tupiniquim Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho, dentre tantos outros.


Mas Donzelli surpreende ao contar a história dos irmãos Marguerite  (Anaïs Demoustier) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm), que cresceram juntas e viveram desde a infância a pureza do amor e do companheirismo. Já sob suspeitas estranhas de atitudes, as duas crianças inseparáveis, no entanto, são obrigadas a viverem realidades totalmente opostas, submissas ao comportamento arcaico que dividia homens e mulheres em suas devidas funções sociais. Neste ponto, o filme é super fiel ao século, embora a cineasta não deixe de colocar um tom contemporâneo para aproximar o espectador da realidade. A trilha clássica se mescla com tons mais modernos. o que torna a adaptação plausível ao anos “21eumasdoses”.


Ela polemiza na medida certa, sem perder o foco que é o amor incondicional. Os dois irmãos se reencontram após viverem uma árdua vida, mas sem perder a essência do sentimento. É um drama lindo, sensível, com uma fotografia maravilhosa e nuances que revelam os personagens na sombra do que eles vivem. Um Romeu e Julieta atual, que nada tem de clichê por não ser mais um filme de amor. É único, como qualquer amor! Polêmicas a parte, quem gosta de romance verdadeiro, pode se preparar para chorar!
Cotação do Cine61: Cine61Cine61Cine61Cine61

Veja aqui o trailer de Marguerite e Julien:

 

Marguerite e Julien (2015, França) Dirigido por Valérie Donzelli. Com Anaïs Demoustier, Jérémie Elkaïm, Frédéric Pierrot, Catherine Mouchet, Geraldine Chaplin...
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