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Stefan Zweig - Adeus, Europa mostra os exílios do austríaco

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

A época do Nazismo que repercutiu na Alemanha, na Europa e em todo o mundo deixou feridas tão profundas que o tempo não conseguiu cicatrizá-las. Estas feridas continuam mais que atuais em pleno século 21. A temática é um prato cheio para os diretores de cinema destrincharem, cada qual a sua maneira, as barbaridades da época de Hitler. Exemplo que o tema não envelhece, filmes recentes como Elser (2016), do alemão Oliver Hirschbiegel; Negação (2017), de Mick Jackson (EUA/Reino Unido) e Aliados (2017), de Robert Zemeckis (EUA). E agora estreia Stefan Zweig - Adeus, Europa, da diretora e atriz alemã Maria Schrader.


Inspirada no livro Morte No Paraíso – A Tragédia de Stefan Zweig, a produção é um recorte sobre a vida do escritor austríaco de origem judaica. Stefan Zweig foi um dos maiores autores do século 20. Um pensador pacifista, que sofria com as crueldades cometidas pelo nazismo e, por isto,  teve que adentrar nos fantasmas e traumas do exílio. Aliás, foi na América que ele se refugiou, com passagens pelos Estados Unidos, Argentina e Brasil. O país tupiniquim, no caso, marcou a vida do escritor que, além de ser apaixonado pelas terrinhas brasileiras e escrever a obra  Brasil, o País do Futuro, cometeu suicídio em 1942 junto com a última mulher, Lotte, na cidade de Petrópolis (RJ).


Esta trajetória de Zweig, suas viagens e estadia no Brasil são realçadas nesta nova produção, que usa e abusa de imagens que captam até o sentimento do personagem, sufocado pelo calor em plena  mata brasileira. Dividido em capítulos bem pontuais e com uma estrutura linear, o longa-metragem passa por estes momentos, exílios fantasmagóricos e percursos do autor. Há ainda de se ressaltar a brilhante atuação de Josef Hader, como Stefan Zweig, e de Barbara Sukowa, como a ex-esposa Friderike Zweig.


A dupla de atores passa a dramaticidade correta, em tons certeiros e não exagerados. No entanto, quem espera uma imersão mais profunda na vida deste escritor e em seu psiquê cheio de nuances irá se decepcionar. Se a diretora Maria Schrader cumpre a função de um retrato histórico, ela perde na lentidão da produção, que afasta o público em vez de aproximar. Os diálogos também não cooperam. Fica um gosto de quero mais. Interessados no autor também podem ver Lost Zweig, do diretor Sylvio Back.
Cotação do Cine61Cine61Cine61

Veja aqui o trailer do filme Stefan Zweig - Adeus, Europa:


Stefan Zweig: Farewell to Europe (Áustria / Alemanha / França, 2016) Dirigido por Maria Schrader. Com Tómas Lemarquis, Barbara Sukowa, Josef Hader, Lenn Kudrjawizki, Harvey Friedman, Matthias Brandt...
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