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Café com Canela ressalta o amor em sua simplicidade

O amor tem cor, cheiros, sabores e respiração. E não necessariamente este amor envolve um casal, mas pessoas que se inter-relacionam. Todos estes sentidos e sensações são explorados no filme da dupla mineira Ary Rosa e Glenda Nicácio, Café com Canela. O longa-metragem baiano marca a estreia da dupla no cinema e conta com uma produção universitária de primeira categoria. Estudantes da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) se envolveram na construção do cenário que dá vida ao filme que concorre, merecidamente, ao troféu Candango na Mostra Competitiva da 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. 


O companheirismo, a solidariedade, os quitutes baianos e os trejeitos deste povo, tão alegre e receptivo, compõem a essência de Café com Canela. Aliás, em um enredo simples e com uma estética simples que não se apropria de grandes recursos de filmagem. E nem precisa. Em 1h40 de duração, o público se envolve no cotidiano de personagens solitários, mas rodeados pelos vizinhos e por amor. No cerne da trama está Violeta (Aline Brunne), uma moça que se casou jovem e anda diariamente em sua bicicleta para ganhar a vida vendendo coxinhas. Ela também cuida da avó doente. 


Paralelamente, Margarida (Valdinéia Soriano) é uma senhora que se isolou da sociedade após a perda do seu filho Paulo. Em uma simbiose de tirar lágrimas, a dupla de protagonistas – duas mulheres negras – se reencontra. Margarida foi professora de Violeta na infância. Em cenas cotidianas, na troca de rosas e de carinhos (o nome das protagonistas não é à toa), estes encontros entre ambas são regados a cafés com canela. Dá até para sentir o cheiro do café fresquinho nas tomadas e na descrição da preparação da bebida. 


Não bastasse esta bela pegada que dá voz às mulheres negras e aos detalhes, há espaço ainda para personagens como o casal homoafetivo formado pelo doutor Ivan (Babu Santana) e um homem mais velho, Adolfo (este vivido pelo ex-diretor da Companhia da Ilusão de Brasília, Antônio Fábio). Todos são vizinhos e, apesar das dores e problemas individuais, a parceria na comunidade e a aceitação recíproca, dão um colorido para a produção. Oxentes, músicas de umbanda e candomblé e este jeitinho baiano de ser e receber as pessoas ficam escancarados. De chorar pela sensibilidade, mas também de gargalhar. Afinal, o bom humor consegue transformar tragédia em leveza e até em comédia. 
Cotação do Cine61: DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

Veja o trailer do filme Café com Canela:


Café com Canela (Brasil, 2017) Dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicacio.

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