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Curta Tekoha - Som da Terra está em competição

O filme Tekoha - Som da Terra é o novo curta do diretor brasiliense Rodrigo Arajeju, roteirista e diretor de ÍNDIOS NO PODER (DF, 2015, 21 min.) - finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2017 na categoria melhor curta-metragem documentário. A indígena Valdelice Veron (Xamiri Nhupoty) assina o roteiro e a direção do filme, realizado em processo intercultural colaborativo com as lideranças femininas do Tekoha Takuara e falado na língua Guarani. Valdelice, também, é uma das protagonistas ao lado de anciãs e meninas Guarani Kaiowa. O enredo revela três gerações de mulheres na luta pela retomada da terra ancestral, enquanto aguardam a demarcação definitiva do território devastado pelo agronegócio e sob a influência de uma usina de etanol da multinacional Raízen Energia S/A.


Na cosmovisão Kaiowa, Tekoha é a designação para as terras tradicionais e indica a tradução de "o lugar ao qual pertencemos". O Povo Guarani Kaiowa é a segunda maior população originária em um único estado da federação, são mais de 43.000 indígenas no Mato Grosso do Sul que enfrentam a crise humanitária contemporânea de maior gravidade no Brasil: confinamento territorial; violação dos direitos humanos à alimentação adequada e ao acesso à agua potável; mortalidade infantil acima da média nacional; nível epidêmico de suicídio; contaminação por agrotóxicos nas terras indígenas intrusadas por extensos monocultivos transgênicos; conflitos atribuídos a latifundiários e sindicatos rurais locais, com histórico de ataques paramilitares marcados pela violência de gênero e por assassinatos de lideranças.


Valdelice Veron é filha do cacique Marcos Veron, executado por pistoleiros em 2003. Ela integra o programa federal de proteção aos defensores de direitos humanos por sofrer ameaças de morte, pois é porta-voz das demandas de seu Povo em estado dominado pelo agronegócio e comandado por políticos ruralistas. Foi indicada para representar o filme na estreia na 12ª Mostra de Cinema de Ouro Preto em julho, contudo, teve que cancelar a viagem por motivo de conflito em seu território. Valdelice e as protagonistas Arami e Julia Veron, sua filha e a avó, pretendem comparecer ao 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro para acompanhar a sessão do filme e participar de debate na Faculdade de Comunicação da UnB.


O filme Tekoha - Som da Terra mostra a visão das mulheres Kaiowa sobre a luta na retomada e o luto pela demarcação da terra com o sangue indígena. O alarmante índice de execuções de lideranças Guarani Kaiowa, nos últimos anos, resultou na denúncia do Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA pelo crime de genocídio. Após a estreia mundial no Vancouver Latin American Film Festival em agosto, o filme concorre ao Troféu Câmara Legislativa no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro nos prêmios a serem concedidos pelos júris oficial e popular. A sessão na Mostra Brasília acontecerá no dia 18 de setembro, às 18h30, no Cine Brasília.


O curta é um dos resultados apresentados para a obtenção do título de mestre pelo diretor Rodrigo Arajeju no Mestrado Profissional Junto a Povos e Terras Tradicionais do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (MESPT/CDS/UnB). Foi filmado em Mato Grosso do Sul e Brasília em 2016, produzido com o protagonismo das mulheres do Povo Kaiowa na retomada do Tekoha Takuara e realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do DF (2014) - fomento da Secretaria de Estado de Cultura e do Governo de Brasília.

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