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Heloisa Passos estreia na direção em Construindo Pontes

Heloisa Passos, responsável pela direção de fotografia de mais de 20 títulos, entre os quais Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo; Mulher do Pai; Lixo Extraordinário e O Que se Move, é hoje membro da Academia de Artes e Ciência Cinematográfica de Hollywood e estreia na direção de longas com Construindo Pontes, selecionado para a competição do Festival de Brasília, onde será exibido no dia 19 de setembro. O documentário fala do embate político familiar e da relação afetiva entre a diretora e seu pai, engenheiro que trabalhou construindo pontes durante a ditadura militar. 


Construindo Pontes é um filme que não distingue a política da vida. As reminiscências são como a chegada inesperada de um trem: quando o forte tremor nos obriga a movimentar-nos para vislumbrar, mesmo no escuro, um outro horizonte. Na trama, Heloisa ganha de presente uma coleção de filmes em Super-8 com imagens das Sete Quedas, paraíso natural destruído no início dos anos 80 para a construção da maior usina hidrelétrica do mundo. Falar sobre a construção da usina, realizada no auge do regime militar brasileiro, desperta recordações de um passado imerso em um autoritarismo político e econômico. Projeções, mapas e fotos são usados como primeiras pontes para se chegar ao passado. Mas é o inevitável presente que golpeia Álvaro e Heloisa quando, diante da conturbada situação política do Brasil de hoje, cada um se coloca em um ponto oposto. 


A cineasta fala sobre seu longa: “O filme é conduzido pelas conversas que traço com o meu pai nos dias de hoje. Em busca de uma relação possível com ele, proponho idas ao passado através de projeções de fotos e filmes. Em jantares, na conversa quotidiana, entrelaçamos mundos. Mas o presente mostra suas garras: na televisão, o único tema é a perturbadora situação política do meu país que, menos de 30 anos depois do fim da ditadura, novamente tem o seu processo democrático sob risco. Esta, no entanto, é a minha visão. Para o meu pai, o futuro do Brasil está ligado a uma política autoritária. Proponho uma viagem, só nós dois. As fronteiras entre diretora e personagem foram borradas e estamos, ambos, pela primeira vez, abertos ao inesperado da vida – esta que, por algumas vezes, consegue ser mais inacreditável que a ficção.”

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