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Música Para Quando as Luzes se Apagam conta história de jovem trans

O assunto está cada vez mais em voga. Mas, mesmo assim, a infeliz discriminação e a consequente matança ainda se fazem presente no Brasil. Estamos falando dos transsexuais, pessoas cuja a identidade de gênero se difere daquela designada no nascimento e que ainda sofrem preconceitos em pleno século 21. Sobre o tema, o escritor e cineasta gaúcho Ismael Caneppele entende bem e luta pela aceitação dos trans na sociedade. Autor da obra de sucesso Os Famosos e Os Duendes da Morte (2009) e de frases clássicas como “A homofobia permeia todas as esferas da nossa sociedade e contamina os comportamentos mais banais”, o militante abriu a mostra competitiva da  50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com seu novo longa-metragem.


Cativante, experimental e criativo, enfatiza esta temática  de uma forma lírica. O filme Música Para Quando as Luzes se Apagam, preparem-se, é de difícil entendimento. Mas a magia e a história o tornam atraente do início ao fim. Em uma mistura de documentário com ficção, a produção relata o cotidiano de Emelyn (Emelyn Fischer), uma jovem trans que vive a transição para a identidade masculina (Bernardo) no interior do Rio Grande do Sul. A narrativa não é de hoje. Ela surgiu de páginas soltas de um diário rasgado de uma transexual entregue a Caneppele há 10 anos atrás. O resultado foi o livro de mesmo nome: Música para Quando as Luzes se Apagam, de 2007. Agora, no cinema, o diretor adaptou o enredo, mas fez questão de percorrer os interiores do Rio Grande do Sul, como no livro, e de ressaltar inúmeras cenas poéticas que desenrolam a vida da protagonista.


Aliás, as cenas noturnas e iluminadas apenas por objetos cênicos são de uma beleza poética única, que  dá gosto de assistir. As filmagens também variam: Câmera digital, planos nítidos e desfocados, câmeras paradas e em mãos são assumidas e dão um tom criativo a produção. O diferencial da obra, além destes múltiplos coloridos, cabe à forma que a vida da trans é contada. Ela não tem inimigos. Muito pelo contrário. Apesar dos preconceitos e matanças diárias, aqui Caneppele optou por mostrar um jovem que é e será aceito pela sociedade como Bernardo. Tanto pela família, quanto pelos vizinhos.


Como em uma metalinguagem, uma personagem sem nome vivida brilhantemente pela atriz Júlia Lemmertz surge na história. Ela chega à cidade do menino para transformar a sua história em um filme. Também povoada por seu universo misterioso e pela busca da própria aceitação, Lemmertz vai descobrindo a lidar com seus próprios medos e preconceitos para consigo mesma. O envolvimento dela com Emelyn é um dos pontos mais fortes. Uma descoberta, em conjunto. Cenas de sexo, do amor juvenil mostram todo o esplendor deste filme. Fica a mensagem: todos nós, no fundo, estamos na busca da aceitação interna. 
Cotação do Cine61: DaiblogDaiblogDaiblog

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme Música Para Quando as Luzes se Apagam:


Música Para Quando As Luzes se Apagam  (Brasil, 2017) Dirigido por Ismael Cannepele. Com Julia Lemmertz, Emelyn Fischer...

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