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A Vida Após a Vida enaltece a fragilidade das relações humanas

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

A cultura oriental apresenta inúmeras peculiaridades. Os detalhes, o esoterismo, as formas de retratar a realidade e também de conceber uma ficção são únicos e refletidos nos olhares de seus artistas e, consequentemente, através das lentes das câmeras. Em sua estreia como diretor, o  chinês Zhang Hanyi chega às salas com todos estes ricos detalhes e uma sensibilidade única expressa em uma fábula de 1h20. O embate entre o esquecido campo mediante as novas metrópoles, o convívio com o doloroso passado e a consequente não aceitação do futuro são temáticas do longa-metragem  A Vida Após a Vida.


A obra consegue fascinar em uma simples história, porém recheada de poesias e metáforas.  Em um vilarejo, na esquecida província de Shanxi, os moradores que lá um dia viveram ou  passaram deixaram sua marca. Uma marca em um local abandonado pelo tempo, pelo descaso e pela falta de utilidade desta vila. Shanxi, no entanto, é assombrada pelos antigos moradores que retornaram em forma de fantasmas para uma resolução perante a vida ali semeada e esquecida.


É dentro deste cenário que é desenvolvida a história de um pequeno núcleo familiar. Órfão de sua mãe, Leilei (Zhang Li) se vê invadido pela mesma durante um passeio pela floresta. Com saudades do marido, a mãe Xiuying deixa o mundo dos mortos para reencarnar no filho com a missão de realocar uma árvore que plantou em seu quintal e encaminhar mensagens para as pessoas que tanto gostava -  como o ex-marido, pai de Leilei, Ming Chun (Zhang Mingjun).


Apesar de tocar na temática espirita, não é esta que prevalece no filme, que exalta mais os assombros de um passado e de um campo perdido junto com suas raízes. Não à toa, a árvore e os sentidos da natureza ganham o protagonismo, que critica sutilmente a fragilidade das relações humanas. Embora a sinopse seja interessante, a produção é arrastada propositalmente e pode entediar aqueles que não curtem um filme onde a reflexão prevalece a cada frame.  Câmeras lentas, planos fixos, imagens chocantes (como assassinatos de animais), um cenário tomado por cores frias e a exaltação de uma árvore transformam A Vida Após a Vida em uma obra existencial apegada nos mínimos detalhes . 
Cotação do Cine61: Cine61Cine61Cine61

Veja aqui o trailer do filme A Vida Após a Vida:

 
Zhi fan ye mao (China, 2016) Dirigido por Hanyi Zhang. Com Zhang Li, Zhang Mingjun, Wang Jishan, Wei Xiaomin...
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