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Januário Jr. fala de UrSortudo, que está na Mostra Brasília

Um dos destaques da Mostra Brasília do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o curta-metragem UrSortudo. O filme que concorre ao 22º Troféu Câmara Legislativa e tem direção de Januário Jr., que é o idealizador da Mostra Curtas Paranoá. Na entrevista a seguir, o cineasta conversa um pouco sobre a sua obra.

Fala um pouco sobre a história do filme.
O filme UrSortudo, foi produzido com recursos do Edital Curta Afirmativo/2014, do Ministério da Cultura. É o único projeto do DF a ser contemplado na última edição do edital. Ao todo foram 33 projetos contemplados em todo Brasil. O curta retrata as consequências, físicas e psicológicas no âmbito social e familiar, sofridas por um dos milhares de casos de prisões e cumprimento de pena por engano no Brasil, e ilustra também a dificuldade dessas vítimas em reconstruir suas vidas dentro do ciclo social mais íntimo, após os “equívocos” da justiça. Em 2014, peritos da ONU visitaram algumas penitenciárias do país e constataram que, dos 550 mil detentos, cerca de 40% são presos provisórios, que ainda não receberam sentença. A maioria deles não tinham antecedentes criminais e foram alvos da regra de punir antes para averiguar depois. O drama no filme UrsSortudo é ficcional, mas desenha os efeitos irreversíveis daquilo que acontece na vida de quem já passou por essa situação: não conseguir emprego formal, conviver com o preconceito de carregar o título de ex-presidiário, não ter assistência para apagar as lembranças da barbárie na cadeia e ainda ter de provar repetidamente para a família, parentes e amigos que o preso por engano e vítima do sistema.


Não é a primeira vez que você aborda a temática da vida na periferia, não é?
Não. Minha carreira como realizador é concentrada e distribuída a partir da cidade do Paranoá, onde moro desde 2009. Me identifico muito com a cidade, com as histórias, com os dramas, com as vitórias e gosto daqui. Agora, sei que a periferia tem muitas histórias potenciais e incríveis para serem contadas. Sei porque vivencio isso todos os dias entre meus amigos, conhecidos e e pessoas da cidade. A questão é que o momento atual do Brasil, esse país de 2017 fortemente influenciado pelas trapalhadas políticas e seus poderes, pede um outro posicionamento e a periferia anseia por participar.

Você comentou que o curta é um drama com alívio cômico irônico. O que as pessoas podem esperar?
Teremos pessoas conflitando para defenderem suas ideologias e, no meio de tudo isso, a criatividade para trabalhar com o que se tem. Para resolver os problemas do cotidiano, acaba ajudando o protagonista e proporcionando algumas risadas. 


Conte como foi feita a escolha do elenco.
O edital pedia que o elenco fosse predominantemente negro. Assim fizemos. Foram feitos dois testes de elenco, um na Faculdade Dulcina e outro aqui no Paranoá. Reforcei a parceria de trabalho com a internacional Silvia Paes e com meu parceiro de trabalho desde 2012, Jefferson Leão.

Quais suas expectativas em participar da Mostra Brasília?
Muito gratificado pelo 50º FBCB abrir espaço para discutir as consequências alarmantes do sistema de punição brasileiro, a partir da visão da periferia. Me parece que tem mais um filme sobre a temática. Acredito que será uma boa oportunidade para alimentar o debate. Principalmente, partindo do festival mais histórico e influente do país. Gratidão é a palavra.

*Por Michel Toronaga - micheltoronaga@cine61.com.br


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