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Colossal apresenta um monstro de salto alto

*Por Daniel Bydlowski, especial para o Cine61 

Seguindo a onda de popularidade de filmes de monstro como Transformers, Círculo de Fogo ou ainda Power Rangers, o diretor espanhol Nacho Vigalondo criou Colossal, um filme que ganhou o suporte de importantes festivais de cinema como Sundance, algo muito raro para longas deste tipo. Isto pode ser explicado por seu enfoque inusitado e pelo modo como desenvolve sua personagem principal, interpretada por Anne Hathaway.


Colossal conta a historia de Gloria, uma alcoólica que não consegue viver uma vida regrada. Descontente com a situação, seu namorado expulsa Gloria de casa até que ela consiga largar a bebida. Gloria então decide voltar para sua pequena cidade natal, onde reencontra o misterioso amigo de infância Oscar, interpretado por Jason Sudeikis. Oscar parece ser apaixonado por Gloria, mas tem um modo obsessivo de lidar com a garota: enquanto ela o obedece, ele é uma doce pessoa, mas quando ele não obtém o que deseja, se torna instável. De qualquer modo, ele lhe dá um emprego em seu bar, onde Gloria não pode consegue bebida alguma.


É aqui que as coisas começam a se tornar mais estranhas. Depois de acordar com uma forte ressaca, Gloria liga a televisão e vê que um gigantesco monstro atacou Seoul, na Coreia do Sul. Mais interessante ainda, os movimentos corporais do monstro parecem ser os mesmos de Gloria. A protagonista, então, percebe que isto não é uma coincidência: o monstro que aparece na cidade reflete suas ações. Pior, Oscar também tem seu próprio monstro, que vem com todos os problemas psicológicos do personagem, e que se torna oponente do monstro de Gloria.


O filme pode ser visto como uma metáfora – afinal Gloria aprende rápido que suas ações como alcoólica, e como monstro, podem machucar pessoas de maneira drástica. Porém, o que mais chama a atenção é que a história é desenvolvida de acordo com um olhar feminino, o que entra em forte contraste com filmes do gênero. Assim, mesmo que Gloria tenha problemas com a bebida, ela ainda decide muitas coisas por si própria e sem pedir desculpas: por exemplo, dorme com um homem apenas por acha-lo bonito e não se rebaixa ao antigo namorado. Desta maneira, o filme não agrada o mesmo publico de Transformers. É ainda interessante que, mesmo com todos os efeitos especiais, Vigalondo consegue manter Colossal na mesma categoria de qualquer filme independente em Sundance, muitas vezes parecendo ainda fazer brincadeiras e caçoar do estilo dramático do festival.


Embora o filme mereça ser elogiado por seu criativo enfoque, especialmente frente a tantos remakes sem muita originalidade que estrearam nos últimos tempos, ele também tem problemas. Para começar, filmes de ficção científica ou de fantasia, mesmo quando são caracterizados como comédia, precisam definir muito bem as regras de seu universo, para que o público consiga participar da história de maneira eficaz. Porém, Colossal introduz novas ideias e muda regras durante o filme inteiro, ficando difícil de acompanhar o filme. Ainda assim, Colossal pode entreter bastante se entendido como uma simples, e inusitada, comedia visto por um enfoque feminino.

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