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A Jovem Rainha peca ao retratar Cristina da Suécia

*Por Clara Camarano - redacao@cine61.com.br

Em pleno século 17, a rainha sueca Cristina (1626 – 1689) se tornou uma mulher bem além do seu tempo. Ela contestou a política do seu país. A Suécia defendia o protestantismo, o luteranismo e o consequente combate aos ideais católicos romanos. Cristina da Suécia – como ficou conhecida – foi ainda obrigada a assumir o trono com apenas seis anos de idade. Ela era a única filha herdeira de Maria Leonor de Brandemburgo e do rei Gustavo II Adolfo, assassinado na Batalha de Lützen durante a Guerra dos Trinta Anos. Na época, protestantes e católicos travavam uma batalha de ideologias, religião, política e interesses. Fora isto, a jovem foi criada como um príncipe, com trejeitos masculinos. E chocou a sociedade ao se apaixonar pela condessa Ebba Sparre. Posteriormente, ela ainda  passou para o lado de lá ao se converter ao catolicismo e ser reconhecida como  uma das poucas mulheres enterradas no Vaticano.


Pois bem. Densidade não falta na vida desta rainha. Tanto que sua história atraiu o diretor finlandês Mika Kaurismäki, irmão do famoso Aki Kaurismäki. O interesse se concretizou no longa-metragem A Jovem Rainha. O filme  traz figurinos exuberantes. A história, no entanto, deixa a desejar. Principalmente por pecar no enredo, que tem um tratamento raso. Talvez pela profundidade de Cristina que, em 1h46, foi retratada superficialmente, com diálogos fracos que levam, inclusive, a um romance juvenil. Nada pomposo.


O amor da rainha interpretada por Malin Buska com Ebba Sparre (Sarah Gadon) não tem tempero. A relação de Cristina com a mãe Maria Leonor (Martina Gedeck), mulher que teve uma série de depressões e foi considerada louca, também neste limiar da superficialidade.


Há, ainda, a falta dos cenários que nos levem de volta a 1.600. A relação da rainha com o filósofo René Descartes, porém , merece méritos. Em cartas trocadas questionando o significado do amor e do ódio, é possível viajar nestes pensamentos que elevam a paixão, o desejo e o almejado livre-arbítrio de ser. Talvez, exatamente, sejam estes sentimentos que levaram esta culta mulher a buscar o voo e a liberdade desde pequena. Livre de regras, dona do seu próprio destino. Nestes pontos, o envolvimento é certeiro. 
Cotação do Cine61Cine61Cine61Cine61

Veja aqui o trailer do filme A Jovem Rainha:


The Girl King (2015, Finlândia, Alemanha, Canadá, França, Suécia) Dirigido por Mika Kaurismäki. Com Malin Buska, Sarah Gadon, Lucas Bryant, Michael Nyqvist, Laura Birn, Hippolyte Girardot...
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