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Cuba Jazz revela a vontade de sobrevivência artística



“Cuba é um grande caldeirão porque é como uma panela grande que todo mundo deixa alguma coisa. E, de repente, sai como um sopão gostosíssimo de um monte de coisa”. Esta e outras frases interessantes ditas pelos próprios cubanos, os maiores conhecedores do seu país, conseguem colocar uma pitada de humor, mas também de seriedade no documentário Cuba Jazz. A produção é brasileira e retrata uma ilha que, de fato, se isolou após o bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos, em 1962, e que perpetuou durante todo o governo de Fidel Castro. Restrições que não impediram que houvesse alegria e muita arte no país. 


Quem dá voz ao povo cubano são os diretores tupiniquins Max Alvim e Mauro di Deus, que adentraram nesta cultura para mostrar como é a vida daqueles que vivem de arte por lá. A música se exala e o jazz está em foco. Aliás, este ritmo cheio de misturas, hibridismos e improvisos ganha um toque único de quem faz uma produção séria. A singularidade e a interpretação dos músicos são mostradas, demonstradas e servem de exemplo desta rica cultura que não recebia incentivos. Afinal, em Cuba não era possível nem ter acesso à cordas de violão. Mesmo assim, os artistas se viravam como podiam e usavam fios de telefones para tirar um som. E dos bons!


Apesar dos entraves, o sonho falou sempre mais alto e eles tocam, arranjam, cantam, compõem e se sobressaem ao fazer uma música que é para quem não precisa de outro estímulo, a não ser o amor. Inspirado neste belo contexto, Cuba Jazz contesta, apresenta as peculiaridades artísticas e expõe dezenas de entrevistas sensíveis dos cubanos, além de nos fazer caminhar pelas ruas do país. O orgulho nacionalista é aqui outro ponto que merece destaque por se contrastar com a reclamação pela restrição comercial e a falta de acesso à arte por anos a fio.



Sem estreia oficial prevista por todo o Brasil, o documentário já foi exibido no Cine Brasília (106 Sul) e selecionado para o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo deste ano. Dá gosto de assistir, mas falta um aprofundamento maior nas entrevistas. Os personagens são interessantes e quem assiste ao filme fica querendo saber mais sobre suas histórias. Mesmo assim, vale aguardar para conferir e descobrir que Cuba, esbanja sim, um jazz único.
Cotação do Cine61: DaiblogDaiblogDaiblog

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do documentário Cuba Jazz:




Cuba Jazz (Brasil, 2016) Dirigido por Max Alvim e Mauro di Deus.

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