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Entrevistamos Selton Mello em Brasília

Em passagem por Brasília para divulgar O Filme da Minha Vida, novo longa-metragem que dirigiu, atuou e ainda roteirizou, Selton Mello conversou com o Cine61 e falou sobre bastidores e demais curiosidades do filme que estreia nos cinemas esta semana. No final, ainda mandou um recado para os leitores. A crítica você lê aqui na quarta-feira (02/08). Confira a seguir:

*Por Michel Toronaga - micheltoronaga@cine61.com.br


Como foi receber o convite para adaptar uma obra? Que responsabilidade isso te trouxe?
Trouxe uma responsabilidade porque é o autor de O Carteiro e O Poeta, que é um filme reconhecido no mundo inteiro. Nesse lado é uma responsabilidade mas, por outro, eu gostei da história, me vi e me identifiquei. Se eu fosse escritor - embora não tenha talento para isso - acho que escreveria um livro como aquele. Então me vi ali e vi que ali tinha um material para um filme que tem a ver com a minha sensibilidade.


Entre os temas do filme está o amadurecimento e a passagem para a vida adulta. Nesse ponto, queria que você comentasse sobre a escolha de Johnny Massaro como o protagonista.
Johnny Massaro é o maior ator da geração dele. É um menino inteligente, sensível, preparado e maduro para a idade dele. Ele é realmente de ouro. Eu falo algumas vezes no filme "Você é um menino de ouro" e aquilo ali é quase o Selton falando. Foi uma benção ter alguém como ele protagonista porque ele é o condutor desta trama. E eu precisava de alguém carismático e que encantasse. E o Johnny Massaro é o cara certo.

É impossível não reparar no visual do filme. As imagens são muito bonitas e me fizeram lembrar Lavoura Arcaica, que também tem a fotografia de Walter Carvalho. Você inclusive trabalhou com ele nesse filme, há mais de 15 anos. Fale um pouco sobre o aspecto visual do filme. Ele é diferente de muitos porque não tem aquela cara de TV, por exemplo.
Entendi, é cinema mesmo, não é? Concordo com você. O Waltinho diz que é um "filme de ver" (risos). É um filme para encher os olhos, mas cuidando sempre dramaturgicamente também. Ele enche os olhos e o espírito. É terno, fala de família, erro e reparação e amadurecimento. Essa é uma capacidade grande do filme, por isso que ele tem causado encantamento por onde passa. O público está precisando de algo assim porque está tudo muito difícil. Então ele é como uma flor no meio do asfalto.


Ainda sobre a produção, gostaria que você falasse sobre as locações. Que lugares incríveis são aqueles? Muito do que se vê foi construído ou algumas cidades realmente pararam no tempo? Não parece uma imagem do Brasil que muitas pessoas têm.
É, isso é uma coisa bem legal também porque a gente filma muito Rio e São Paulo, e explora pouco as possibilidades geográficas do país. O Rio Grande do Sul é um lugar lindo. A Serra Gaúcha é um lugar impressionante e pouquíssimos filmes foram feitos la. Filmamos em Bento Gonçalves, ali na região de Vinhedos. A gente trabalhou em sete pequenas cidadezinhas ao redor de Bento, transformando essas cidades nas duas do filme: Remanso e Fronteira. Então a praça de Remanso é numa, a casa do Toni é outra cidade e assim nós construímos nosso mundo.

E aquele cinema de rua?
Aquele cinema é um lugar onde o pessoal joga bocha (jogo praticado com diversas bolas grandes e uma pequena, todas de madeira ou de plástico denso). É algo comum e cultural do Rio Grande do Sul. Um lugar onde as pessoas mais velhas vão ali no domingo tomar um chimarrão e jogar bocha. A gente achou que a fachada daria um belo cinema de rua e deu mesmo.


Você já fez isso antes em O Palhaço, mas como é se autodirigir? Já que, além de diretor, você também atua?
É muito natural. A minha cabeça é muito hiperativa, então fico ligado a tudo ao mesmo tempo. Isso para mim é bem simples. Para quem está em volta que é maluco. Por exemplo, eu estou fazendo aqui uma cena com você e imagina que você é o Johnny Massaro. Então eu estou fazendo o Paco, dirigindo ao mesmo tempo e falando "Fala mais rápido, aqui você dá um tempo maior". Daí ele fica assim: "Caramba, ele está em cena, fazendo o Paco e também prestando a atenção ao mesmo tempo. É isso?" E o auge disso foi com a série A Mulher Invisível porque eu dirigia, atuava e beijava uma mulher que não existia.

Sua experiência na direção vai além do cinema, indo também para a TV, com Sessão de Terapia. Você pretende seguir sua carreira mais como diretor ou ator?
Com tudo. Tudo é bacana. O diretor acaba alimentando meu lado ator. Quando eu atuo bastante eu fico com vontade de dirigir. Acabou que foi uma coisa bem saudável criativamente na minha vida. Eu posso pular para frente e para trás das câmeras e isso é rico pra mim.


O Filme da Minha Vida é um drama, mas também traz elementos de romance e alguns momentos bem engraçados, principalmente por parte das crianças da história. O que as pessoas que não viram podem esperar?
Um filme que vai fazer bem para elas. Um filme emocionante, divertido, que elas vão pensar com carinho na família delas. Acho que o afeto afeta. Acho que as pessoas estão muito afetadas pelo afeto que emana desse filme. Então acho que é um filme necessário nos dias de hoje.

Não sei se está muito cedo para falar disso, mas você está com um algum projeto futuro?
Sim, eu estou adaptando um conto do Machado de Assis para a Globo, que se chama O Alienista. Vai ser minha estreia na direção na Globo, dirigindo e atuando. Tem outra minissérie que eu já fiz que chama Treze Dias Longe do Sol e estreia em janeiro. E no momento eu estou filmando uma minissérie de oito capítulos para a Netflix que se chama O Mecanismo. É dirigida pelo José Padilha.

Veja a seguir o recado do ator para todos os leitores do Cine61 - Cinema Fora do Comum:

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