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O futuro distópico das periferias brasileiras

No penúltimo dia do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, todos os filmes exibidos da Mostra Competitiva tiveram participação do diretor ceilandense Adirley Queirós, direta ou indiretamente. Chico, curta do Rio, dos irmãos gêmeos Eduardo e Marcos, começa com o sampler da música Bomba Explode na Cabeça, de MC Dodô, também usada na parte final do filme Branco Sai, Preto Fica, de Adirley. Os gêmeos revelaram que Branco Sai, Preto Fica foi inspiração para Chico. O curta carioca reflete sobre a perseguição aos jovens, o genocídio da juventude negra e como a realidade atual das periferias brasileiras pode se transformar no futuro distópico da fita, onde a internação compulsória de jovens para a ressocialização é aprovada pelo governo.


Já o curta brasiliense Carneiro de Ouro, de Dácia Ibiapina, conta com a produção executiva de Adirley Queirós. A diretora foi até Picos, no Ceará, conhecer os bastidores dos filmes de Dedé Rodrigues. Sozinho, o cineasta aprende cinema com vídeo aulas na internet, revelando assim o poder do mundo virtual. Divertido, o curta funcionou como alívio cômico após o profundo Chico e preparou terreno para Era Uma Vez Brasília, o longa de Adirley Queirós.


Distante do badalado Cine Brasília, que lotou graças ao esperado filme de Adirley, com pessoas assistindo no corredores e laterais do espaço, o Teatro da Praça, em Taguatinga, região administrativa de Brasília que também acolhe o festival, recebia poucas pessoas. O público foi ficando ainda menor durante a exibição de Era Uma Vez Brasília. A trilogia iniciada com A Cidade é Uma Só? se encerrou com Era Uma Vez Brasília. É possível observar a evolução do diretor nas três fitas. Se no primeiro o gênero documental está muito presente, em Branco Sai, Preto Fica a fantasia e a ficção científica vão tomando lugar. Já em Era Uma Vez Brasília, o diretor se lança completamente ao sci-fi, não abandonando o tom documental. Com os discursos de presidentes o longa também assume tom político. Mais que isso, a fita de Adirley, que contou com mais recurso financeiro, investiu na caracterização do personagens e nos cenários, diferente de Branco Sai, Preto Fica.


O viajante intergalático de Era Uma Vez Brasília, WA4, do planeta Sol Nascente, é vivido pelo mesmo ator que vende terrenos irregulares no Sol Nascente, em Ceilândia, no primeiro longa do cineasta A Cidade é Uma Só?. WA4 recebe uma missão, falha e sua nave aterrissa em Ceilândia. Diferente das referências de Adirley, como Mad Max, Era Uma Vez Brasília oferece longas cenas onde a ação não existe, somente a contemplação de lindas imagens vindas da cabeça imaginativa e criativa de Adirley. Também distópico, o longa não oferece boas perspectivas para o futuro das periferias. Também é o mais difícil do cineasta. Feito por alguém da periferia e na periferia, o longa não agradou o público que assistiu a fita no Teatro da Praça, poucas pessoas ficaram até o final da exibição.

*Por Vinícius Remer da Silva - Especial para o Cine61

Veja aqui o trailer do curta Era uma Vez Brasília:



Era Uma Vez Brasília (Brasil, 2017) Dirigido por Adirley Queirós. Com Wellington Abreu, Andreia Vieira, Marquim do Tropa, Léo Gordo, Sandra Carla...

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