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Entrevista com o ator Johnny Massaro


Foi nas novelas da Globo, em especial em Meu Pedacinho de Chão (2014), que Selton Mello notou a atuação emocional e o perfil anguloso do ator Johnny Massaro. Johnny foi sua escolha para viver o protagonista Tony Terranova, jovem professor que descobre o cinema e o amor enquanto procura saber sobre o paradeiro do misterioso pai em O Filme da Minha Vida. Nos próximos meses, Johnny ainda estará no filme Partiu Paraguai, de Daniel Lieff; e Todas as Razões para Esquecer, de Pedro Coutinho. Em setembro, estreia na Globo a série Filhos da Pátria, em que atua ao lado de Alexandre Nero e Fernanda Torres. E vai filmar Dez Vezes Quim, de Esmir Filho e Vera Egito.

Como veio o convite para fazer O Filme da Minha Vida? 
Eu tinha ouvido do meu antigo empresário que o Selton ia fazer um filme e gostava de mim. Isso ficou na minha cabe- ça, mas como algo bem distante. Como era uma escolha muito delicada, o Selton se deu bastante tempo para pensar. Eu estaria fora do Brasil durante dois meses, e mandei vídeos de teste para a minissérie Amorteamo e para o Selton. Para a série, fiz algo muito simples, no celular. Já o Selton me mandou tanta informação sobre o filme que eu pirei. Fiquei uma semana em Nova York andando, filmando coisas. Mandei um curta de nove minutos, super elaborado, no dia do Natal. No fim, ele gostou mais do vídeo curto que eu mandei para a série, e começou a conversar com o pessoal de lá para acertar todas as datas.



Como você viu na sua cabeça o personagem do Tony?
Não sei responder direito - e já não me cobro mais saber responder (risos). Às vezes a gente quer dar sentido a coisas que são muito simples. Lembro que cheguei no Sul em um domingo e comecei a filmar já na terça. Não tive muito tempo de preparação. Eu e o Selton sabíamos que seria assim, o que não foi necessariamente perigoso. Você trabalha na confiança de que vai dar certo, e eu me entreguei para o que o Selton pensava que deveria ser. Entendi que O Filme da Minha Vida é muito sobre ele também. Quando se escolhe dirigir algo, é porque dialoga com alguma coisa sua. Tentei ficar o mais poroso possível para as direções dele. Foi quase um trabalho inconsciente da minha parte. Como filmamos fora de ordem, tive que fazer uma cronologia do personagem bem marcada na minha cabeça, tentando galgar com sutileza essa escadaria da maturidade do Tony.



Que tipo de diretor é o Selton?
É diferente ser dirigido por outro ator? Isso é muito incomum; foi a primeira vez que tive essa experiência de trabalhar com um diretor que também é ator. É brilhante para alguém como eu, que me formei em cinema e tive algumas experiências rasas com direção, e talvez queira ser diretor um dia. Ver isso acontecer foi muito especial e simbólico. O Selton é um grande exemplo bem-sucedido de alguém que consegue dirigir e atuar. Ele consegue aliar algo muito racional e muito emocional, sem que o emocional seja piegas ou melodramático. Tudo o que ele faz é genuíno. Ele é capricorniano como eu e com ascendente em Virgem, não tem como fugir disso (risos). Esses dois extremos precisam estar juntos, porque só com a razão ou só com a emoção não se chega a lugar nenhum. Todos os nossos momentos de filmagem eram sobre achar o tom justo, não cair no melodrama. Isso foi algo que o Cassel nos trouxe muito, alertando para evitar o melodrama que a televisão nos impõe. Uma falsa necessidade da lágrima, do chorar, que é bonito, mas não é como na vida. 


Esta é a quarta parceria sua com a Bruna Linzmeyer, depois de A Frente Fria Que a Chuva Traz e as novelas Meu Pedacinho de Chão e A Regra do Jogo. Como é o trabalho com ela?
É algo maravilhoso. Tem uma questão de idade, mas também uma certa coincidência. Não é sempre que você trabalha tanto com a mesma pessoa, ou mesmo que sim você não necessariamente cria uma relação com ela. Eu e a Bruna sempre tivemos uma relação muito forte, na frente e atrás das câmeras.

Você chegou a aprender um pouco de francês para viver o Tony?
Tive um professor de francês para as cenas específicas. E havia um poema francês do Victor Hugo que estudei muito, o Vincent [Cassel] gravou o poema para eu escutar. Filmei a cena com o professor olhando, foi tudo OK. Muito tempo depois, o Selton me liga para dizer que a cena não rolou, avisando que essa parte foi cortada. Mas eu tentei (risos). Antes, eu tinha feito um ano de francês, e o professor disse que eu tinha facilidade.



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