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Arábia é uma poética homenagem aos trabalhadores

O dia a dia de um trabalhador pode ser tão simples e leve, quanto árduo. E são nestas simplicidades da vida que vêm a descoberta de pequenas felicidades em meio ao caos. O diretor mineiro Affonso Uchoa consegue expor nas telonas às fragilidades e absurdos das condições trabalhistas, mas sem deixar de lado a doçura do viver. Doçura esta refletida seja em uma boa e longa prosa com um amigo ou no ato de colher uma mexerica de uma árvore. Em parceria com o diretor João Dumans, Uchoa, que ficou conhecido pelo filme A Vizinhança do Tigre, chega agora com  Arábia, uma  produção rica em todos estes detalhes que permeiam a rotina de um trabalhador comum. O longa-metragem encerrou a mostra competitiva da 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com uma verdadeira ode aos trabalhadores brasileiros.


Em Arábia, dois protagonistas se entrelaçam nesta bela história dividida em dois momentos. A começar por André (Murilo Caliari), um jovem que mora com o enfermo irmão mais novo na cidade de Ouro Preto e cuida do mesmo com a ajuda de sua tia, uma enfermeira conhecida na região. A pedido dela, André vai à casa de um operário acidentado apanhar os seus pertences. Um caderno de memórias do operário Cristiano se junta à curiosidade de André e transforma o enredo em páginas de um diário. 


Agora, sim, começa Arábia, com a vida e narração em off de Cristiano (Aristides de Sousa). Arábia começa aqui porque é a partir deste momento que o público irá adentrar na árdua vida deste trabalhador que, após ser preso, resolve se aventurar pelos interiores de Minas Gerais em busca de paz e de um trocado para sobreviver. O ponto de partida é Contagem, mas ele irá passar por fazendas onde sofrerá com as explorações rurais dos patrões e pelas cidadezinhas interioranas do estado (aliás, belas fotografias das terrinhas mineiras). O importante é ser honesto e trabalhar para acordar no dia seguinte vivo. 



De colhedor de frutas, Cristiano passa a fazer  bicos em prostíbulos, em reformas de casas, em fábricas e sofre diariamente com a pressão e condições precárias de trabalho. O personagem não tem muita esperança e, como seu próprio diário relata: “ Minha vida é simples, não fui herói de nada”. Mas, ele se transforma em um herói pela sobrevivência e pouca exigência da amarga vida que leva. No meio da estrada que é retratada por fotografias contemplativas de Leonardo Feliciano, uma trilha sonora que varia entre músicas em inglês e em português embala a vida deste trabalhador comum, sem escolaridade. Um verdadeiro retrato poético e melancólico. Uma verdadeira lição de sobrevivência. Uma bela obra-prima.
Cotação do Cine61DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

*Por Clara Camarano - 
contato@cine61.com.br


Veja aqui o trailer do filme Arábia:






Arábia (Brasil, 2017) Dirigido por João Dumans e Affonso Uchoa. Com Aristides de Sousa, Murilo Caliari, Gláucia Vandeveld, Renata Cabral, Renan Rovida...

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