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Drama Vazante expõe o sombrio passado brasileiro



O longa-metragem Vazante estende a temática da exclusão e do preconceito para o período da escravidão e do racismo exacerbado sentido nas peles. Nas peles negras, brancas, pardas, dentre outras. A produção dirigida pela carioca Daniela Thomas (sua primeira direção solo após inúmeras parcerias com Walter Salles) adentra no século 19 e nas origens da escravidão e seus resquícios. O filme passou pela Mostra Panorama do Festival de Berlim deste ano e volta no Festival de Brasília para mostrar este retorno fidedigno ao tempo de “chumbos negros” - nos negros. Seja pelo figurino, pela opção da fotografia em preto e branco, o retorno é para um passado sombrio, seco, mórbido e voraz. 


No interior de Minas Gerais, no município de Vazante, uma família habitante de uma fazenda colonial imponente, mas decadente, depara-se com os últimos dias do regime escravocrata. Brancos, negros nativos e africanos sofrem (sim, todos sofrem) com a amargura, inadequação para o período em que a escravidão começa a entrar em processo de abolição e, também, com a solidão e falta de comunicação, dentro e fora das etnias. No enredo, temos o protagonista Antônio (Adriano Carvalho), um homem que, ao perder a esposa em um trabalho de parto, resolve se casar de forma impositiva com a jovem e viril Beatriz (Luana Nastas). Retratos que, de fato, condizem com os costumes da época. 


Esta trama central, no entanto, é quebrada pelo elenco de não atores escolhido pela diretora. Este time, aliás, é essencial para realçar a falta de comunicação explanada por um povo que mal sabe falar o português. Esta falta de compreensão é, ainda, acrescida por longas cenas propositais de silêncio. O clima se torna mais tenso e prova que o diálogo é o que menos importa em Vazante. Tal quanto os momentos de êxtases ou em sequências de violência.  


A opção da diretora por cortes bruscos em cenas que poderiam causar um  maior reboliço é outro ponto forte. Cenas como a exploração de um negro transformam-se em uma rotineira reunião familiar para um almoço ou um jantar. É um “normal”, não normal criticado pelo absurdo. Além de todos estes requintes, destaca o trabalho do peruano Inti Briones pelo maravilhoso uso da fotografia. Imagens como a da chuva escorrendo por entre os tristes olhares dos negros, dos brancos, à delicadeza passada nos entreolhares de Beatriz com meninos negros revelam um mar de poesias e de amarguras que não precisam de tradução. Filme histórico, que mostra um drama que repercute no nosso século. Vale a pena assistir!
Cotação do Cine61DaiblogDaiblogDaiblogDaiblog

*Por Clara Camarano - 
contato@cine61.com.br


Veja aqui o trailer do filme  Vazante:



Vazante (Brasil / Portugal, 2017) Dirigido por Daniela Thomas. Com Adriano Carvalho, Luana Nastas, Sandra Corveloni, Juliana Carneiro da Cunha, Roberto Audio, Vinicius Dos Anjos...

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