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Comentários sobre os curtas O Peixe, Nada e Inocentes

Exibidos antes dos longas-metragens, os curtas da mostra competitiva do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro mostram a diversidade de olhares e técnicas do audiovisual nacional. O Peixe, de Jonathas de Andrade, revela o costume de alguns pescadores pernambucanos. Após pescarem os animais, eles os abraçam, numa relação de respeito e carinho com os seres que morrem à medida que ficam fora da água.

O Peixe
Com belas imagens e nenhum diálogo, o filme é carregado por um clima dramático e promove a reflexão sobre a vida e a morte dos animais. Uma forma mais sentimental do que a pesca comercial ou o abate automatizado de outros animais em grandes frigoríficos. Poderia ser melhor se fosse mais enxuto. Os diversos personagens que aparecem no documentário fazem as mesmas sequências, o que acaba por tornar a projeção um tanto repetitiva.

Nada
Gabriel Martins mostrou o recorte de uma adolescente que não quer fazer nenhuma faculdade. No curta Nada, o público pode acompanhar Bia, uma jovem que gosta de rap e acredita que não se encaixa no sistema. Não se sente na obrigação de cursar o ensino superior, o que preocupa sua família. A produção mineira brilha por causa dos diálogos divertidos e realistas. É aquele tipo de filme que é fácil de se acompanhar e que já prende a atenção desde o início. Com momentos engraçados e outros com uma pitada de drama, o curta cumpre seu papel ao fazer o que os melhores curtas fazem: deixar a plateia querendo ver mais.

Inocentes
O diretor Douglas Soares se inspirou no fotógrafo Alair Gomes para fazer Inocentes. Brincando com imagens, tanto na fotografia estática quanto no cinema em movimento, o curta apresenta belas tomadas da praia de Ipanema e dos homens que a frequentam. Todo rodado em preto e branco e todo trabalhado na sensualidade, o filme é uma verdadeira homenagem ao artista, que clicou a figura masculina com um olhar voyeur repleto de desejo. Ressalta a fantasia fetichista de surfistas seminus através de lentes homoeróticas. Bem produzido, surpreende pelas imagens explícitas, todas filmadas com técnica e respeito. As imagens, assim como a fotografia, fazem um jogo da luz e da escuridão, assim como o permitido e o recriminado (tanto nos 70 quanto nos dias de hoje), resultando num delicado - e picante - trabalho. O Rio de Janeiro continua lindo!

*Por Michel Toronaga - micheltoronaga@cine61.com.br

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